Montadoras já pensam em peças de produção própria

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Alguém está certo e muitos estão errados? No cenário atual, a questão está sendo debatida entre os principais fabricantes mundiais de automóveis.


Por décadas, o modelo de gestão industrial pautou-se em deixar quase tudo na mão de fornecedores, convertendo as fabricantes em praticamente montadoras de veículos.

Na última década, impulsionada pela China e pelos carros elétricos, a indústria automobilística mundial ampliou a dependência de compras externas, que parece agora um negócio arriscado.

Com a pandemia, veio a crise dos chips e agora estamos assistindo uma guerra, que apenas adicionou combustível ao pior cenário do setor automotivo global em muito tempo.

O just-in-time da Toyota afetou a própria Toyota e todos os que a seguiram desde os anos 70, até o surgimento da Tesla.

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Desafiando a lógica do setor, a Tesla criou a própria tecnologia e a produz dentro da fábrica. Agora, vários fabricantes que miram a marca de Elon Musk como um alvo a ser atingido, já buscam fazer o mesmo.

Apostando na verticalização da produção, várias empresas do setor, desde startups a grandes fabricantes começam a internalizar o desenvolvimento e a produção de sistemas críticos.

Desde chinesas como a BYD até iniciantes como a Lucid sabem ser preciso verticalizar suas principais tecnologias.

Motores, baterias, software e demais componentes dos carros elétricos começam a ser feitos pelas próprias marcas que lançarão os carros.

Na Ford, Jim Farley reconheceu que Henry Ford tinha razão em verticalizar seu processo industrial: “A coisa mais importante é que integramos verticalmente. Henry Ford … estava certo”.

Como já se sabe, a Ford dos anos 20 comprava o minério de ferro, a borracha e todos os insumos que precisava, convertendo-os diretamente em Modelos T, TT e outros.

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Entre 1970 e 2010, a propriedade industrial das montadoras caiu de 90% de todas as patentes para 50%.

Com a China criando cada vez mais marcas de carros, o que antes era quase inacessível para qualquer um, tornou-se fácil no que diz respeito ao desenvolvimento e produção de carros próprios.

Basta ir à prateleira do supermercado de sistemistas e fornecedores para se adquirir de tudo, mesmo motores a combustão, linhas inteiras de produção, design automotivo e tudo mais que precisar.

Começar do zero nunca foi tão fácil no setor automotivo, bastando ter dinheiro para isso.

Só que essa dependência externa nas empresas agora cobra seu preço…

Peter Rawlison da Lucid, diz: “O trem de força elétrico não pode ser comprado na prateleira em um padrão de classe mundial, não é uma mercadoria”. Ele conclui: “Esta é uma corrida tecnológica e o mercado ainda não a vê”.

Bom, parece que no caso da Tesla sim, já que a mesma passou de US$ 1 trilhão em valor de mercado, mais que Toyota, VW, GM e Ford juntas…

[Fonte: Autoblog]

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.