
A confiança nos quiosques de lanches das fábricas da Ford diminui entre funcionários que agora evitam as máquinas por receio de perder o emprego após uma compra comum.
Parte dos trabalhadores afirma que falhas nos terminais transformaram pagamentos aparentemente concluídos em acusações de retirada de alimentos sem pagar, seguidas por desligamentos imediatos.
A Ford e a Aramark, responsável pelo serviço de alimentação, revisam os sistemas depois que vários empregados contestaram as decisões tomadas a partir dos registros das máquinas.
Relatos obtidos pelo Detroit Free Press indicam que imagens de vigilância mostravam funcionários deixando os pontos de venda, embora algumas transações não aparecessem como finalizadas.
Pelo menos três trabalhadores da Michigan Assembly retornaram às suas funções depois que análises posteriores concluíram que eles não haviam agido de maneira irregular.
Nick Nabozny, funcionário da Ford há quase nove anos, ainda tenta recuperar sua vaga na unidade que fabrica a picape Ranger e o SUV Bronco.
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Segundo seu relato, ele passou um pacote de Doritos e biscoitos Ritz pelo leitor, aproximou o cartão de débito e ouviu o sinal habitual de confirmação.
O som levou Nabozny a acreditar que a compra estava concluída, mas a transação aparentemente não foi registrada até o fim pelo sistema do quiosque.
A direção informou depois que imagens mostravam o funcionário levando alimentos sem pagamento, embora ele sustente que nunca percebeu qualquer problema durante a operação.
Nabozny questionou por que colocaria em risco o próprio sustento e o de sua família por alguns produtos, especialmente diante da remuneração que recebia.
Seu salário era próximo de US$ 40 (R$ 203) por hora, e ele costumava aceitar turnos adicionais sempre que novas oportunidades apareciam.
Os rendimentos chegaram a US$ 89.000 (R$ 451.200) no ano passado, enquanto a projeção para este ano, incluindo horas extras, rondava US$ 125.000 (R$ 633.700).
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Nabozny afirma que não houve conversa prévia, conferência detalhada ou consideração sobre seus quase nove anos de trabalho antes da decisão de afastá-lo.
O episódio lembra a situação de Kurt Kromm, eletricista da Kentucky Truck Plant cuja história ganhou repercussão no mês passado por causa de um biscoito.
Kromm, que diz ter recebido mais de US$ 200.000 (R$ 1,014 milhão) no ano passado, perdeu a vaga após um registro indicar falha no pagamento.
O produto envolvido era um biscoito com gotas de chocolate de US$ 1,95 (R$ 10), embora ele garantisse ter quitado a compra em outro terminal.
Registros bancários apresentados posteriormente mostravam que a cobrança havia sido processada, levando a Ford a oferecer ao eletricista a possibilidade de retornar ao trabalho.
A proposta chegou tarde, pois Kromm já havia aceitado outra posição com remuneração superior e decidiu não retomar suas atividades na fábrica da montadora.
Brendan Fluker, funcionário da Michigan Assembly, afirma que os problemas são conhecidos há anos e incluem transações incompletas, cobranças duplicadas, telas travadas e comprovantes ausentes.
Segundo Fluker, algumas máquinas emitem o sinal sonoro típico de aprovação mesmo quando o pagamento não aparece depois nos registros internos do sistema.
A Ford informou ao Detroit Free Press que acompanha preocupações ligadas a um número limitado de casos e conduz a revisão junto da Aramark.
A cautela cresce entre os trabalhadores, e alguns preferem não usar mais os quiosques para evitar que uma compra rápida termine em uma disputa profissional.
