
A tensão entre acionistas da Nissan ganhou contornos raros no Japão ao derrubar um nome de forte influência nos bastidores da montadora.
Os acionistas da Nissan Motor Co. rejeitaram a recondução de Motoo Nagai ao conselho, encerrando a passagem do conselheiro externo.
O resultado foi anunciado na terça-feira pelo CEO Ivan Espinosa, que confirmou a aprovação dos outros 11 integrantes submetidos à votação.
A Renault SA, detentora de 15% dos direitos de voto, havia indicado que se absteria em relação a Nagai.
Ex-banqueiro, Nagai teve papel central na saída de Carlos Ghosn da presidência em 2018 e na escolha posterior de executivos.

Aos 72 anos, ele também apoiou as conversas de fusão entre Nissan e Honda Motor Co. no começo de 2025.
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As negociações acabaram sem acordo, depois que as duas montadoras não chegaram a uma estrutura considerada aceitável para a união.
Nagai construiu carreira no Mizuho Financial Group Inc., maior credor da Nissan, o que ampliou questionamentos sobre sua independência.
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Ele era o único conselheiro presente nos comitês de nomeação, remuneração e auditoria, posição que lhe dava influência sobre cargos executivos.
A saída representa a maior demonstração de força da Renault dentro da Nissan desde a redução de sua influência formal em 2023.
As reservas da Renault também envolviam o longo vínculo de Nagai com a montadora, iniciado como auditor estatutário em 2014.
Ele passou ao conselho em 2019, ampliando dúvidas sobre a distância necessária para atuar como diretor independente.
Junichi Shinbo, novo indicado e também ex-banqueiro do Mizuho, foi aprovado pelos acionistas durante a mesma reunião anual.
Pessoas a par do assunto disseram que a Renault também pretendia se abster na votação de Shinbo.
A Renault possui cerca de 36% das ações da Nissan, mas exerce menos direitos de voto após o acordo reformulado de 2023.
A relação começou há mais de 25 anos, quando a montadora francesa ajudou a Nissan em grave aperto financeiro e enviou Ghosn ao Japão.
Na reunião deste ano, acionistas insatisfeitos criticaram executivos, a fraca evolução das ações e a falta de modelos mais atraentes.
As ações da Nissan acumulam queda de 44% desde o fim de 2023, dado que concentrou boa parte das reclamações.
Um investidor questionou abertamente a independência de Nagai e Shinbo e tentou barrar a recondução de Espinosa.
A moção contra Espinosa acabou negada por razões legais, mas o acionista afirmou que o preço das ações era a maior preocupação.
A Nissan tenta recuperar fôlego após dois anos fiscais consecutivos de prejuízo líquido, embora projete voltar ao lucro até março de 2027.
No último ano, as vendas caíram 4,9%, para ¥12 trilhões (R$ 383 bilhões), enquanto a empresa tenta renovar uma linha envelhecida.
A dívida chega a ¥4,4 trilhões (R$ 140,4 bilhões), e agências de classificação já rebaixaram a qualidade de crédito da Nissan.
A BYD Co. e outras fabricantes chinesas apagaram a vantagem inicial da Nissan em EVs acessíveis.
Ao mesmo tempo, a estratégia híbrida da Toyota Motor Corp. deixa Nissan e Honda ainda mais distantes em segmentos decisivos.
Ao todo, 12 conselheiros, incluindo Espinosa, passaram por votação, com três novos nomes indicados e dois veteranos deixando seus postos.
Andrew House, diretor da Nissan e presidente do comitê de nomeação, defendeu em carta que Nagai seguia independente.
A Institutional Shareholder Services Inc. e a Glass Lewis & Co. recomendaram voto contrário à recondução de Nagai.
Em relatório publicado em 3 de junho, a Glass Lewis escreveu que Motoo Nagai não era independente.
Após a saída de Ghosn do Japão no fim de 2019, Renault e Nissan ficaram presas a uma longa disputa de poder.
Nagai se consolidou nesse período como articulador de nomeações executivas, incluindo a saída do ex-COO Ashwani Gupta.
Ele também esteve ligado à escolha de Espinosa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto citado no relato original.
Espinosa afirmou que, mesmo sob concorrência mais intensa, os esforços para melhorar o negócio já começam a render resultados.
