Nissan fecha Oppama em 2027 e reorganiza produção entre Fukuoka e Tochigi para manter no Japão capacidade próxima de 1 milhão de carros

Minivan Nissan marrom vista de frente em uma estrada, com vegetação e uma barreira lateral ao fundo.
A Nissan redistribuirá a produção das minivans Serena e Elgrand entre as fábricas japonesas de Fukuoka e Tochigi.

A reorganização industrial da Nissan no Japão vai redistribuir modelos entre fábricas para preservar capacidade doméstica próxima de 1 milhão de veículos mesmo após o fechamento de uma unidade.

A montadora informou nesta quinta-feira que transferirá a produção de duas minivans atualmente fabricadas em Fukuoka para a unidade de Tochigi ao longo de dois a três anos.

A medida faz parte de uma reestruturação mais ampla que inclui o encerramento da fábrica de Oppama, na província de Kanagawa, ao fim do ano fiscal de 2027.

Esse complexo integra o plano mundial da Nissan para reduzir sua estrutura industrial, que prevê mudanças envolvendo sete unidades de montagem de veículos em diferentes mercados.

Sem Oppama, a capacidade produtiva própria da Nissan dentro do Japão deverá cair para aproximadamente 800.000 unidades anuais, segundo os números apresentados pela empresa.

Nissan Elgrand marrom vista de trás e de lado, estacionada diante de uma área gramada.
A Nissan Elgrand deixará a unidade de Fukuoka e passará a ser produzida na fábrica de Tochigi.

Ao incluir os veículos fabricados por meio da Mitsubishi Motors, porém, a capacidade doméstica associada à Nissan continuará próxima da marca de 1 milhão de unidades.

Entre os modelos envolvidos na reorganização está a Serena, minivan média atualmente montada pela subsidiária Nissan Motor Kyushu, localizada na província de Fukuoka.

A Elgrand, minivan de luxo produzida pela Nissan Shatai Kyushu, também deixará Fukuoka e passará a ser fabricada na unidade de Tochigi.

A fábrica de Tochigi ainda receberá outros produtos importantes, incluindo o esportivo Skyline previsto para chegar neste inverno, além do Leaf e de outros EVs.

Segundo a Nissan, essas transferências de capacidade não provocarão alterações no número de funcionários, apesar da redistribuição considerável de modelos entre as instalações japonesas.

Interior de veículo Nissan com volante à direita, painel digital, tela central e iluminação azul.
A fábrica de Tochigi também receberá outros modelos da Nissan, incluindo o Leaf e o Skyline previsto para este inverno.

A Nissan Motor Kyushu seguirá responsável pelo X-Trail, SUV comercializado como Rogue nos Estados Unidos, e ainda absorverá parte da produção atualmente concentrada em Oppama.

Entre esses novos produtos estarão o compacto Note e o SUV Kicks, além de outros modelos que serão direcionados para Fukuoka depois da desativação da unidade de Kanagawa.

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Já a Nissan Shatai Kyushu continuará concentrada em veículos maiores, entre eles o Patrol, SUV que registra demanda elevada principalmente nos mercados do Oriente Médio.

Os níveis de utilização ajudam a explicar essa redistribuição, pois a fábrica de Tochigi funcionou com uma taxa estimada de apenas 15% em 2025, segundo a MarkLines.

A Nissan Motor Kyushu, em comparação, apresentou utilização de 61% naquele mesmo período, indicando uma diferença expressiva entre a carga industrial das duas instalações.

O contraste é ainda maior na Nissan Shatai Kyushu, que opera a 109% da capacidade graças ao ritmo elevado das exportações do Patrol.

A subsidiária inclusive passou de dois turnos para um sistema de três turnos funcionando continuamente ao final de 2025 para acompanhar esse volume de produção.

A chegada de modelos antes produzidos em Oppama aumentaria ainda mais a pressão sobre as fábricas de Fukuoka, motivo pelo qual as minivans serão concentradas em Tochigi.

Essa redistribuição também acompanha a nova estratégia de famílias de produtos da Nissan, que reúne modelos com estruturas e componentes básicos compartilhados durante o desenvolvimento.

Nos Estados Unidos, a fábrica de Canton, no Mississippi, está prevista para funcionar como centro produtivo da família de veículos de maior porte dentro dessa nova organização.

A Nissan Motor Kyushu, por sua vez, será posicionada como polo da série de veículos compactos, enquanto uma terceira família de produtos ainda será anunciada pela companhia.

A meta é fazer com que essas três categorias cubram 80% das vendas globais, simplificando desenvolvimento e produção ao redor de conjuntos técnicos compartilhados.

Mesmo preservando capacidade doméstica próxima de 1 milhão de veículos, a Nissan produziu cerca de 700.000 unidades no Japão no último ano fiscal, incluindo volumes da Mitsubishi.

A produção japonesa chegou a superar 1 milhão de veículos no ano fiscal de 2016, mas permaneceu abaixo desse patamar nos anos seguintes.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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