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New Beetle: detalhes, anos, modelos, motores, consumo e ficha técnica

New Beetle: detalhes, anos, modelos, motores, consumo e ficha técnica

O New Beetle foi a segunda geração do Volkswagen Fusca (sucedido depois pelo chamado Novo Fusca) e permitiu ao fabricante alemão considerar a continuação do icônico besouro desenvolvido por Ferdinand Porsche nos anos 30.


Assim como o último Fusca clássico (Vocho), o modelo teve sua produção feita em grande parte no México, porém, iniciou-se em Wolfsburg, Alemanha, indo de 1997 a 1999. Ele foi ainda montado no Vietnã.

Seguindo as linhas do Beetle original, nome dado ao modelo do Käfer (na Alemanha) vendido nos EUA, o produto da VW teve uma longa trajetória de 22 anos de mercado internacional, visto que o Vietnã fez o modelo até 2019.

Bem diferente do Fusca clássico, o New Beetle usava plataforma do Volkswagen Golf e tinha motor dianteiro. Além disso, devido a sua grande área envidraçada e detalhes, como um vasinho de plantas, lhe conferiram críticas de que era muito feminino.

Nascido na era New Age, o produto não influenciou outros da gama global da VW, mas aproveitou a sinergia com o portfólio da Volkswagen. Ele teve ainda a primazia de ser fabricado ao mesmo tempo que o Vocho mexicano.

Apesar de ter sido lançado em 1997, ele só chegou ao Brasil dois anos depois. Por coincidência, o New Beetle começou a ser produzido no mesmo ano em que o Fusca Itamar deixou a linha de montagem da fábrica da Anchieta, no ABC paulista.

Como uma conexão espiritual entre as gerações, o modelo acabou originando um sucessor, com linhas mais masculinas e um desenho mais esportivo, que saudosamente trouxe de volta o nome Fusca ao Brasil.

Feito apenas em duas portas, como o clássico, ele tinha ainda a versão conversível e teve até tração nas quatro rodas. Feito em Puebla, abraçou a mesma tecnologia construtiva do Golf de quarta geração e de seu irmão Audi A3, ambos feitos aqui.

Não se sabe se a Volkswagen planejou ou considerou ter um terceiro modelo em São José dos Pinhais-PR, mas o New Beetle poderia ter sido feito aqui a partir da mesma época da dupla e apenas dois anos depois do Fusca Itamar.

A possibilidade técnica havia, uma vez que compartilhava a mesma plataforma e motores, no caso iniciando ou mantendo-se de começo apenas com o EA111 1.6 8V de 101 cavalos e 14,3 kgfm, abastecido apenas por gasolina.

Saudosismo à parte e longe de termos um New Beetle nacional (provavelmente mantendo o nome Fusca), a Volkswagen lembrou-se do país onde ergueu sua primeira fábrica fora da Alemanha e onde fez o besouro a partir de 1959.

Chegando aqui em 2007, o modelo teve apenas uma única motorização e, em termos básicos, equivalia ao Volkswagen Bora, também importado do México.

Atualmente, o New Beetle é facilmente encontrado no mercado de carros usados e com unidades em boas condições, por preços em torno de R$ 30.000. Bem individualista, o modelo teve transmissão manual ou automática.

Seu motor 2.0 8V é valente e robusto, produzindo bom torque em rotação quase que de motor turbinado. Faltaram outras opções, como um 1.6 mais barato ou mesmo um cinco cilindros em linha 2.5 de 150 cavalos, o mesmo do “Jettão”.

Não tivemos também o conversível, o que foi uma pena, mas lá fora o New Beetle teve várias versões e séries especiais, algumas delas bem interessantes. Lá fora, ele teve 14 opções de motor a gasolina e 4 abastecidas com diesel.

O besouro da nova era nunca recebeu uma variante elétrica e muito menos híbrida, nem mesmo como conceito, refletindo uma época em que isso ainda não era prioridade para a marca, embora seu sucessor fosse um dos culpados pela mudança.

De estilo retrô e muita simpatia, a segunda geração do Fusca era bem equipada e tinha um desempenho bom para sua proposta, entregando 116 cavalos e 17,4 kgfm a 2.400 rpm.

Com bom espaço interno, o New Beetle sofria com seu design oriundo dos anos 30, tendo apenas 214 litros no porta-malas e coeficiente aerodinâmico sofrível com elevados 0,38 de cx.

Ainda que o projeto tivesse limitações, o modelo de porte médio era um carro mais voltado para solteiros ou casais com filhos pequenos, nunca tendo existido uma versão com quatro portas, aliás, em nenhuma das gerações do Fusca.

New Beetle a origem

New Beetle: detalhes, anos, modelos, motores, consumo e ficha técnica

O projeto do New Beetle surgiu no início dos anos 90 e a ideia era dar continuidade ao Typ 1, que é o codinome industrial do Fusca clássico. Para isso, a VW escolheu o centro de pesquisa e desenvolvimento de produto da Califórnia.

O motivo era que o Beetle original fizera sucesso por lá, sendo um dos carros mais cultuados dos EUA nos anos 50 e 60, ao lado da Kombi (Bus), Karmann-Ghia e o buggy de Meyer-Manx, isso sem contar o Porsche 356.

Com esse legado alemão de cultura e popularidade, bem como de desempenho, o Beetle deixou um rastro de saudosismo nos americanos que buscavam algo mais que o tradicional, recorrendo ao pouco em busca do muito.

Dessa forma, não era necessário ter um V8 e 5,5 m de comprimento para ser feliz ao volante de um carro atraente por suas formas disruptivas, mecânica simples e estilo de vida despojado, sem os excessos da vida americana.

Assim, o Beetle criou raízes nos EUA, embora nunca tenha sido feito lá. Partindo de seu legado cultural, a VW recrutou seus designers J. Mays e Freeman Thomas para um Fusca do futuro.

New Beetle: detalhes, anos, modelos, motores, consumo e ficha técnica

Para dar alma ao carro, eles usaram a plataforma do Polo de terceira geração para criar o veículo, que obrigatoriamente deveria ter o desenho básico criado por Ferdinand Porsche.

Mostrado em Genebra como um conceito conversível, no salão de 1994, ganhou a carroceria cupê no segundo protótipo, apresentado em 1995, no Salão de Tóquio. Com boa recepção por parte do público, a Volkswagen deu sinal verde para o projeto.

Nesse caso, o New Beetle nasceu de uma gestação que durou 22 meses e foi iniciada a pré-produção em 1997. O nome do produto final, que teve a participação de Peter Schreyer, hoje vice-presidente da Hyundai-Kia, que foi fundamental.

Com contornos suaves, o modelo tinha frente em cunha e capô curvado, assim como linhas que delineavam os para-lamas dianteiros e traseiros. Os faróis eram obrigatoriamente circulares e lente simples ou com projetor destacado.

O capô curvado tinha o logotipo da VW, mas não havia grade superior. Parecendo mais um carro elétrico, o New Beetle contava com uma grade retangular na base do para-choque baixo, que trazia piscas e luzes de posição, impostas nos EUA.

Havia ainda faróis de neblina, mas somente após o facelift. O teto era curvado e a área envidraçada era digna de uma minivan, tendo ainda linha de cintura reta e arco do teto em semicírculo quase perfeito.

O teto, para-brisa e vidro traseiro eram curvados no topo, ampliando ainda mais o volume interno. Na traseira, o New Beetle tinha os para-lamas destacados, assim como lanternas circulares bicolores e bocal de abastecimento logo acima.

A tampa traseira era integrada à vigia, que não tinha limpador ou lavador, mas vinha com desembaçador. O para-choque era volumoso e tinha suporte de placa com iluminação da mesma nas laterais.

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Luzes de neblina e de ré ficavam mais abaixo no protetor. O New Beetle ainda reproduzia em parte os clássicos estribos nas laterais da carroceria, conectando os para-lamas. Os retrovisores eram fixos nas colunas A e as maçanetas normais.

No New Beetle Cabriolet ou Convertible (EUA), lançado em 2003, a linha de cintura era ampliada até a traseira, curvando-se suavemente para cima. Sem molduras nas janelas, ele tinha capota em tecido com acionamento elétrico.

Os vidros traseiros também tinham acionamento elétrico, diferente do cupê. Além disso, o conversível tinha duas barras retráteis anticapotamento, que eram acionadas quando o sistema detectava que o carro estava em ângulo lateral excessivo.

Assim como a capota de tecido podia ter opção de cores, o interior do New Beetle também. Como um lounge, o habitáculo tinha um painel baixo e com cluster circular, onde cabia um velocímetro em milhas e/ou quilômetros por hora.

Logo abaixo ficavam os menores conta-giros e nível de combustível, tendo ainda um display digital com computador de bordo. Já provido de airbag duplo, o carro tinha volante de três raios e ajuste em altura, além de revestimento em couro.

New Beetle: detalhes, anos, modelos, motores, consumo e ficha técnica

O console central tinha ao lado um pequeno vasinho para flores, um acessório que existiu no Beetle clássico. O rádio era tipo 1din, mas integrado em desenho e com toca-fitas ou CD player, enquanto o ar condicionado era manual.

Tal como no Fusca original, o modelo tinha uma alça fixa, que ficava entre o airbag do passageiro e porta-luvas. No túnel, havia um porta-copos duplo e a alavanca de câmbio, com o Tiptronic tendo seletor tipo escada.

Nas portas, a VW deixou a parte superior na lataria do carro, reproduzindo a cor externa. Havia alças flexíveis como puxadores, remetendo ao clássico, além de botões verticais para os vidros elétricos, apesar das maçanetas serem do Golf.

Numa delas ficava o ajuste dos espelhos retrovisores externos elétricos, mas as portas tinham porta-revistas com rede em alusão ao passado. Com bancos dianteiros de efeito memória, o acesso à traseira era ruim.

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O banco traseiro tinha espaço para apenas duas pessoas, mas tinha cintos completos, assim como os devidos apoios de cabeça. Na frente, o banco do motorista tinha ajuste em altura e o apoio de braço central era retrátil e com porta-objetos.

Havia opção de teto solar, que era semi-panorâmico e de acionamento elétrico, mas com vidro que se projetava para fora. Um facelift adicionou uma grade inferior maior, assim como faróis de neblina, lanternas remodeladas e novos protetores.

Com alvo no mercado europeu e norte-americano, a VW decidiu produzi-lo inicialmente em Wolfsburg, local de nascimento do Fusca, mas a operação durou apenas dois anos.

Na produção mexicana, ele ganhou o conversível em 2003 e continuou a ser feito até 2011, quando a VW transferiu peças e componentes para a produção em CKD no Vietnã, que durou até 2019.

New Beetle e seus motores

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O New Beetle chegou ao mercado europeu com uma gama de motores extensa, mas sua plataforma tinha identificação diferenciada para cada variante.

O modelo feito na Alemanha era o Typ 9C, enquanto o mexicano era o Typ 1C, com o conversível sendo o Typ 1Y. Em 1998, ele chegou ao mercado europeu com motor EA113 1.8 20V Turbo de 150 cavalos.

Além desse, havia ainda o 2.0 8V com 116 cavalos e o diesel 1.9 TDI de 90 cavalos. Logo depois, o modelo adicionou o 1.6 8V de 101 cavalos, sendo que este e o 2.0 foram introduzidos no Brasil na mesma época, mas com Golf e A3.

Em 2000, o New Beetle ganhou o motor VR5 2.3 com 170 cavalos e 22,4 kgfm. Esse propulsor deu ao carro uma excelente performance, sendo usado no modelo vendido na Europa até 2005.

Na mesma época, surgiu o insano New Beetle RSi, que vinha com o VR6 3.2 de 225 cavalos e 32,6 kgfm, tendo uma caixa manual de seis marchas e tração nas quatro rodas, sendo relatado que a suspensão teria sido preparada pela Porsche.

Foram 250 unidades dessa versão, que tinha escape Remo, rodas aro 18 da OZ, bancos esportivos da Recaro e pacote aerodinâmico em fibra de carbono. Ele foi o mais poderoso da gama do New Beetle.

Já no diesel, recebeu ainda um 1.9 TDI de 101 cavalos e dois com 105 cavalos, além de um 1.4 16V de apenas 75 cavalos. Mas, para o mercado americano, a VW colocou o cinco cilindros em linha 2.5 aspirado com 150 cavalos, em 2006.

New Beetle lançamento no Brasil

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Com o último Fusca sendo feito em 1996, a Volkswagen ficou anos sem emplacar seu sucessor, mesmo com o New Beetle sendo produzido no México desde 1998. Assim, em 1999, o modelo chegou com o propulsor EA113 2.0 8V.

Ele trazia um bloco de ferro fundido com cabeçote de alumínio com duas válvulas por cilindro, tendo injeção eletrônica multiponto e entregando 116 cavalos a 5.200 rpm e 17,3 kgfm a 2.400 rpm.

Na época, o câmbio era manual de cinco marchas e havia opção automática com quatro marchas, sem o sistema Tiptronic, usando assim a mesma caixa do Golf, por exemplo. Isso só reforçava a semelhança com o hatch médio nacional.

Além disso, o New Beetle tinha rodas aro 15 polegadas em liga leve com pneus 195/65 R15. Ainda sem facelift, media 4,08 m de comprimento e tinha como opcionais teto solar elétrico, bancos e volante em couro e o câmbio automático.

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Depois de um facelift em 2006, apenas os dois primeiros eram opcionais, visto que existiam as versões manual e automática, sendo que essa última chegou com Tiptronic e seis marchas em 2008.

Já em modificações mínimas, o New Beetle adicionou rodas de liga leve aro 16 polegadas com pneus 205/55 R16. Com essa mecânica, o cupê ia de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos e com máxima de 185 km/h no manual.

No caso do automático de seis marchas, o modelo fazia o mesmo em 12,9 segundos e com máxima em 182 km/h. O consumo no manual era de 9 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada, enquanto o automático fazia 7,5/10,3 km/l.

Em 2011, a Volkswagen deixou de vender o New Beetle no Brasil, após 12 anos de mercado e com apenas uma mudança mecânica, a troca do automático de quatro marchas pelo de seis velocidades.

Sucessor e o futuro

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Novo Fusca

No mês de novembro de 2012, a VW trazia a terceira geração do Fusca (sucessor do New Beetle), agora com o nome que aqui surgiu como apelido e que a marca adotou no conhecido “Itamar”, em alusão ao presidente do Brasil.

O Novo Fusca, como ficou mais conhecido, desembarcou do México sobre a plataforma PQ35, a mesma do Jetta da época e com porte maior, além de musculoso. Mais baixo, tinha linha de cintura alta e portas sem molduras.

Mais um cupê que o sedã original, o Novo Fusca era bem mais moderno, mas aqui foi vendido apenas como cupê, tal como o New Beetle. Já a mecânica mantinha um 2.0, mas nesse caso era o 2.0 TSI com 200 cavalos e 28,5 kgfm.

O bom disso é que veio com a opção manual de seis marchas, que custava R$ 76.600. Já a versão com transmissão automatizada de dupla embreagem DSG de seis marchas, saía por R$ 80.990.

New Beetle: detalhes, anos, modelos, motores, consumo e ficha técnica

Com este último, que era mais rápido que o manual, o Novo Fusca “voava” de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e com máxima de 210 km/h. Rapidamente o carro chamou a atenção do mercado.

No México, lançado um ano antes, o modelo passou a ser chamado simplesmente de Beetle e centrava sua atenção nos EUA com o motor 2.5 de cinco cilindros, mas com 170 cavalos.

Por lá, ele teve versão conversível e séries especiais, incluindo opção de roda cromada “Disc” que remetia ao passado e deixava o carro bem chamativo. Tinha bancos e interior em couro de diversas tonalidades, combinando com a capota.

Também foi vendido com o polêmico 2.0 TDI e participou do Dieselgate, tendo várias unidades estocadas em aeroportos, estádios e até em uma base aérea abandonada. Não há sucessor adiante, mas o New Beetle pode voltar elétrico com a MEB.

Ficha técnica

Motor2.0
Tipo
Número de cilindros4 em linha
Cilindrada em cm31984
Válvulas8
Taxa de compressão10,3:1
Injeção eletrônicaIndireta Flex
Potência máxima116 cv a 5.200 rpm (gasolina)
Torque máximo17,4 kgfm a 2.400/3.200 rpm (gasolina)
Transmissão
TipoManual de 5 marchas ou automática de 6 marchas
Tração
TipoDianteira
Direção
TipoHidráulica
Freios
TipoDiscos dianteiros e traseiros
Suspensão
DianteiraMcPherson
TraseiraEixo de torção
Rodas e Pneus
RodasLiga leve, aro 16 polegadas
Pneus205/55 R16
Dimensões
Comprimento (mm)4.129
Largura (mm)1.721
Altura (mm)1.498
Entre eixos (mm)2.515
Capacidades
Porta-malas (L)214
Tanque de combustível (L)55
Carga (Kg)464 (MT) 450 (AT)
Peso em ordem de marcha (Kg)1.246 (MT) 1.280 (AT)
Coeficiente aerodinâmico (cx)0,38

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Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

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