
Fábricas alemãs que já trabalharam no limite na China agora passam mais da metade do tempo sem utilizar plenamente sua capacidade produtiva.
Uma projeção preparada pela consultoria Mobility Global para a Automobilwoche mostra a dimensão da perda de espaço enfrentada por Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volkswagen.
As unidades operadas por joint ventures dessas fabricantes funcionaram abaixo de 50% da capacidade durante 2025, segundo os dados apresentados.
A estimativa indica nova redução para 46% neste ano, seguida por uma queda adicional até 44% em 2030. Os chineses simplesmente não se importam mais com os luxuosos alemães.
O contraste com 2010 é expressivo, pois naquele período essas mesmas operações conjuntas normalmente trabalhavam próximas de sua capacidade máxima.

A mudança revela a velocidade com que os automóveis alemães perderam muito a preferência entre consumidores chineses nos últimos anos.
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Compradores locais demonstram interesse crescente por marcas nacionais, especialmente fabricantes de EVs que oferecem tecnologia, conectividade e preços ajustados ao mercado chinês.
A divulgação ocorre poucos dias depois de informações indicarem que a Mercedes-Benz pode ter interrompido temporariamente a produção do CLA elétrico de entre-eixos longo.
Embora essa paralisação ainda não defina sozinha o desempenho da marca, ela reforça a dificuldade de manter linhas de montagem ocupadas.
A Volkswagen já tomou medidas mais profundas e encerrou as atividades de sua fábrica em Nanjing, administrada em parceria com a SAIC.

A empresa também vendeu a unidade localizada em Urumqi, reduzindo uma estrutura criada durante os anos de maior domínio estrangeiro na China.
BMW e Mercedes-Benz descartam oficialmente o fechamento de fábricas, mas fontes apontam que ambas avaliam ajustes operacionais em suas instalações.
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Fábricas alemãs na China com ociosidade afetando Audi, BMW e Mercedes: qual impacto pesa mais
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Essas mudanças podem envolver redução de turnos, reorganização de linhas e adaptação do volume produzido à procura atualmente registrada.
O problema não atinge somente empresas estrangeiras, pois a própria indústria automotiva chinesa também convive com elevado nível de capacidade ociosa.
A Mobility Global prevê uma utilização média próxima de 55% para todo o setor automotivo do país em 2026.
Esse índice fica muito abaixo dos aproximadamente 90% registrados em 2010, quando a expansão acelerada sustentava volumes maiores nas fábricas.
Fabricantes chinesas respondem ao excesso de capacidade ampliando rapidamente os embarques para outros mercados e buscando compradores fora do país.
As exportações devem alcançar 10 milhões de veículos neste ano, avanço considerável diante dos sete milhões registrados no ano passado.
Essa saída permite ocupar parte das linhas domésticas e distribuir a produção entre América Latina, Europa, Ásia e outras regiões.
Ao mesmo tempo, marcas chinesas usam a forte procura internacional para construir fábricas fora de seu território de origem.
Espanha e Hungria aparecem entre os destinos escolhidos para novas instalações voltadas à produção de veículos destinados ao mercado europeu.
A fabricação local ajuda a evitar tarifas, aproxima os produtos dos consumidores e reduz riscos ligados a disputas entre governos.
Enquanto grupos tradicionais enfrentam capacidade ociosa dentro e fora da China, concorrentes locais aceleram investimentos em mercados considerados estratégicos.
A diferença mostra que a questão não envolve apenas vender menos carros, mas perder relevância justamente onde as fabricantes alemãs dominaram durante décadas.
Recuperar esse espaço exigirá produtos mais alinhados às preferências chinesas, ciclos de desenvolvimento menores e uma estrutura industrial compatível com a nova demanda.
