
Seis por cento do valor de mercado evaporaram em minutos, logo depois de a Ferrari revelar seu primeiro EV, num recado claro de que tradição também pesa na bolsa.
A estreia aconteceu em Roma, e a marca de Maranello escolheu chamar o carro de Luce, “luz” em italiano, dizendo que o nome sugere clareza e direção.
O problema é que o Luce não parece um Ferrari típico, nem de longe, e essa ruptura estética ainda por cima chegou num momento em que Porsche e Lamborghini já reduziram planos de EVs por demanda fraca.
Na sessão, as ações em Milão foram vistas com queda de 6,3%, enquanto os papéis negociados nos Estados Unidos recuavam 3% no pré-mercado.
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No acumulado de 12 meses, o papel em Milão já cede mais de 31%, o que tornou o lançamento um teste público não só de produto, mas de confiança.
O CEO Benedetto Vigna chamou o dia de “muito, muito importante” e afirmou que o Luce abre “um novo capítulo” na história da empresa.
Questionado por Charlotte Reed, da CNBC, sobre equilibrar novos compradores e a clientela tradicional, Vigna disse que a palavra que guia a transição é “respeito”.
Ele argumentou que, quando surge uma tecnologia nova, o design precisa representar essa mudança, e por isso “o design deve ser diferente”, sem pedir desculpas.
Vigna também afirmou respeitar desejos distintos dos clientes e disse acreditar que a base atual terá interesse no Luce, ao mesmo tempo em que o modelo atrairá novos compradores.
O Luce é o primeiro Ferrari de cinco lugares e acelera de 0 a 97 km/h em cerca de 2,5 segundos, além de atingir aproximadamente 309 km/h de velocidade máxima.
O preço fica em torno de 550.000 euros (R$ 3,3 milhões), e as entregas aos clientes estão previstas para começar no quarto trimestre do ano.
A Ferrari disse ter desenvolvido e fabricado todos os componentes internamente, em Maranello, e entregou o design à LoveFrom, agência fundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.
Analistas atribuíram a queda a uma mistura de “ódio ao design” com o velho ditado do mercado de “comprar no boato e vender no fato”, após forte alta antes do lançamento.
Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, afirmou que muitos fãs veem o EV como diluição da marca, construída em torno de design clássico e potência bruta.
Field acrescentou que investidores temiam custos de pesquisa e desenvolvimento “materialmente altos”, pressionando a marca a recuperar o gasto e, possivelmente, reduzindo retornos.
Anthony Dick, analista automotivo da Oddo BHF, disse que a reação foi “de longe a mais forte” que já viu por causa do design de um carro, resumindo: “o mercado falou”.
Ao tratar dos riscos caso o lançamento falhe, Dick citou o impacto sobre o valor da marca, chamando o Luce de “o desvio mais distante do ethos” já visto, e alertou para efeito na lucratividade.
Vigna respondeu que o Luce entrega “a mesma sensação” ao volante, embora com um som associado a um motor elétrico, defendendo que “cada motor tem seu próprio som” e que o essencial é a emoção.
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