
O avanço acelerado das marcas chinesas na Alemanha começa a revelar um desafio menos visível: sustentar financeiramente a rede responsável por transformar expansão em vendas.
Concessionários ligados à Xpeng e à BYD afirmam esperar há meses por pagamentos previstos em contrato, acumulando valores que chegam a centenas de milhares de euros.
A questão surge justamente quando as duas fabricantes ampliam fortemente seus registros alemães e dependem de novos parceiros comerciais para manter o ritmo de crescimento.
Até julho, a BYD registrou 31.492 veículos na Alemanha, avanço de 323% sobre igual período anterior, enquanto a Xpeng chegou a 4.610 unidades, alta de 246%.
Um concessionário da Xpeng, que preferiu não se identificar, disse esperar em alguns casos mais de seis meses por subsídios de leasing e bônus trimestrais acordados.

Segundo ele, os valores pendentes alcançam centenas de milhares de euros por ponto de venda, informação apoiada por documentos contábeis internos analisados pela publicação Automobilwoche.
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Outros parceiros da Xpeng relataram situações semelhantes e argumentam que atrasos prolongados pressionam o caixa das empresas responsáveis pelas operações comerciais da marca no país.
A fabricante atribuiu a demora ao forte aumento dos registros na Alemanha, que teria elevado significativamente a carga de trabalho dedicada ao processamento de cada solicitação.
Para acelerar os repasses, a Xpeng adicionou temporariamente funcionários à sede comercial de Munique e modificou processos internos, reduzindo inclusive etapas executadas manualmente.
Entre os parceiros da BYD, Andreas Knipp, presidente da associação que representa os concessionários alemães da marca, também aponta diferenças relevantes frente às práticas de concorrentes.

Segundo Knipp, valores de seis dígitos, na faixa intermediária das centenas de milhares de euros, não são incomuns entre os montantes aguardados pelas empresas.
O executivo explicou ainda que determinadas faturas de apenas alguns milhares de euros podem atravessar nove etapas de aprovação, algumas delas realizadas diretamente na China.
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Essa estrutura faz até parceiros antigos aguardarem semanas ou meses por pagamentos relativamente pequenos, embora Knipp diga ter percebido melhora recente nos procedimentos da fabricante.
A operação alemã da BYD aumentou a frequência dos pagamentos e ajustou processos para acelerar aprovações chinesas, enquanto a companhia não confirmou atrasos específicos.
Lars Bialkowski, diretor da BYD na Alemanha, afirmou que a empresa está priorizando a expansão de seus processos administrativos e financeiros diante do crescimento local.
As dificuldades ganham importância porque a estratégia das marcas chinesas depende da ampliação das redes físicas, especialmente após Polestar e Nio mostrarem limitações de modelos fortemente concentrados em vendas diretas.
Um parceiro da Xpeng afirmou que pretendia ampliar sua operação com a fabricante, mas colocou esses planos em espera e passou a avaliar outras marcas.
Caso mais concessionários adotem postura semelhante, metas de expansão comercial podem ficar pressionadas justamente quando BYD e Xpeng conquistam espaço de fabricantes estabelecidas no país.
Na China, as fabricantes passaram a ser obrigadas no ano passado a pagar fornecedores dentro de 60 dias, após preocupações sobre práticas adotadas pelo setor.
Uma reportagem da emissora pública alemã ARD apontou fornecedores da Xpeng entre aqueles que enfrentavam alguns dos prazos de pagamento mais longos naquele contexto.
Para as fabricantes chinesas, vender mais carros na Europa passa a exigir não apenas produtos competitivos, mas também estruturas administrativas capazes de acompanhar a velocidade dessa expansão.
