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Na estrada com o Audi A3 Sedan

Na estrada com o Audi A3 Sedan

No Carnaval, fui meio na contramão do reinado de momo. Aproveitei a chegada do A3 Sedan e, como péssimo anfitrião, levei o gringo para conhecer não os desfiles, mas a calma do interior de São Paulo. Primeiro, escala no Museu da Aviação, em São Carlos. Depois, Ribeirão Preto. Resumindo, folia, zero. Diversão, dez, nota dez.


Eu já havia dirigido o A3 Sedan em duas ocasiões. Uma, em meados do ano passado, durante o lançamento mundial do modelo, em Budapeste, Hungria, onde ele é feito. Antes que 2013 terminasse, voltei a testar o carro, dessa vez em território nacional, mas numa pista fechada, no interior de São Paulo. Na época, ainda não era possível sair com o A3 Sedan pelas ruas, porque ele havia acabado de desembarcar no país e não tinha placas.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

Por isso, apesar de já conhecer relativamente bem o sedã, ainda faltava submetê-lo à vida real, nas ruas e estradas brasileiras. Como não sou um sambista exímio, parti para a estrada, pensando no meu descanso. Quem precisava de trabalhar e mostrar samba no pé era o sedã vindo (por enquanto) da Hungria. A partir do ano que vem, ele será produzido no Brasil. Portanto, queria saber se ele se adaptaria ao ambiente.


Cadê os sensores de estacionamento?

Primeira impressão: como disse na avaliação do A3 Sportback, acho que um carro nessa faixa de preço (R$ 116 400) deveria ter sensor de estacionamento ou câmera de ré. Há carros muito mais baratos que trazem esses equipamentos. Já começo falando das deficiências para o A3 não achar que eu baixei a guarda só por causa do Carnaval.

Ele vai ter de rebolar para agradar. Então, nada de descanso. Gostei do reencontro com o vigoroso motor 1.8 TFSI, turbo de 180 cavalos. As respostas são ágeis, e na estrada basta cutucar o acelerador para o carro mostrar toda sua disposição.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

Mas vamos dar uma pausa no tema desempenho para falar do porta-malas, que é a grande novidade do modelo. Para começar, ponto para o estilo. O terceiro volume do A3 é bem desenhado, e se encaixa com harmonia no restante da carroceria. O jeitão é de cupê, por causa da curvatura do teto e da traseira curta.

Posso dizer que o sedã fez sucesso por onde passou. Na porta do restaurante lotado, o manobrista deslocou um carro para deixar o modelo ali à vista de todos. Na prática, o A3 Sedan é meio familiar, meio esportivo. A tampa traseira termina num discreto aerofólio estampado na própria lataria. As lanternas, de leds, são bem horizontais. A lateral é muito bem resolvida. Um vinco liga o farol à lanterna, e também há curvas na parte baixa das portas, que dão volume ao carro. O capô é de alumínio, para redução de peso. Graças ao terceiro volume saliente, a turbulência de ar na traseira foi reduzida, e por conta disso até a aerodinâmica melhorou: o A3 Sedan tem Cx 0,29.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

Forma e função andam juntas

Outro bom exemplo de que a forma e a função estão de mãos dadas pode ser conferida no bagageiro, que oferece bom espaço. São 425 litros de capacidade, 45 l a mais que no A3 Sportback e 60 l a mais que no modelo de três portas. No feriado prolongado, deu e sobrou para a bagagem de três pessoas, sendo que uma das três é minha mulher, e ela não gosta de economizar quando o assunto é bagagem.

O A3 até perde um pouco quando se compara a capacidade de carga com o bagageiro do Civic (449 litros), por exemplo – só para citar o líder entre os sedãs médios. Mas no Audi as malas viajam tão confortáveis como os passageiros. O compartimento é revestido com material de boa qualidade. E os braços de sustentação ficam embutidos, e não interferem no espaço de malas.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

Quer saber como é que ele se comportou na estrada? Para resumir, foi um bom companheiro quando eu quis sossego, e um amigão quando eu quis pisar. O motor 1.8 TFSI de 180 cavalos faz uma ótima dobradinha com o câmbio S-Tronic, de dupla embreagem e sete marchas. Se você pisar fundo, ele faz as trocas de marchas com o ponteiro do conta-giros invadindo a faixa vermelha (acima de 6 mil rpm). Nesse caso, o motor emite um ronquinho nervoso, bem esportivo. As trocas são muito rápidas e prazerosas.

Uma das razões de tanta saúde é que o torque (25,5 kgfm) aparece já a partir de 1.250 rpm, e permanece assim até os 5.000 rpm. Por conta disso, um leve toque no acelerador é suficiente para o carro arrancar com disposição. A potência máxima ocorre a partir de 5.100 rpm, e dura até os 6.200 rpm.

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Injeção direta e indireta

Uma das características desse motor é a alimentação tanto por injeção direta como indireta. Ele usa quatro bicos injetores na câmara de combustão (injeção direta) e quatro no coletor (indireta). Em médias rotações com velocidade de cruzeiro, por exemplo, o motor funciona com a injeção indireta.

A explicação da Audi é que, nesse caso, a emissão é até menor do que na injeção direta. O sistema start-stop é equipamento de série, e desliga o motor nas paradas. O resultado de todas essas tecnologias é um comportamento bem esportivo, mas sem abrir mão da economia. Mesmo utilizando ar-condicionado o tempo todo, e andando sem muita preocupação com economia, conseguimos média de 9,6 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

Ao volante, não se nota nenhuma alteração de comportamento por conta dos 22 cm a mais no comprimento em relação ao A3 Sport. A direção bem calibrada é precisa e obediente. E a suspensão (independente) transmite confiança. Pneus largos de perfil baixo (225/45 R17) completam o pacote.

O acabamento interno é muito bom, mas concordo com muita gente que achou o estilo do painel simples demais. O ponto alto do design são as saídas de ar que lembram turbinas de avião. O revestimento emprega material macio ao toque, de boa textura. Mas realmente faltaram detalhes que transmitissem maior sofisticação ao interior.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

Dirigibilidade é o ponto alto

Se faltou um pouco de capricho no estilo, o mesmo não se pode dizer da tecnologia. Ela está por toda parte, caso da tecla Audi Drive Select, que permite ajustar o temperamento do carro a uma condução voltada para o conforto, economia ou esportiva. É possível alterar a suspensão, momento de troca de marchas e até a firmeza da direção. O volante tem apoios precisos para os dedos, e borboletas para trocas de marcha.

Em termos de equipamentos, tirando as falhas que apontei no começo (falta de sensores de estacionamento e câmera de ré), há pouco do que reclamar. Na lista dos itens de série estão bancos de couro (sintético) com ajustes elétricos no do motorista, tela retrátil no painel, ar-condicionado digital com regulagens individuais, teto solar, xenon, rodas aro 17, airbags frontais, laterais e de joelhos (motorista), etc. Como opcionais, estão somente GPS (com imagens do Google Earth e Street View, além de exibição 3D) e pintura metálica.

Apesar de ter a mesma distância entre-eixos do Sportback (2,64 m), o espaço atrás é um pouco limitado para pessoas de maior estatura. Não há muito espaço para pernas. Além disso, o túnel central é alto, e tende a atrapalhar o quinto ocupante.

Na estrada com o Audi A3 Sedan

A Audi ainda não fala sobre a chegada do motor 1.4, mas ela deve vir no decorrer deste ano. O ponto alto do 1.4 de 140 cv (há uma mais fraca, de 122 cv) é o sistema que desativa dois cilindros quando não há necessidade de muita força ou potência. Em baixo giro numa estrada, por exemplo, dois cilindros descansam, enquanto outra dupla dá conta do trabalho. É o dispositivo batizado de COD (cylinder on demand), já empregado pela marca nos motores maiores (linha S e RS).

Não há nada oficial ainda, mas é provável que esse motor ganhe tecnologia flex quando o Sedan receber cidadania brasileira. Afinal, a concorrente BMW largou na frente, com o 320i ActiveFlex, e a Audi vai precisar sair do prejuízo. O curioso é que este motor, apesar da cilindrada inferior, tem os mesmos 25,5 kgfm de torque do 1.8. Quando ele estiver disponível, o Sedan terá preço inicial abaixo de R$ 100 mil, como já ocorre com o Sportback (R$ 94.700).

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De acordo com a marca alemã, o Sedan irá representar de 60 a 70% das vendas totais da família A3, composta atualmente pelos modelos Sport e Sportback – três e cinco portas, respectivamente (falta o Cabriolet, que ainda não estreou aqui). Após a fase de importação, a partir do ano que vem o modelo começa a ser produzido no Brasil. Portanto, vá se acostumando com essa traseira, porque ela será cada vez mais vista por aí.

Por Hairton Ponciano Voz
Fotos Fabio Aro

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