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Morris Marina é considerado um dos piores carros de todos os tempos

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Ostentar a Union Jack nas laterais e na traseira é o reconhecimento de que a marca inglesa e seu modelo representam o alto luxo e a tradição britânica no desenvolvimento de automóveis. Claro, quando estamos falando de Rolls-Royce, Bentley, Lotus, Jaguar Land Rover ou MINI, por exemplo, não há o que questionar nesse aspecto.



No entanto, os britânicos não andam e nunca andaram somente nestes carros ou muito menos produziram somente eles. Atualmente o país está em nível mundial de forma inegável, mas no passado não muito distante, produziram alguns carros não muito bem aceitos fora do país, especialmente um best seller nacional, que dentro e fora da Inglaterra é considerado um dos piores carros de todos os tempos.

morris-marina-interior Morris Marina é considerado um dos piores carros de todos os tempos

Morris Marina – Interior

No fim dos anos 60, a Leyland Motors foi fundida com a British Motor Holdings, formando a British Leyland (BL). O pessoal da BMH não acreditou quando viu que apenas dois carros estavam em desenvolvimento, sendo estes os Austin Maxi e Mini 9x, feitos com tração dianteira e motor transversal para substituir os A60 Cambridge e Morris Minor, este o mesmo de 1948. Já o BMC Farina tinha pelo menos 10 anos de mercado britânico e era outro pedindo para sair.

Após muitas discussões, optou-se por mudar a estratégia para Austin e Morris. A primeira faria carros de concepção desenvolvida por Sir Alec Issigonis – ou seja, tração dianteira e motor transversal – enquanto a segunda faria carros mais populares e tradicionais, ostentando motores em longitudinal e tração traseira. Foi aí que surgiu o projeto ADO 28, um carro que tinha como missão barrar o sucesso do Ford Escort e do Vauxhall Viva. Mas, sua gestação foi bastante complicada.

morris-marina-estate Morris Marina é considerado um dos piores carros de todos os tempos

Morris Marina Estate

ADO 28

O projeto parecia consistente, sendo inspirado no Fiat 124 e proposto por Harry Webster, mas repetidas mudanças de pessoal, fizeram seu desenvolvimento atrasar além da conta e alterar seu estilo várias vezes. A ênfase era fazer um carro simples, funcional e de baixa manutenção para atender os frotistas, mas que também fosse aceito pelo consumidor. Para contornar os problemas da gestão da BL, considerada pobre para a época, optou-se para processos de economia que mataram algumas propostas futuras para o ADO 28.

O ponto de partida, no entanto, começou pelo Morris Minor e logo provou-se que utilizar o pequenino como base para um carro de concepção totalmente diferente geraria um custo enorme no desenvolvimento. Além disso, a BL optou por Cowley – clássica fábrica da Morris em Oxford – para sua produção, mas esta não havia sido modernizada desde sua fundação, em 1920.

A velha planta precisou ser ligada à outra mais recente, que fabricaria a carroceria do modelo, mas para isso foi necessário um viaduto e uma estrada para ligação entre os dois locais. A BL custeou isso e ainda teve que pagar pelo direito de ter uma estrada. Ou seja, os custos de produção foram enormes no processo de desenvolvimento.

morris-marina-coupe Morris Marina é considerado um dos piores carros de todos os tempos

Morris Marina Coupé

A caixa de câmbio do Minor logo não encaixou no ADO 28, sendo então usada uma do Triumph 1300. Os freios e suspensão dianteira do Minor também não deram os resultados esperados no novo carro. Além disso, um debate interno na BL questionou os rumos da empresa com um carro de concepção antiga, que poderia matar a imagem da marca inglesa, então ligada aos modernos Minis de Issigonis.

Mas mesmo com tudo isso, não havia tempo para ficar pensando no futuro, pois a BL queria rapidamente colocar seu ADO 28 no mercado já no início dos anos 70. Webster pediu ao designer Roy Haynes que refizesse o estilo do carro, incorporando novos elementos e ampliando a família de derivados, mas a economia em escala para reduzir os custos já proibitivos do projeto fizeram com que o cupê tivesse proposta diferente da original, sendo mais um alvo de críticas por parte da imprensa, pois não era nenhum pouco esportivo, conforme a marca queria.

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Morris Marina Van e Pickup

Com um visual que no final parecia inspirado no Hillman Avenger, após ajustes feitos pelo designer Roy Haynes, bem como outros aspectos incorporados de seus rivais Escort e Viva, o ADO 28 gerou um sedã quatro portas, uma perua quatro portas, um cupê, um cupê utilitário que na verdade era uma picape leve e uma van comercial. O projeto tinha de ser voltado para exportação à Commonwealth, mas carros da BL – bem aceitos nas ex-colônias – tinham problemas de durabilidade e falta de força. Por isso, o modelo usaria um motor série E (1.5) no exterior.

Já no mercado doméstico, optou-se inicialmente por este novo motor, mas sua concepção era falha, gerando queima de óleo e superaquecimento. Por isso, a British Leyland mudou o propulsor para as Série A (1.3) e B (1.8) de 1951, mais confiáveis, embora de concepção muito mais antiga. Nem um novo câmbio de 4 marchas da BMC foi aceito pelo carro. Para manter os custos em um nível baixo, optou também por um eixo traseiro suspenso por feixes de molas, mas o pior de todos os problemas do projeto nem seria esse… O preço proposto inicialmente era de £ 575, mas logo ele passou para £ 620.

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Morris Marina Sedan

Morris Marina

Batizado finalmente de Morris Marina e foi lançado em 27 de abril de 1971, a produção do ADO 28 começou com um processo arcaico de gestão em Cowley, onde os trabalhadores ganham por peça montada. Logo o método foi alterado para dias trabalhados e parte do quadro entrou em greve, retardando a evolução das vendas do modelo. Nessa altura, a produção – que começara com 1.000 carros por semana – já havia alcançado 5.000/semana. Nas vendas, 20.000 exemplares foram vendidos em período igual e tudo era festa na Morris.

Então, as revistas especializadas começaram a testar o Morris Marina 1800 e então veio uma péssima constatação, o carro era ruim de guiar. Sua suspensão dianteira provou-se muito instável e perigosa. As revistas Autocar e Motor tiveram problemas em controlar o Marina em curvas. O carro da Morris rolava demais nas curvas. A marca demorou para responder, mas ao perceber que a imprensa insistia que havia algo errado, a inglesa instalou uma barra estabilizadora no conjunto dianteiro.

Ainda assim, o problema apenas foi atenuado e persistiu durante toda a vida do Marina, que ainda foi criticado por causa da posição de dirigir ruim e da baixa qualidade do aço ante à corrosão. Este fato levou a seu abreviamento no mercado canadense e retirada dos EUA já em 1975. Apesar de boas vendas e colocação geralmente entre terceiro e quarto, tendo até alcançado a segunda posição no mercado do Reino Unido, o Morris Marina já demonstrava cansaço na virada da década.

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Morris Ital Sedan

Em 1977, iniciou o projeto ADO 77 para substituí-lo, mas mesmo a concepção desse projeto já estava desatualizada diante de novos concorrentes com os quais ele brigaria. O uso de motor 2.0 e a mudança de posicionamento seriam fundamentais, mas o projeto era de um carro inferior e antigo. Assim, o Morris Marina continuou seu caminho até 1980. Mesmo com mudanças de motor, sendo adicionado um 1.7 e um (fraco) diesel 1.5, que acabou sendo vendido apenas no exterior, o modelo pedia para sair.

Desde 1975, a British Leyland passou a ser controlada por Sir Michael Edwardes, que se aproximou da ItalDesign de Giorgetto Giugiaro. Embora o Morris Marina tenha recebido uma atualização nesse ano, o novo chefe da BL queria ver uma nova geração feita pelo designer italiano. Mas ao invés de um carro novo, a marca viu surgir uma segunda atualização visual do modelo em 1980, que foi considerado como outro carro, mas que na verdade era o mesmo de 1971.

Até o nome Marina foi retirado, sendo chamado apenas de Morris Ital. Isso não adiantou muito, pois a reputação do carro – que já era péssima – continuou com esse facelift até 1984, quando o mais moderno Austin Montego assumiu o posto. De lá para cá, a má fama provou-se verdadeira, já que processos de desmanche do Marina foram bem acentuados por causa da corrosão.

morris-ital-estate Morris Marina é considerado um dos piores carros de todos os tempos

Morris Ital Estate

Legado

Em 2006, a estimativa era de que dos mais de 807 mil vendidos entre 1971 e 1980 – com o Ital, totalizou em torno de 1,2 milhão – apenas 745 rodavam pelo país, segundo a revista Auto Express. Só o programa Top Gear destruiu muitos exemplares do Marina em seus episódios. O relato mais recente é de fevereiro de 2016, quando a contagem foi de apenas 295 carros ainda rodando no Reino Unido. Após sua saída de linha, o Marina foi canibalizado, emprestando peças de desmanche para os Minor e 1100.

Nos anos 70, com a saída de um dos diretores da British Leyland, dois exemplares do Morris Marina foram parar na Coréia do Sul e uma empresa iniciante no mercado automotivo desenvolveu a partir do inglês um novo carro, que ficou conhecido como Hyundai Pony, dando assim início na trajetória de sucesso do atual quarto fabricante mundial de automóveis.

O Morris Marina também contribuiu com outros carros da BL, assim como da Triumph. O Ranger Rover e o Land Rover Discovery até 1998 também se beneficiaram. Claro, muitos componentes não eram essencialmente os mais importantes nesses carros, mas eram baratos e estavam disponíveis no mercado. Até esportivos famosos levaram peças do antigo de Cowley, sendo eles o Lotus Esprit e o Lamborghini Diablo. Como se vê, nem sempre ser o pior da classe, significa que também não possa contribuir com o grupo…

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