No começo, os ingleses chamavam o Jaecoo 7 de “Range Rover da Temu”, mas agora eles estão pagando a língua

SUV Jaecoo 7 HS branco com teto preto, visto de frente, com gramado ao fundo e marca d’água Notícias Automotivas.
O modelo da Chery já havia liderado os emplacamentos britânicos em março e recuperou a primeira posição em setembro.

As fabricantes chinesas conquistaram um novo marco no Reino Unido em setembro, mês no qual quase um de cada quatro carros novos vendidos pertenceu a essas marcas.

O principal destaque foi o Jaecoo 7, que recuperou a posição de automóvel novo mais vendido do país depois de superar concorrentes tradicionais.

Segundo dados da Society of Motor Manufacturers & Traders, mais de 10.800 unidades do modelo foram registradas durante setembro, ficando à frente de Ford Puma e Kia Sportage.

Considerando também produtos como o Jaecoo 8, lançado neste ano, a marca chinesa alcançou participação de 4,3% no mercado britânico durante o mês.

O Jaecoo 7 já havia liderado os emplacamentos em março, mas perdeu a primeira colocação nos meses seguintes antes de retornar ao topo em setembro.

SUV Jaecoo 7 branco com teto preto, visto pela traseira e pela lateral, em uma área pavimentada com árvores ao fundo.
Conhecido nas redes sociais como “Temu Range Rover”, o Jaecoo 7 ajudou a impulsionar a presença chinesa no mercado britânico.

Produzido na China pela Chery Automobile, o modelo chegou às concessionárias britânicas há menos de dois anos e rapidamente ganhou presença nas ruas.

Disponível com motor a combustão ou conjunto híbrido plug-in, o SUV parte de aproximadamente £30.000 (R$ 206.700) no mercado britânico.

Nas redes sociais, o desenho e o posicionamento de preço renderam ao Jaecoo 7 o apelido de “Temu Range Rover”, referência ao marketplace chinês de baixo custo.

O avanço, entretanto, vai muito além de um único modelo, pois as marcas chinesas somaram expressivos 23% das vendas de automóveis novos britânicos em setembro.

A BYD aparece entre os principais nomes desse grupo e respondeu sozinha por quase 6% dos registros realizados no Reino Unido durante o período.

Interior de um Jaecoo, com volante, painel digital e tela central vertical exibindo menus e textos em chinês.
No Reino Unido, o Jaecoo 7 é vendido com motor a combustão ou conjunto híbrido plug-in, opção voltada também a quem ainda não migrou para um elétrico.

A situação britânica também difere da encontrada na União Europeia, onde EVs importados da China estão sujeitos a tarifas adicionais aplicadas pelo bloco.

Os híbridos plug-in chineses ainda não recebem a mesma tributação europeia, embora exista a possibilidade de regras semelhantes serem adotadas futuramente.

O Reino Unido também poderá precisar implementar tarifas equivalentes caso queira receber tratamento semelhante dentro das exigências europeias de conteúdo local, segundo um executivo da Nissan.

Victor Zhang, diretor-gerente de Jaecoo e Omoda no Reino Unido, afirmou que eventuais tarifas não mudarão os planos de investimento das marcas pertencentes à Chery.

O executivo também mencionou um memorando de entendimento com a Nissan para avaliar a possibilidade de produzir veículos da Chery na fábrica de Sunderland.

A instalação pertence à fabricante japonesa e atualmente é considerada a maior fábrica de automóveis existente em território britânico.

Setembro possui importância especial para o mercado local porque coincide com a emissão de novas placas de registro, tradicionalmente elevando a procura por veículos.

O mesmo fenômeno acontece em março, fazendo desses dois meses períodos particularmente relevantes para avaliar o desempenho comercial das fabricantes no Reino Unido.

A estratégia da Chery no país permanece fortemente concentrada nos híbridos plug-in, opção direcionada a compradores que ainda demonstram receio de migrar totalmente para EVs.

As preocupações estão ligadas principalmente à infraestrutura de recarga ainda irregular, enquanto apenas uma pequena parcela das vendas da empresa corresponde atualmente a EVs.

Quase um quarto das unidades comercializadas pela Chery no Reino Unido ainda utiliza exclusivamente motores a combustão, segundo os dados apresentados.

A Tesla também apresentou números relevantes em setembro enquanto continua recuperando terreno depois da queda registrada pela fabricante durante o ano passado.

A empresa comandada por Elon Musk respondeu por 4,5% do mercado britânico de carros novos no mês, com quase 16.000 unidades comercializadas.

Os números de setembro reforçam como fabricantes chinesas deixaram de ocupar uma posição secundária e passaram a disputar diretamente espaço com marcas tradicionais no mercado britânico.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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