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Na versão Power 1.6, Gol mostra que mudanças mantém interesse

Na versão Power 1.6, Gol mostra que mudanças mantém interesse

O ano de 2012 foi movimentado para os hatches compactos. Novos concorrentes como Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Toyota Etios foram alguns que entraram na briga. A Volkswagen, líder do segmento, achou melhor não ficar só olhando a movimentação dos adversários. Lançou em julho a primeira reestilização da atual geração do Gol – apresentada em 2008 – exatamente para combater essa nova investida.


Além de uma versão de duas portas – ainda inédita na atual fase do modelo – para encarar os modelos de entrada, o hatch também incorporou novos equipamentos para tentar ganhar competitividade também na parte superior da gama. Na versão Power 1.6, airbag duplo e ABS viraram itens de série e entre os opcionais aparecem um rádio mais completo, sensor de ré e até revestimento parcial dos bancos em couro.

Tudo isso ajudou na tarefa do Gol em se manter o carro mais vendido do país pelo 26º ano consecutivo. Algo importante quando se leva em conta que a concorrência aumentou – o que significa que o volume total de modelos vendidos foi dividido entre mais “players”. E ainda serviu para aumentar a média mensal de vendas do compacto. Antes da reestilização, até julho, o Gol vendia 22.300 unidades por mês. A partir de agosto, o número subiu para 26.600 exemplares, um acréscimo de quase 20% nas vendas. O face-lift ainda teve a sorte de vir na mesma época em que o mercado como um todo foi aquecido com as ações do Governo.

Na versão Power 1.6, Gol mostra que mudanças mantém interesse


Para conseguir esse expressiva aumento nas vendas, a Volkswagen foi discreta na reestilização do Gol. Bem no estilo “time que está ganhando não se mexe”, a marca alemã apenas atualizou o seu representante para uma briga que ganhou rivais bem modernos no último ano. Nos motores, por exemplo, mudanças – ainda que pequenas – só no 1.0. Ganhou novas válvulas e pistões, que ficaram mais leves e diminuiram o atrito interno.

A central eletrônica também é nova e aumenta o torque em giros médios. Apesar disso, os valores máximos de potência e torque continuam em 76 cv e 10,6 kgfm. No 1.6, tudo igual. Ou seja, 104 cv de potência a 5.250 rpm e 15,6 kgfm a 2.500 giros. A transmissão também é a mesma manual de cinco marchas – há ainda a opção do automatizado I-Motion, que também não recebeu alterações.

No visual, a Volks tinha que trazer o Gol à atual identidade visual da marca – não dava para manter justamente o campeão de vendas com uma “cara” diferente do resto da gama. Por isso, o compacto ganhou as tais linhas retas que estão desde o Fox até o Passat. Os faróis ficaram bem semelhantes ao já usado pelo Fox, enquanto as maiores inovações foram restritas à traseira, que ficou com ares do Polo europeu.

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Por dentro, o hatch também teve algumas melhorias. Caso do novo painel de instrumentos com iluminação branca, novos comandos e saídas de ar e reposicionamento dos botões da iluminação externa, que saíram da alavanca atrás do volante para o console – lugar padrão dos Volkswagen.

Nesta versão Power, airbag duplo e ABS já se tornaram itens de série. Mas o ar-condicionado ainda está na lista de opcionais – junto com rodas de liga leve, rádio, sensores de estacionamento, volante multifuncional e vidros traseiros elétricos. De fábrica, além dos itens de segurança, o hatch vem com direção hidráulica, faróis de neblina, banco do motorista com regulagem de altura e volante com ajustes de altura e profundidade.

Básico, o Gol Power custa R$ 39.150, conta que atinge R$ 47.888 com todos os opcionais. Os principais concorrentes são a nova leva de compactos que chegou nos últimos meses. Além do frescor da novidade, eles também conseguem até ser mais baratos que o hatch da Volkswagen. Mas o Gol conta com outros “trunfos” além dos óbvios em um automóvel.

Na versão Power 1.6, Gol mostra que mudanças mantém interesse

A imensa quantidade de concessionárias – são 619 lojas, a maior rede do país –, a alta capacidade produtiva da fábrica de Taubaté, em São Paulo, e a longa experiência de vendas no segmento – essencial na relação direta com o cliente – são detalhes que se mostram importantes na ferrenha briga dos compactos brasileiros. E que ajudam a explicar a ainda tranquila liderança do Gol.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 do Gol nem tem tanta potência assim, mas se dá bem pela oferta de torque em baixos giros. Já em 2.500 rpm o propulsor entrega sua força máxima, o que deixa o convívio mais amigável na cidade. Quando “cutucado”, o motor 1.6 também não se economiza no trabalho. Gira até rotações altas sem reclamar e tem comportamento suave, algo raro no segmento. O câmbio de cinco marchas da Volkswagen oferece engates suaves e precisos. Nota 8.

Estabilidade – O Gol é um carro com bom equilíbrio dinâmico e, dentro do seu segmento, é um dos mais acertados. A suspensão é mais voltada para a rigidez, o que significa que a carroceria rola pouco nas curvas e mantém o veículo sempre com boa estabilidade. Outro ponto positivo são os pneus 195/55, que dão aderência suficiente para um hatch compacto. Nota 8.

Interatividade – Talvez seja o quesito em que o Gol mais evoluiu na discreta reestilização do meio do ano passado. Os comandos do ar-condicionado ficaram mais fáceis de serem usados, assim como o comutador dos faróis, que foi para o painel em lugar bem prático. O quadro de instrumentos continua claro. A manopla do câmbio é nova e a transmissão manteve os engates corretos. A visibilidade também é satisfatória. A versão Power, a topo de linha da gama, ainda tem como opcional o novo rádio com simulação visual do sensor de estacionamento, algo que tem lá sua utilidade. Nota 8.

Consumo – O InMetro deu nota “B” para o Gol Power 1.6. De acordo com os dados do instituto, o compacto anotou média de 10,7 km/l na cidade e 13,7 km/h na estrada quando abastecido com gasolina. O computador de bordo foi mais “pessimista” e apontou 9,3 km/l e 11,2 km/l, respectivamente. Nota 7.

Conforto – O Gol não é dos carros mais espaçosos do segmento. Atrás, três adultos vão bem apertados em quase todas as dimensões. A suspensão também não ajuda muito na sensação geral de conforto. A escolha da Volks geralmente é por um acerto mais rígido, que privilegia a estabilidade, mas prejudica na hora de superar a buraqueira. Não chega a ser um conjunto desconfortável, mas também não permite ao motorista relaxar no cada vez mais caótico trânsito urbano. Nota 6.

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Tecnologia – Falta à lista de equipamentos de série um ar-condicionado, item esperado para um carro de mais de R$ 40 mil. No resto, o Gol Power 1.6 vai bem. A plataforma é de 2008 e traz boa rigidez, apesar de o habitáculo não oferecer muito espaço. O motor, mesmo sendo relativamente antigo, tem um desempenho que ainda agrada bastante. Nota 7.

Habitabilidade – Entrar e sair do Gol é uma tarefa simples. Lá dentro, o hatch também trata bem os ocupantes. O design interno “cria” muitos espaços para porta-objetos, principalmente na área à frente da alavanca de câmbio onde existem três espaços de tamanho considerável. O porta-malas leva 285 litros, volume bem de acordo com o que o segmento oferece. Nota 7.

Acabamento – Os encaixes na cabine do Gol até são bem feitos, sem rebarbas aparentes. Mas a sensação de extrema simplicidade aparece em muitos detalhes. O console central tem um visual um tanto banal e antiquado. Até existem elementos interessantes no acabamento, como o uso de tecido nas portas, o volante multifuncional e a inserção de black piano em volta do rádio. Nada que chegue realmente a conferir requinte. Nota 6.

Design – A Volkswagen introduziu sua identidade visual no Gol na última reestilização. Isso significa que o compacto recebeu faróis com contornos retos que terminam na grade com três frisos cromados. Atrás, as linhas redondas também foram abandonadas em favor de cortes mais abruptos. As lanternas ficaram semelhantes às do Polo europeu. O visual não desagrada, mas tamanha homogeneidade do design em todos os modelos da linha acaba se tornando meio “lugar-comum”. Nota 7.

Custo/benefício – O Gol está longe de ser um dos concorrentes mais novos na disputa dos hatches compactos nacionais, mas é dos mais caros. Para ficar bem equipado, o compacto da Volkswagen pula a R$ 47 mil, preço superior às versões “top” com cambio manual de Chevrolet Onix e Hyundai HB20, por exemplo. Apesar disso, mesmo depois de cinco anos, o conjunto do Gol ainda agrada. O motor é competente, assim como o comportamento em curvas. O interior demasiadamente simples e o preço elevado são os “gols contra”. Coisas que, aparentemente, não atrapalham as vendas do modelo. Nota 6.

Total – O Volkswagen Gol Power 1.6 somou 70 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Sem fugir à luta

Utilizar um “family face” em toda uma gama de veículos tem os seus pontos negativos. Claro que todos os carros se tornam fáceis de serem relacionados à sua respectiva marca nas ruas. Mas, ao mesmo tempo, tanta padronização tira a identidade de cada veículo. O Gol é um modelos que sofre disso.

Depois de sua recente reestilização, ele ficou muito parecido com Fox, que por sua vez lembra o Jetta, muito similar ao Voyage, que evoca o Passat, e assim por diante. É até um visual elegante e sóbrio, mas que se torna inexoravelmente “déjà vu” depois de tantas releituras.

Na versão Power 1.6, Gol mostra que mudanças mantém interesse

Ao menos, a renovação do Gol preservou seu competente conjunto dinâmico. Na versão Power, por sinal, não existiram alterações. O motor 1.6 agrada principalmente pela entrega de torque em giros médios. A 2.500 rpm, a força máxima do propulsor já está disponível. Isso significa que andar nas cada vez mais engarrafadas cidades, onde raramente se supera as 4 mil rotações, se torna uma tarefa menos entediante.

Outro ponto positivo é a suavidade com que o motor trabalha. Mesmo em regimes altos, próximos à faixa de limite, a vibração do motor não incomoda na cabine e o isolamento acústico também se mostra bastante eficiente. O câmbio manual de cinco marchas é mais um destaque graças às trocas suaves e extremamente precisas.

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O desempenho do hatch quando se encara uma sequência de curvas também agrada. Bem no estilo Volkswagen, a suspensão é ligeiramente rígida, o que diminui as rolagens de carroceria. Outro acerto é na escolha de pneus, item extremamente importante para a aderência. Eles são suficientemente largos para a proposta do carro e realmente favorecem em termos dinâmicos. Mesmo com cinco anos de mercado, o Gol continua como um dos compactos mais bem acertados quando o assunto é dirigibilidade.

Por dentro , o acabamento nem chega a ser dos piores – as peças são bem encaixadas e há até uma tentativa de passar alguma sofisticação com o uso de black piano. A Volkswagen fez pequenas alterações que melhoraram a vida à bordo, como os novos comandos e saídas de ar e comutador de faróis. Nada que mude a sensação de que falta um toque a mais de sofisticação ao interior do compacto.

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Ficha técnica – Volkswagen Gol Power 1.6

Motor: Bicombustível, 1.598 cm³, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência máxima: 101 cv e 104 cv a 5.250 rpm com gasolina e etanol.

Torque máximo: 15,4 kgfm e 15,6 kgfm a 2.500 rpm com gasolina e etanol.

Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,1 e 9,8 segundos com gasolina e etanol.

Velocidade máxima: 188 e 190 km/h com gasolina e etanol.

Diâmetro e curso: 76,5 X 86,9 mm. Taxa de compressão: 12,1:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. Traseira interdependente com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores pressurizados.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,65 m de largura, 1,46 m de altura e 2,46 m de distância entre-eixos.

Peso: 961 kg.

Capacidade do porta-malas: 285 litros.

Tanque de combustível: 55 litros.

Produção: São Bernardo do Campo/SP.

Lançamento: 2008. Reestilização: 2012

Itens de série: Airbag duplo, ABS, banco do motorista com regulagem de altura, faróis de neblina, vidros dianteiros elétricos e pré-disposição para rádio.

Preço: R$ 39.150.

Opcionais: Volante multifuncional, rádio/CD/MP3/USB/Bluetooth com sensor ótico de estacionamento, ar-condicionado, vidro elétrico nas quatro portas, rodas de liga leve e banco revestido parcialmente em couro.

Preço completo: R$ 47.888.

Por Auto Press

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