
Uma ordem interna transformou a escolha da travessia entre Detroit e Windsor numa questão trabalhista para parte dos caminhoneiros ligados à Stellantis.
Motoristas da FCA Transport foram orientados a evitar a nova ponte internacional Gordie Howe, sob risco de receber medidas disciplinares da empresa.
A determinação vale especificamente para profissionais representados pelo UAW Local 212, não abrangendo todo o transporte da Stellantis nem funcionários da fábrica de Windsor.
Esses caminhões deverão continuar usando a antiga Ambassador Bridge, localizada poucos quilômetros adiante sobre o rio Detroit, apesar da inauguração da nova ligação.
J.T. Barrett, presidente do UAW Local 212, explicou em uma publicação no Facebook que a FCA Transport mantém um contrato exclusivo com a Ambassador Bridge.

Pelo acordo, a operação paga US$ 160.000 (R$ 892.000) mensais e pode realizar uma quantidade ilimitada de travessias durante o período.
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Antes da assinatura, segundo Barrett, os pagamentos mensais superavam US$ 400.000 (R$ 2,23 milhões), dependendo do volume de caminhões enviados pela rota.
O contrato atual proporciona uma economia anual estimada em aproximadamente US$ 2,9 milhões (R$ 16,17 milhões) para a companhia.
Barrett alertou diretamente os integrantes do sindicato que o uso da Gordie Howe nos caminhões corporativos poderia resultar em consequências disciplinares.
O dirigente acrescentou que documentos preparados para a passagem tradicional também poderiam causar retenções alfandegárias caso o veículo seguisse pela nova ponte.

A publicação foi posteriormente removida, mas capturas da mensagem foram preservadas pelo site Automotive News Canada antes de ela desaparecer da rede social.
Comentários chegaram a ser desativados após usuários interpretarem a orientação como uma decisão ligada a interesses políticos, associação rejeitada pelo sindicato.
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O UAW Local 212 afirmou que a mensagem tratava exclusivamente das condições contratuais e das instruções destinadas aos motoristas representados pela entidade.
A FCA Transport precisa apresentar aviso prévio de 60 dias caso decida encerrar o acordo vigente com os responsáveis pela Ambassador Bridge.
Essa exigência ajuda a explicar por que a mudança de rota não pode ocorrer imediatamente, mesmo após a abertura de uma alternativa mais moderna.

A Stellantis declarou à CTV News que pretende utilizar a Gordie Howe International Bridge em suas operações industriais de produção sincronizada.
Esse sistema atende fábricas nos Estados Unidos e no Canadá, transportando peças dentro de prazos curtos para evitar grandes estoques nas unidades.
A empresa, porém, não informou quando começará a empregar a nova travessia nem confirmou se a autorização incluirá os veículos da FCA Transport.
A ponte Gordie Howe foi aberta oficialmente ao tráfego em 26 de julho, conectando a Interstate 75, em Michigan, à Highway 401, em Ontário.
O projeto surgiu inicialmente no começo dos anos 2000, mas sua construção efetiva começou somente em junho de 2018.
Veículos de passeio pagam US$ 5,75 (R$ 32) pela travessia, conforme o valor equivalente divulgado para quem utiliza a ligação internacional.
Caminhões e outros veículos comerciais têm tarifa de US$ 8,75 (R$ 49) por eixo, o que amplia o custo conforme a configuração utilizada.
A cobrança por passagem contrasta diretamente com o contrato de valor fixo mantido pela FCA Transport na antiga Ambassador Bridge.
Para a Stellantis, preservar esse acordo enquanto avalia a nova infraestrutura reduz despesas e evita mudanças imediatas na documentação usada pelos caminhões.
Para os motoristas envolvidos, porém, a abertura da Gordie Howe não significa liberdade de escolha, já que a rota continua definida pelas condições corporativas.
O episódio mostra como contratos, tarifas e procedimentos alfandegários podem limitar a adoção de uma infraestrutura recém-inaugurada, mesmo dentro de uma mesma operação industrial.
