“Nunca estivemos tão vulneráveis”: CEO da Ford joga um balde de água fria nos EUA ao apontar o colapso silencioso da mão de obra qualificada

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O preço das coisas, o tempo de espera por serviços e até a velocidade de obras e fábricas podem estar sendo puxados por um gargalo menos comentado do que inflação ou juros.

Jim Farley, CEO da Ford, afirmou que os EUA estão em um “lugar realmente vulnerável” por causa da escassez contínua de trabalhadores qualificados.

Em um novo episódio do podcast “Drive”, ele foi ainda mais contundente ao dizer que o país está “provavelmente no ponto mais vulnerável que já estivemos”.

A montadora compartilhou com a Business Insider a transcrição do episódio antes do lançamento previsto para sexta-feira, colocando o tema no centro do debate público.

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Há pelo menos um ano, Farley vem repetindo a preocupação com a falta de profissionais em construção, manufatura e ofícios, incluindo trabalhadores de chão de fábrica e mão de obra técnica.

Ele chama esse grupo de “economia essencial”, por entender que é esse contingente que sustenta o funcionamento do cotidiano e a capacidade de produzir e construir.

Dados do setor apontam ansiedade semelhante, já que quase metade dos fabricantes nos EUA diz que atrair e reter funcionários é um dos principais desafios, segundo a pesquisa trimestral mais recente da National Association of Manufacturers.

O horizonte também é pesado, porque um estudo de 2023 citado pelo US Census Bureau estimou que os EUA podem enfrentar 2,1 milhões de vagas de manufatura não preenchidas até 2030.

Para Farley, o impacto dessas faltas não fica restrito às empresas, mas se espalha pela economia como um todo, pressionando custos e reduzindo oportunidades.

“Problemas nesse setor vital impactam todos nós com custos mais altos, tempos de espera mais longos e menos oportunidades”, afirmou ele durante a conversa.

O convidado do episódio, Mike Rowe, apresentador da série “Dirty Jobs”, concordou com o alerta e resumiu o senso de urgência com uma frase direta.

“Essas pessoas não ligam para a falta de encanadores até o vaso não dar descarga”, disse Rowe, apontando como a crise só vira notícia quando atinge o cotidiano.

Nos bastidores, a Ford diz estar tentando puxar mais gente para essas carreiras, e em janeiro comentou planos de atração com incentivos como itens gratuitos da Carhartt.

A empresa também citou investimento em uma unidade da ToolBank USA baseada em Detroit, reforçando uma estratégia de suporte e infraestrutura voltada ao trabalho técnico.

Em setembro, a Ford organizou uma cúpula de desenvolvimento de força de trabalho que reuniu líderes da indústria e formuladores de políticas para discutir a crise do funil de formação.

“Paramos de investir nos ofícios”, disse Farley no evento, acrescentando que, se Henry Ford visse no que os EUA se tornaram, “acho que ele ficaria meio bravo”.

A preocupação não é isolada, porque a rival General Motors informou à Business Insider que investiu quase US$ 200 milhões no último ano para ampliar programas de treinamento e aprendizagens.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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