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Novidades tecnológicas que equiparão os carros em um futuro próximo (parte 1)

Nos últimos quatro anos, observei que as montadoras e as indústrias de autopeças, forçadas um pouco por leis, imagem e preocupação com o meio ambiente, estudam com mais seriedade o lançamento de novas tecnologias. Em diversos campos, desde o que vai no tanque até o que compõe a carroceria.

Sem falar nas maravilhas que a tecnologia possibilita a serviço da eficiência. Assim, elenquei vinte áreas em que, creio eu, estarão as mudanças que veremos nos nossos carros dentro de uma década ou um pouco mais.

1. Cores

Desde 2009 alguns tons como marrom chocolate metálico, branco e laranja sólidos ou metálicos estão de volta ao mercado internacional, inclusive ao Brasil. Mas não deve ser apenas em matéria de tons que haverá novidades, mas em processos de pintura, com vernizes que protejam mais de riscos e também em efeitos e texturas, como camaleão, sólido brilhante (candy), imitação de fibra de carbono e aço escovado. O envelopamento também deve continuar e com novidades.

2. Novos Materiais

Alumínio, fibra de carbono, plásticos de alta resistência tipo Noryl combinados com fibra-de-vidro, como os paralamas do Mégane, madeira reflorestada e outros que estão presentes no item 10, mais leves e ecológicos. E materiais não tão novos como fibra de carbono e ligas de alumínio e metais nobres, combinados com uma aerodinâmica mais aprimorada em túneis de vendo, tornarão os carros mais leves para diminuir emissões de poluentes e gasto de combustível.

Em nosso país, novas tecnologias que aprimorem o sistema flex, como o novo sistema de partida a frio que dispensa reservatório extra de gasolina e a redução de tamanho, peso e número de cilindros de motores compactos e a utilização de injeção direta e turbo em motores que utilizem etanol e gasolina é o que deveremos ver dentro de dois anos.

3. Terra, Água e Ar

Voadores? Novo ano 2000? Desde o filme 2001 Uma Odisséia no Espaço, muito se especulou sobre como seria o futuro. Outros filmes como Inteligência Artificial vieram para aumentar ainda mais as especulações. Carros anfíbios não são novidade, muito menos os que andam por terra.

E os voadores? Se isso parecia alucinação ou coisa de cinema, saiba que a própria VW apresentou no Salão de Pequim recentemente o protótipo de um carro bolha flutuante ao estilo Jetsons. E nos EUA foi liberado para produção o carro voador Transition Roadable da empresa especialista em veículos voadores Terrafugia, com asas retráteis e tudo. Aquela expectativa para os primeiros anos do novo milênio parecem finalmente estar se tornando realidade!

4. Aperfeiçoamento da combustão – Diesel com Híbrido; Combustão com downsizing, Start-Stop e menos cilindros

Os modelos novos estão cerca de 15% mais econômicos em comparação com os carros produzidos há dez anos. E isto sem perder potência. Um motor 1.0 de 3 cilindros atual é mais potente e tem mais torque que um 1.6 de 4 cilindros da década passada devido à prática do downsizing, que é o uso de motores com menor capacidade cúbica (cilindrada) que utilizam tecnologias como injeção direta de combustível, turbocompressor, compressor mecânico, abertura de válvulas variável, sistema start-stop (desliga cilindros em baixas velocidades e quando o carro pára no sinal, por exemplo) e também devido ao uso de materiais mais leves na sua composição como ligas de alumínio com tungstênio e molibdênio e peças plásticas, como coletores de admissão.

E esta redução não para por aí: a Fiat já tem na europa um motor chamado TwinAir com muita tecnologia e apenas 2 cilindros que poderá equipar o sucessor do Uno Mille em 2014. Além de economia de combustível , a emissão de poluentes também será muito reduzida. A meta é que em menos de dez anos, um motor a gasolina como este da Fiat chege a 23 Km/l na estrada em condições ideais e um motor a diesel de última geração que equipe carros pequenos chegue a 50 Km/l.

Quanto a modelos híbridos (motor a gasolina e um ou dois motores elétricos), como o Toyota Prius, também haverá novidades. Na Europa, onde o diesel é muito admirado e utilizado em modelos pequenos também, os híbridos tendem a utilizar um motor com este combustível combinado com um ou dois motores elétricos. E dentro de dez anos poderá haver um pequeno motor elétrico para cada roda, recuperando energia da frenagem.

As baterias tendem a ser mais leves e mais baratas também. E poderão ser carregadas numa tomada doméstica. Com isso a economia de combustível pode até dobrar em 10 anos. E se engana quem pensa que motor híbrido é para carros pequenos e médios como o Prius. A Ferrari terá um esportivo híbrido e a tendência é que carros como Mustang e Camaro e vários SUVs também adotem a tecnologia em breve.

Aqui no Brasil, atualmente, temos apenas três modelos à venda – e em breve o Toyota Prius, referência do segmento no mundo. São eles o Ford Fusion Hybrid, custando R$ 133.900, o Mercedes-Benz S 400 Hybrid que custa R$ 367 mil e o recém-chegado BMW ActiveHybrid 7 L, da Série 7 também na casa dos R$ 475 mil.

E já que falamos tanto no Prius, ele usa um motor a gasolina de 138 cv, ciclo Atkinson, parecido com ciclo Otto convencional mas com algumas modificações para melhorar a eficiência da queima de combustível. Este motor é combinado com um único motor elétrico, o que faz seu consumo de gasolina chegar a 25,5 Km/l. Seu tanque de combustível comporta 45 litros e a autonomia total é de 1.150 km. Vende 1 milhão por ano nos EUA.

5. Carro Elétrico

O carro elétrico pode ser abastecido em locais como postos de eletricidade, em casa (plug-in) e em que sistemas automatizados que substituem uma bateria descarregada por uma carregada. O mais prático é o doméstico. E várias montadoras estão trabalhando para padronizar o sistema. Além de carros, scooters e motos podem ser elétricos. O que ainda não transmite confiança ao consumidor é a autonomia relativamente baixa, de até 160 Km, o que inibe viagens e faz dos elétricos um veículo urbano.

Este último quesito é talvez o fator que precisa ser mais aprimorado para que este tipo de veículo emplaque. O preço em si, também, de modo que as baterias que encarecem os carros, possam ser mais baratas. Além desses dois fatores, é preciso que o carro elétrico caia no gosto do consumidor para que o governo não precise dar incentivos tão altos, de até US$ 7.500,00, concedidos no Estado da Califórnia, por exemplo.

No Brasil há um projeto tocado pela Fiat e pela empresa Itaipu de Energia, que consiste no desenvolvimento de baterias de íons de sódio, mais leves, baratas e biodegradáveis que as de íons de lítio. Na Europa, Estados Unidos, Japão, China, Coréia do Sul, Índia e Austrália o desenvolvimento desta tecnologia corre em ritmo bem mais acelerado. E conta, claro com políticas de incentivo governamentais favoráveis.

E, assim como no caso dos híbridos, os elétricos virão a equipar carros esportivos, com turbo desenvolvido para este tipo de modelo e outras tecnologias. Mas o som dos motores deverá ser artificial para que pedestres ouçam quando um carro se aproxima e também para que quem gosta de carro não ache muito chato dirigir um veículo sem ronco algum.

Paralelamente ao desenvolvimento de baterias e motores são desenvolvidos painéis de energia solar e capacitores que recuperem a energia da frenagem e aproveite a luz do dia para que o carro possa andar o máximo antes de ser abastecido. E, fora os elétricos, carros movidos a célula de Hidrogênio e mesmo a ar comprimido tomam forma. Vejamos um pouco sobre cada um destes a seguir.

6. Carro movido a Hidrogênio e outras Energias Renováveis

(Ar comprimido) A indiana Tata, dona das marcas Jaguar e Land Rover, desenvolve um modelo cujo código é Mini CAT. Seu custo estimado é de 6.200 euros, o que equivale a cerca de R$ 15.860 numa conversão simples, sem incluir impostos e taxas. Segundo a Tata Motors, o novo compacto movido a ar comprimido será quatro vezes mais econômico que um modelo elétrico. Estima-se autonomia de 130 quilômetros e velocidade máxima de 80 km/h.

(Movidos a hidrogênio) Além de Mercedes-Benz e BMW, a Hyundai está investindo no desenvolvimento dos modelos movidos a célula de hidrogênio. O laboratório é o ix35, que acaba de completar uma viagem de mais de 2200 Km utilizando-se apenas da rede de abastecimento existente hoje em dia, sem a ajuda de carros de apoio. Entre os países europeus, a Alemanha mostrou ter a maior rede de abastecimento, com Suécia em segundo lugar e França em terceiro.

Montadoras do porte da Mercedes-Benz, BMW, Volkswagen, Ford, General Motors, Honda, Toyota, Nissan, Hyundai e Kia retomaram seus projetos e já preveem a data entre 2015 e 2018 como início da viabilização do carro movido a célula de combustível a hidrogênio.

Entretanto, para que esta previsão se confirme, é preciso que o custo de um carro destes caia dos atuais US$ 150 mil para cerca de US$ 50 mil e que a rede de abastecimento seja – bastante – ampliada. O bom desta tecnologia é que, da energia gerada para movimentar os motores elétricos que movem as rodas, somente é liberado vapor de água para o meio ambiente.

7. Sistemas antifurto

Infelizmente o futuro não acabará com ladrões de carros e pessoas mal intencionadas. Desse modo, dispositivos antifurto e de reconhecimento que utilizem impressão digital, leitura da íris ocular e telemetria deverão equipar os carros novos.

E até um novo sistema que está sendo desenvolvido no Japão deverá estar disponível. Trata-se de um sistema de leitura de nádegas, que reconhece a “poupança” do dono do carro por conta da pressão que ela exerce no banco, da forma e das irregularidades que ela tem.

8. Informações de Bordo- Head Up Display; Night View

Informação é tudo, mas tem que ser instantânea e chegar antes que o pior aconteça. Desse modo, dois sistemas hoje disponíveis em carros de alto luxo, como Mercedes, Volvo, Cadillac e em modelos topo de linha da Peugeot e Citroёn deverão estar em carros mais baratos.

Um é o Head-Up Display, que projeta no parabrisas informações importantes e em breve projetará mapas para não desviar a atenção do condutor. O segundo é o sistema de visão noturna night view que, utilizando raios infra-vermelhos, capta o calor de objetos a muitos metros de distância, como um animal ou um pedestre e também projeta o seu formato no parabrisas. Os sistemas de frenagem eletrônicos e os pilotos automáticos inteligentes, que reduzem velocidade, certamente serão mais populares e acessíveis em alguns anos também.

9. Eu quem mando!

Detecção de embriagados e sonolentos; carro que toma o controle da direção em trânsito pesado e Carro sem motorista. Teimosia custa caro. E admitir a sonolência, a embriaguez e a limitação de dirigir à noite ou em congestionamentos, por exemplo, acentuam os riscos que um motorista possa oferecer aos outros.

E, claro, há casos de deficiência que impedem que um cidadão dirija. Para todos estes casos, futuramente o remédio será um carro parcial ou totalmente autônomo, com sistemas que não deem partida se detectar que seu dono não está apto a pegar o volante.

Foi aprovado, agora em Maio de 2012, o Google Car, um Toyota Prius modificado, que recebeu o sistema de direção autônoma para rodar sem interferência humana. Para que isso seja possível, ele utiliza componentes que já são usados em recursos eletrônicos de montadoras: sensores e câmeras.

É algo como o Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC), sistema que acelera e freia o veículo de acordo com as mudanças de velocidade do modelo que está à frente. A diferença é que o sistema da Google permite ao carro fazer curvas sem participação do motorista.

Os carros ficarão cada vez mais robotizados e estarão conectados a outros veículos, acompanhando o fluxo do tráfego, sem cometer infrações ou desrespeitar a sinalização. Eles serão muito mais inteligentes que hoje e tomarão decisões no lugar dos motoristas (como ultrapassar outro veículo), valendo-se do uso intensivo de computadores, câmeras, radares, GPS, raios infravermelhos, laser e sensores, além de outros componentes eletrônicos. Ou seja, o moderno Park Assist, de Volks, Lexus e Audi já tem sucessor a caminho. O uso da caixa-preta, hoje nos aviões, também equiipará carros e tornará mais rápida a solução de casos de infração e de processos judiciais envolvendo carros.

10. Recicláveis

Ecologia tem sido a palavra desde os anos 2000. E, cada vez mais, poupar energia, evitar o corte de árvores e salvar a vida de animais tem sido colocado em foco. Por isso, o couro sintético ou ecológico tem ganhado força. Fora isso, materiais como casca de coco, fibra de casca de banana, casca de laranja, bagaço de cana, bambu e até certos tipos de papelão farão parte da composição de automóveis modernos – tanto na parte externa quanto na parte interna do carro.

As cascas de coco e fibras de casca de banana são utilizadas como enchimento de bancos substituindo espuma derivada de petróleo. E o bagaço de cana tem dado origem a fibras resistentes que estão sendo testadas para substituir polímeros plásticos e que possam ser utilizados na confecção do painel de instrumento, de molduras plásticas e dos parachoques. Materiais que vem do lixo também têm vez: os novos Gol e Voyage reestilizados foram pioneiros no uso de garrafas PET recicladas para fazer o estofamento

E o grande vilão da história, o pneu? Aqui entra a casca de laranja, de onde é extraído um óleo que entra na composição deste item. A durabilidade não foi afetada e o consumo de combustível foi otimizado. Hoje, nos EUA, 95% dos automóveis inteiros são reciclados, inclusive o aço que gera vigas para a construção civil. No Brasil, infelizmente este índice está na casa dos 5%.

Conclusão

É sábio o provérbio inglês que diz que “A necessidade é a mãe da invenção”, pois as ideias podem não ser novas ou ainda estarem a frente de seu tempo, mas é por meio de leis ou mudanças de hábito que a ideia sai do papel. E como vimos, algumas propostas da indústria automobilística nem são tão novas assim.

Algumas, como materiais leves, estão nos carros da Fórmula 1 há décadas e ainda não chegaram na indústria de forma maciça. Mas que o futuro promete novidades, promete. E parece que agora, com a ajuda da necessidade, tomarão as ruas nas próximas décadas. O que você acha?

Por Gerson Brusco Gonzalez





  • jpmocellin

    Acredito que demore um pouco mais para tecnologias como turbo combinado à injeção direta chegarem aos motores flex. Torna-se mais difícil regular adequadamente um motor que vai usar combustíveis diferentes, ainda mais quando falamos de injeção direta, bem mais exigente em termos de qualidade tanto de combustivel como de programação.

    • Cil

      A injeção direta obrigaria a algo como o diesel S-50. Qualidade de processamento muito melhor feita pelos produtores de combustível, aliada com investimento para produzir tais motores. Tu acha que rola? Com essas empresas tendo que enviar bilhões de lucro para suas matrizes?? Difícil.

      Acho mais fácil que algo seja feito para o motor Frex… e olhe lá dado o lobby dessas empresas.

      • AutoIng

        Acho que ele estava falando de injeção direta pra motores de ciclo Otto. O sistema ainda é muito caro, mas em algum momento deve chegar por aqui nos modelos médios pelo menos. Já nos populares se nem um cabeçote 16v o brasileiro aceita, imagina o resto.

  • loucoporcarro

    Daqui a uns 20 anos agente so vai precisar sentar no carro , nem dirigir vamos mas.. *-

    • victorporto87

      Visão otimista ein amigão..

      • X11auto

        Nos grandes centros esta será uma realidade comum para muitos carros, se o mundo não se rachar até lá!rs…

    • giodoesitbetter

      De onde venho, chamamos isso de ônibus.

      • loucoporcarro

        Ta bom, vamos fingir que você não entendeu.

    • RicardoSuroieck

      Ainda bem.
      Uma coisa é gostar de dirigir, outra é ser obrigado a dirigir.
      Na maior parte do tempo as pessoas querem ir do ponto A ao ponto B, só isso, com o menor stress e esforço possível. O carro tem que estar a sua disposição quando você quiser dirigir mas, quando você não quiser, seria ótimo que ele fizesse isso de maneira autônoma. E isso não está tão longe quanto parece.
      Mas no Brasil, dadas as características das estradas, da frota e do próprio mercado, isso ainda vai demorar muito.

      • AutoIng

        Eu trocaria o "prazer de dirigir" no dia-a-dia por algo totalmente automático sem pensar duas vezes. Aliás, que prazer há em andar em engarrafamentos? Em ficar se estressando com gente te fechando, barbeiragens, anda-e-para constante? Deixa o tal "prazer de dirigir" pro fim de semana, aí sim pega o carro e vai aproveitar sem stress.

  • JulioCMO

    É difícil falar de novas tecnologias quando seus diversos meios desenvolvedores sofrem influências externas, sem falar nas "verdades" ditas e espalhadas com vigor pelos seguidores de Al Gore. O sistema de propulsão à hidrogênio foi apresentado ao mercado no início dos anos 2000, pela Honda, mas o lobby dos elétricos falou mais alto e os ambientalistas abraçaram a causa devido a facilidade pela qual a indústria possibilitava construir o sistema híbrido/elétrico. Mais tarde veio a Mercedes e apresentou o BlueEfficiency, que tem a célula de combustível como "última fase" do seu projeto de tecnologias, agora diversas outras montadoras apresentam o mesmo. Uma coisa é fato: estamos entrando em um processo no qual a indústria está recorrendo a vertentes alternativas para construir seus carros, não só na engenharia motora, mas no próprio interior do carro, literalmente, como o Fisker Karma, Nissan Leaf ou, novamente, os veículos inclusos no projeto BlueEfficiency.

    O meu maior medo é "estacionarmos" no Prius-ismo e não desenvolver novas tecnologias, pois boa parte da população parece estar super satisfeita com o deprimente híbrido da Toyota, que tem mais contradições do que realmente benefícios. Por outro lado, os motores estão cada vez mais eficientes e o diesel está se mostrando superior aos pacotes de bateria aliados a motores minúsculos, como o próprio Prius. Isso sem falar na redução de peso que está constante nos carros com projetos mais modernos, retomar as origens está sendo essencial para buscar eficiência no meio automobilístico. A Mazda, por exemplo, está inovando com um novo desenho de motor à combustão enquanto enrijece seu chassi para melhorar o consumo de combustível. Outras, como a Honda e a BMW, investem em aerodinâmica. O melhor disso tudo é que conseguem resultados surpreendentes com pouquíssimos esforço, ou seja, tem muita coisa que podem fazer antes de "se jogar" no mundo dos pesados e ineficientes elétricos.

    Segurança é algo que sempre vão estar inovando, a única barreira visível é a redução de custos e/ou aceitação do público, pois muitas destas tecnologias já tentaram ser inseridas no passado mas não deram certo. Contudo, se o cinto de segurança, odiado por gerações, conseguiu ser aceito pelo público… acho que isso pode ser mera questão de "insistência". Os mais radicais (me incluso levemente nesta categoria) temem que novas tecnologias estraguem o indivíduo "carro", aquela máquina que serve para se divertir, apaixonar e cuidar. Por diversas vezes eu já me peguei desconfiando e reclamando de coisas que enfiam "garganta abaixo", como os malditos aceleradores eletrônicos. Mas é aquela história… por mais que os carros "piorem", sempre haverá uma minoria que agrade outra minoria de público.

    Motores mais eficientes, materiais reaproveitáveis, baixo peso e eficiência dinâmica (e.g aerodinâmica, rigidez do chassi) é a chave para o futuro. Se conseguirmos construir carros com a tecnologia de hoje e a simplicidade de antigamente, boa parte dos problemas de custo serão resolvidos. A questão é: a quem interessa esta vertente de desenvolvimento? Pouca gente, pois até o Governo está dando mais crédito àqueles que desenvolvem qualquer "porcaria" e enfiam uma bateria pra chamar de verde, pouco ligando para a real eficiência à longo prazo daquele veículo.

    (Comentário grande pra contribuir na discussão com um texto de boa qualidade rsrs')

    • X11auto

      Para falar a verdade Julio, nós nos acostumamos com uma determinada tecnologia, assim como com as músicas de nossa época, nos acomodamos e achamos que tudo novo parece ser ruim.
      Meu irmão dizia que injeção não era bom, e hoje eu nem imagino voltando a comprar um carro carburado.
      como um outro amigo escreveu acima em 20 anos teremos carros que você senta e ele pilota por você, eu não quero um carro assim, mas o problema é que as coisas mudam e as criancinhas de hoje , serão os adultos de amanhã, acostumadas com a tecnologia do tempo delas, ou seja, falar pra eles sentar num carro e ter que sair apertando pedais, esterçando volante, dando seta, eles vão rir da sua cara.
      Podemos reclamar, mas as mudanças virão sempre, e pelo que vemos, o automóvel será cada vez mais independente de nós para funcionar e locomover, a vida é assim, quantos velhinhos apanham no caixa eletrônico, pode parecer triste mas é assim.

  • BlueGopher

    O avanço da tecnologia é algo constante, talvez dentro de alguns anos as soluções em estudo já sejam totalmente diferentes destas acima citadas.
    O futuro às vezes é bem diferente do que achamos que vai ser.
    Inesperados "pulos" tecnológicos acontecem com frequencia (penicilina, vulcanização da borracha, transistores, circuitos impressos, nanotecnologia, etc).
    Veja, no século 19, o presidente da Academia de Ciências de Londres disse num discurso que o homem já tinha inventado tudo que havia para ser inventado.
    E no início da era dos computadores, os cientistas calcularam que a necessidade mundial de computadores não passaria de algumas dezenas de unidades, que era bobagem investir nesta tecnologia…
    Quais serão realmente as tecnologias em uso do futuro?

  • giodoesitbetter

    Discordo completamente de algumas coisas no texto.

    1- Onde que um carro atual, no Brasil, tem o mesmo consumo melhor de um de mesma cilindrada do final do milênio passado? Quem nunca fez 20km/l num Uno Mille 97 a gasolina ou 14km/l num a alcool? Hoje vc tem que agradecer aos ceus para comemorar um 11km/l na gasolina.

    2-NUNCA que o TwinAir vai substituir o atual Fire flex. Como muitos aqui sabem, sou ex-proprietario de um 500 TwinAir e maior defensor desse motor. Porem, paguei mais caro no meu 0.9 2 cilindros do que pagaria nas convencionais versões 1.2 ou 1.4, a gasolina ou a diesel. Cerca de 15% a mais. Não teriam esse motor num modelo de entrada no Brasil de forma alguma, por dois motivos:

    -Obviamente, o preço;

    -Brasileiro adora uma litragem alta. Tal como na matéria divulgada aqui há umas semanas atrás, onde o brasileiro preferiu o Cruze equipado com o 2.0 do Vectra do que um moderno 1.4 Turbo.

    Mas achei interessante a matéria.

    • Herumor_

      realmente downsizing aqui é complicado… pessoal prefere um Golf apezaum 2.0 de 116 poneis do que um Focus 1.0T de 120cv (ou mais como já foi divulgado aqui no NA) =/

      • JottaElle

        Se meu "apezaum" 2.0 de 116 poneis continuar com o bom consumo e o desempenho que ele tem, prefiro continuar com ele mesmo. Ontem estava com uma média de 15,6 km/l (gasolina) na cidade do Rio de Janeiro que caiu para 13 km/l após pegar um engarrafamento na linha amarela, consumo que considero excelente.

  • RicardoSuroieck

    Infelizmente, devido as características do mercado e consumidor nacional, todas essas tecnologias chegam ao Brasil com um atraso impressionante, isso quando chegam. Nem airbags os carros daqui tem. Tiveram que criar lei para isso. Tem carro que não vem com tapete. Muitos carros de mais de 50 mil reais tem manivela nos vidros nas versões básicas. Tecnologia do século 19. Motores de 70 cavalos que fazem 14km/L de gasolina na estrada. É uma tristeza.

  • diogo_rs6

    Há tecnologias muito interessantes listas, mas há coisas bem duvidosas:

    1. Há muito tempo em futurologia automotiva se fala na questão do carro voador: e mesmo assim continuo cético à questão, pois envolve muitos recursos e o carro vira um "híbrido" no pior sentido: não vai bem como um carro terrestre e não voa bem como um avião de fato.

    2. Carro autômato é algo que somente os mais preguiçosos irão apoiar, pois um sistema autômato, não apenas tira o prazer de guiar, mas a forma como o sistema irá "conduzir" o próprio carro poderá irritar muita gente.

    3. Quanto a elétricos, na minha opinião funcionarão melhor como carros pequenos e urbanos, para automóveis familiares de maior porte não acredito que seja a melhor solução.

    • RicardoSuroieck

      O item 1 realmente é algo pouco plausível dentro da tecnologia atual. O 3 ainda esbarra na autonomia, apesar de os Teslas mais caros terem uma bateria que fornece uma autonomia relativamente grande se comparado a outros elétricos, ainda não dá para fazer uma senhora viagem com um carro elétrico.
      Já o item 2 eu percebo que está cada vez mais próximo e discordo de você, pois apesar de todo o discurso do "prazer de dirigir" e etc, a verdade é que as pessoas via de regra preferem fazer o menor esforço possível. É a mesma velha história do câmbio automático x manual. Muita gente diz preferir o cambio manual, mas para o dia a dia no trânsito, a maioria depois que usa um automático demora a voltar para o manual. Sem dúvida se perde parte da esportividade, mas a dicotomia clássica de toda a indústria automotiva é sempre esportividade x conforto. E nos dias de hoje dá para unir o útil ao agradável, com os cambios automáticos que permitem trocas sequenciais e os paddle shifters que deixam a sensação de esportividade ainda maior. Esse sistema de condução autonoma de veículos não está longe, e envolve principalmente a detecção de veículos ao redor, controle de aceleração e frenagem, identificação da pista de rolamento e um GPS constantemente atualizado, além de um programa que identifique situações de risco e alterações na pista. No Brasil, dada a irregularidade e precariedade das vias, é pouco provável que isso chegue tão cedo, mas espero que eu viva para ver isso. O sistema vem para acrescentar, não para nos tornar dependentes dele. Se não gostarmos, sempre poderemos desliga-lo e dirigir por nossa conta e da nossa maneira. ;)

    • AutoIng

      Lembrando que em meados dos anos 90 a porcentagem de álcool na gasolina era de 13%. Na última década esteve em 25%. Querendo ou não isso afeta muito o consumo. Não estou dizendo que os flex não tenham piorado o consumo, acho que isso é fato mais do que aceito, mas o percentual de álcool também afeta demais o consumo (por isso inclusive não dá pra comparar números de consumo dos EUA e Europa com os nossos).

  • Herumor_

    enquanto isso no Braçiu EDB é futuro distante =/

  • diogo_rs6

    Sobre o carro a hidrogênio, no mesmo episódio do Top Gear onde simplesmente malharam o Tesla Roadster, foi testado o Honda FCX Clarity a hidrogênio. Diferente do esportivo elétrico, o carro a hidrogênio foi muito bem recebido, pois consegue ser muito mais prático principalmente durante o processo de reabastecimento, que é muito mais simples e rápido que a recarga do carro elétrico

    • AutoIng

      O hidrogênio só faz o papel da bateria. Quando falamos em carro elétrico, ele pode ser com bateria ou com células de hidrogênio. O que vai mover o carro de fato, é o motor elétrico, ou seja, não existe propriamente "carro à hidrogênio", é apenas um carro elétrico que em vez de armazenar energia em baterias convencionais, a armazena quimicamente na forma de células de H2.

  • MaxxxFanCars

    Matéria muito boa, como sempre!

  • lachard

    …"Head-Up Display, que projeta no parabrisas informações importantes e em breve projetará mapas para não desviar a atenção do condutor"… e a Toyota coloca as informações "mais" que básicas no centro do painel….beeeem longe da visão frontal do condutor….belo avanço tecnológico.

  • rogerw31

    Eu ainda acho que o carro não vai precisar de combústivel, nem ser recarregado, motores elétricos na 4 rodas, aliado a recuperação de eneria das frenagens, algo similar a um dînamo ( que existe desde o século 18 ) para gerar energia das rodas, e painéis de solares.

  • AutoIng

    O tópico "Recicláveis" precisa ser renomeado. Coisa de 90% do que é citado ali não tem relação alguma com a palavra "reciclável", tirando o enchimento de PET e o aço "scrap". Seria melhor chamar esse tópico de "Sustentabilidade".

  • AlexMa

    Eu acho que o blog deveria meter o pau nas empresas que atuam no Brasil.
    Isso demonstraria o compromisso do blog com os leitores e com os consumidores.

    Esse blog tem uma boa audiência, mas precisa fazer sua parte também. Ninguém defende os brasileiros. Só o pessoal que comenta.



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