
Sete modelos superaram simultaneamente a marca de 1.000 unidades mensais na Austrália, sinalizando uma transformação profunda na origem dos EVs vendidos no país.
Todos pertencem a fabricantes chinesas ou saem de fábricas instaladas na China, inclusive o Tesla Model Y que lidera o levantamento.
Segundo análise sobre os registros de junho, apenas um ou dois EVs costumavam ultrapassar 1.000 unidades mensais anteriormente.
Esse grupo normalmente incluía Tesla Model Y, Model 3 ou BYD Sealion 7, mas agora cinco lançamentos chineses também alcançam esse patamar.
O Model Y ocupa a primeira posição com 8.072 unidades, seguido pelo BYD Sealion 7, que registra 4.730 exemplares.

O BYD Atto 2 aparece em terceiro com 2.482 unidades, enquanto o Geely EX5 soma 2.303 carros registrados durante o mês.
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Logo depois surgem Omoda Jaecoo J5, com 2.096 unidades, Zeekr 7X, com 1.868, e MG4 Urban, com 1.015.
Já o Tesla Model 3, presença recorrente entre os primeiros colocados, cai para a 12ª posição no mercado australiano de EVs.
BYD, Geely, Omoda Jaecoo e Zeekr possuem origem chinesa, enquanto a tradicional marca britânica MG pertence à chinesa SAIC desde 2007.
A Tesla é a única marca não chinesa entre as sete primeiras, mas seus automóveis vendidos na Austrália também são produzidos em Xangai.
A unidade chinesa abastece mercados com direção do lado direito na Austrália, Nova Zelândia e demais países da região Ásia-Pacífico.
Model Y e Model 3 chegam de Xangai desde 2022, em vez de serem enviados pelas fábricas de Fremont ou Berlim.
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A nova configuração Model Y L, com três fileiras de bancos, também é exportada da China, tendo a Austrália como primeiro destino internacional.
Assim, mesmo as 8.072 unidades do líder são fisicamente produzidas em território chinês, apesar da origem norte-americana da fabricante.
Os preços ajudam a explicar essa mudança, pois Atto 2, Omoda Jaecoo J5 e MG4 Urban custam menos de 40.000 dólares australianos.
O Geely EX5 permanece abaixo de 50.000 dólares australianos, ampliando a oferta de EVs em faixas antes atendidas por poucos modelos.
Nenhum desses quatro veículos estava disponível na Austrália um ano antes, mostrando a velocidade de renovação do catálogo local.
A BYD já havia vendido dez vezes mais que a Tesla em janeiro, impulsionada principalmente por Sealion 7 e Atto 2.
Somando híbridos e modelos híbridos plug-in, a empresa chinesa quase supera a Toyota como maior marca australiana em volume total durante junho.
O avanço acompanha a expansão mundial da BYD, que busca se aproximar da Toyota na disputa pela liderança global de vendas.
Fabricantes japonesas, historicamente muito relevantes na Austrália, possuem apenas três representantes entre os 50 EVs mais vendidos no acumulado anual.
O Toyota bZ4X ocupa a 15ª posição, seguido pelo Subaru Solterra em 30º e pelo Subaru Trailseeker apenas em 47º.
Os EVs alcançam participação de 23,5% no mercado australiano de veículos em junho, mês que também estabelece um recorde geral de vendas.
O Território da Capital Australiana, conhecido pela sigla ACT, registra uma proporção ainda maior, com os EVs representando 43,5% do total.
Até a Federal Chamber of Automotive Industries, entidade que representa o setor local, reconhece que o mercado atravessa uma mudança estrutural.
A diferença industrial também aparece nos custos, já que o Model Y L vendido nos Estados Unidos custa cerca de US$ 4.000 (R$ 20.500) a mais.
Após retirar os equipamentos adicionais da edição norte-americana de lançamento, a diferença estimada entre a produção dos dois países chega a 10%.
Os números mostram que a presença chinesa não cresce apenas entre marcas próprias, pois sua indústria também sustenta o líder australiano de vendas elétricas.
