
A disputa pelo prestígio voltou a ganhar cara de vitrine extrema, mas agora surge cercada por margens apertadas, EVs velozes e rivais chineses.
A Audi apresentou no início de junho o Nuvolari, batizado em referência a Tazio Nuvolari, piloto italiano dos anos 1930.
O cupê híbrido foi revelado em Mônaco antes do Grande Prêmio e traz um V8 de 1.014 cv compartilhado com a Lamborghini.
A estimativa de preço é de US$ 686.000 (R$ 3,6 milhões), embora a Audi planeje fabricar apenas 499 unidades do modelo.
Gernot Döllner, CEO da Audi, admite que o Nuvolari não existe para recuperar volume, mas para recolocar a marca em outro patamar.

Esse tipo de produto é chamado de halo car, um carro de imagem feito para gerar desejo e transferir prestígio ao restante da linha.
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A própria Audi teve um exemplo recente com o R8, lançado em 2006 por US$ 158.600 (R$ 824.900) e encerrado em 2024.
O R8 ficou marcado também por aparecer como carro de Tony Stark em Homem de Ferro, reforçando seu papel cultural além da engenharia.
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Halo cars e EVs chineses estão apagando o brilho de Porsche e Audi na China; vale investir?
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Porsche e BMW seguiram caminhos parecidos, mas sem sucessores diretos para o 918 Spyder e o i8 nos últimos anos.
Na China, marcas locais pressionam ainda mais ao combinar tecnologia, preço e aceleração em níveis que antes pertenciam a Ferrari ou Lamborghini.
O Xiaomi SU7 Ultra tem cerca de 1.521 cv e vai de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.
Seu preço de 529.900 yuans (R$ 405.900) contrasta com cifras europeias muito superiores para desempenho semelhante.
A Maextro S800, da Huawei Technologies, parte de 708.000 yuans (R$ 542.400) e já supera modelos acima de US$ 100.000 (R$ 520.100) na China.
O sedã também chama atenção por assistência avançada ao motorista, botões de cristal, painel com três telas e portas acionadas por botão.
Yifan Zeng, trabalhador de e-commerce em Shenzhen, comprou uma S800 por cerca de 1 milhão de yuans (R$ 766.100) em março, segundo reportagem da Bloomberg.
Mesmo dono de BMW Série 7 e Mercedes-AMG, ele diz usar mais a Maextro pelo sistema autônomo e pelas atualizações remotas.
Michael Dunne, CEO da Dunne Insights LLC, avalia que a China assumiu protagonismo global e passou a enxergar marcas tradicionais sem reverência.
A Porsche sente essa virada com força, já que suas vendas chinesas em 2025 caíram 26% ante o ano anterior.
Kris Singh, colecionador de supercarros, afirma que a Porsche precisa de um halo car e que o ideal seria algo totalmente analógico.
Kevin Tynan, diretor de pesquisa da Presidio Group, vê o problema pelo lado financeiro e diz que a conta desses projetos não fecha.
Mesmo assim, BMW, Porsche, Audi e Mercedes estudam novas formas de manter o brilho, seja por conceitos, séries especiais ou experiências personalizadas.
A Mercedes aposta no programa Mythos, que permite a 30 clientes montar o próprio V8 em uma versão especial do CLE.
Michael Schiebe, chefe da divisão de desempenho da Mercedes, diz que o apelo está em abrir o capô e ver o próprio nome no motor.
O adicional estimado é de US$ 50.000 (R$ 260.000), uma pechincha relativa no universo em que imagem vale quase tanto quanto potência.
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