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No Brasil, a segurança automotiva mais uma vez preocupa

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Se a preocupação com a segurança na Austrália é grande, imagine então no Brasil? Não, não é maior do que lá, mas deveria ser. O país tornou itens como airbag duplo e ABS obrigatórios a partir de 2014, extinguindo assim apenas três modelos nacionais. No entanto, como já era demonstrado por testes de segurança em carros chineses, ter apenas airbag duplo e ABS não significam que um carro é de fato seguro como se deve.

Uma das questões sobre a instabilidade estrutural de nossos carros está relacionada com o custo de produção e seu processo industrial. Esse assunto já vem sendo abordado aqui no NA há bastante tempo e não deixa de ser um tema atual. Afinal, parece que pouca coisa mudou após o recente teste de impacto lateral do líder de mercado, o Chevrolet Onix.

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O processo de nacionalização de alguns modelos, por exemplo, envolve a redução de custos no emprego de materiais desde encostos de cabeça e espuma dos bancos até tipo de solda, espessura das chapas de aço da carroceria e pré-tensionadores dos cintos de segurança. Essa realidade não é apenas brasileira.

Um exemplo é o Renault Kwid na Índia, onde os custos precisam ser muito baixos para que o carro tenha um preço acessível, dado o baixo poder de compra do consumidor local. Para se obter isso, sacrificou-se a estrutura do carro, que resultou em um teste igualmente catastrófico. Aqui, o mesmo modelo deverá receber reforços tão significativos que seu peso será bem maior, além de ganhar airbags laterais para ampliar a proteção.

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Mas, há algo muito importante neste caso do Kwid. A Renault atende à legislação nos dois países. Sim, os governos é que permitem que a indústria tenha um nível mínimo de proteção. No entanto, esse nível de segurança varia de país para país e o custo, assim como ele, também. Outro detalhe interessante, neste exemplo, é que após críticas, o fabricante reforçou a estrutura do produto, que resultou e maior proteção.

Quanto maior a proteção, maiores são os custos de produção. Isso também exige um processo industrial mais moderno, complexo e caro. Um alvo que a chamada Indústria 4.0 quer atingir por aqui. Afinal, qualidade sem segurança não será aceita em mercados consolidados. Os fabricantes, por sua parte, atendem ao que a lei permite que se faça. Mas, a concorrência faz com que alguns deles invistam mais na segurança, pois o consumidor já considera esse assunto como muito importante na hora de decidir a compra.

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Não é de forma geral no Brasil, mas a questão ganha cada vez mais espaço com o passar do tempo, dos testes do Latin NCAP (e de outros NCAPs, NHTSA e IIHS divulgados pela imprensa especializada) e da concorrência, que promove seus modelos de maior destaque em segurança na mídia. Se em 1995 nenhum fabricante europeu queria pensar no Euro NCAP, agora todos querem ostentar as cinco estrelas nos vidros de seus carros.

Nos EUA, a NHTSA já possui um dos testes mais rigorosos, mas mesmo assim, passar por ela e não pelo IIHS, significa ter problemas comerciais no mercado americano. A influência desses dois institutos nas vendas de carros é enorme, não só no aspecto da segurança em si, mas da reputação do fabricante perante à opinião pública. Isso será ainda mais importante com a condução autônoma e o compartilhamento de veículos, visto que muitos que não dirigem passarão a observar também tais resultados.

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Voltando para a realidade brasileira, a “adequação às normas de segurança veicular decorrentes de lei e da legislação brasileiras” e o atraso dessa última em relação ao que realmente é preciso para que os carros sejam de fato seguros, torna a situação bem perigosa para motoristas, passageiros e terceiros no Brasil. Todos têm responsabilidade e a máxima de que “entregamos o que os clientes querem” não cola, já que os que compram, o fazem porque querem, mas porque não podem pagar mais por isso.

Ainda assim, não adianta culpar apenas o fabricante, que joga com a cartilha das regras na mão, mas começar a mudar essa realidade perigosa a partir de cima, de quem tem o poder de mudar o jogo. Cabe também ao consumidor tomar para si parte desse poder e deixar de lado o desejo puro e simples na hora da compra, começando a pensar racionalmente. Ninguém quer bater o próprio carro, mas devemos lembrar que existem os outros… E mais, que dentro do carro muitas vezes não estamos sozinhos.

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