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O estado da segurança automotiva brasileira atualmente

Chevrolet-Onix-Activ-2016-12 O estado da segurança automotiva brasileira atualmente

É fato que a segurança nunca foi uma das prioridades das fabricantes de automóveis no território nacional. Porém, de um tempo para cá, esta situação vem mudando aos poucos. Dá para dizer que vivemos duas eras: uma antes a obrigatoriedade de airbags frontais e freios ABS em todos os carros de passeio comercializados em nosso mercado e outra após a nova lei, em 2014, que fez com que todos os automóveis disponíveis nas concessionárias de 0 km fossem equipados de série com o mínimo de recursos de segurança.



Antes da legislação imposta pelo governo, o nosso mercado era extremamente escasso de carros populares com boa segurança. Para se ter uma ideia, a Fiat comercializava o antiquado Mille, um veículo com projeto datado de 1984 e que não tinha a palavra “segurança” em seu vocabulário (a não ser pelos cintos de segurança e encostos de cabeça, que eram obrigatórios). Estrutura com aços mais resistentes e arquitetura capaz de suportar airbags e ABS não faziam parte do velho popular da marca italiana. Tanto é que ele saiu de linha com a nova lei.

Outro modelo bastante querido dos brasileiros que deu adeus após a chegada da obrigatoriedade dos itens de segurança foi a Volkswagen Kombi. O utilitário foi fabricado ininterruptamente entre 2 de setembro de 1957 e 18 de dezembro de 2013. Na época, era o carro mais antigo em produção em nosso território. Tudo bem que a Kombi era e ainda é extremamente versátil quando o assunto é transporte de passageiros e carga. Porém, consegue ser ainda mais insegura que o Mille: a dianteira do carro não tem qualquer boa proteção para o motorista e passageiros em caso de colisão frontal, por exemplo.

onix-ncap-2 O estado da segurança automotiva brasileira atualmente

Ufa, a nova lei chegou e, com ela, carros mais seguros… certo? Em partes. É certo que as marcas começaram a dar mais atenção à segurança (por obrigatoriedade ou livre espontânea vontade). Como exemplo, a Volkswagen lançou em 2014 o subcompacto up!, o seu carro mais básico e barato da época, que ainda é uma das referências neste quesito. Ele traz estrutura com aços de ultra-alta resistência, alta resistência, média resistência, de estampagem profunda e conformados a quente. Com isso, ele ganhou cinco estrelas no Latin NCAP – nos padrões antigos dos testes da instituição, vale ressaltar.

Mais recentemente, a Renault introduziu no mercado o Kwid, outro subcompacto de entrada. Ele foi duramente criticado quando chegou à Índia e lá recebeu zero estrela nos testes de impacto. Porém, quando estreou no nosso mercado, recebeu reforços estruturais e equipamentos de segurança de série inéditos na categoria, como airbags laterais e Isofix (sistema mais seguro e e eficiente para a fixação de cadeirinhas infantis no banco traseiro). Essas alterações renderam três estrelas no Latin NCAP em novembro deste ano.

Por outro lado, o ranking de vendas mostra que os brasileiros ainda não estão tão preocupados assim, apesar da nova lei e, sobretudo, da chegada de modelos mais equipados e seguros. O líder de vendas é o Chevrolet Onix, um modelo que zerou nos testes de segurança do Latin NCAP.

novo-ford-ka-avaliacao-NA-21 O estado da segurança automotiva brasileira atualmente

O mesmo aconteceu com o Ford Ka de nova geração, que no acumulado do ano se posiciona como terceiro mais emplacado. Entretanto, neste caso a situação é um pouco menos pior, visto que as versões mais caras do compacto ofertam itens como controle eletrônico de estabilidade, controle de tração, assistente de partida em rampas, Isofix e encosto de cabeça e cinto de três pontos para os cinco ocupantes. Estes recursos não são ofertados nem como opcional na linha do Onix.

E não são apenas os compactos que vivem situações precárias quando se trata de segurança. Entre os médios também há modelos que decepcionam neste quesito. O Kia Cerato, por exemplo, custa quase R$ 80 mil e não traz sequer controles de estabilidade e tração e cinto de três pontos para o ocupante do meio traseiro. Vale citar ainda o líder Toyota Corolla, que até o ano passado também não contava com controle eletrônico de estabilidade e de tração, itens que começaram a ser ofertados a partir deste ano com a chegada da linha reestilizada.

Por falar nisso, faltam incentivos e leis do governo para que os fabricantes ofereçam carros mais equipados e seguros. Controle de estabilidade será exigido somente a partir de 2022 em todos os carros – ou 2020 a partir dos modelos novos introduzidos por aqui.  O mesmo vale para cinto de três pontos e encosto de cabeça para todos, nos anos de 2018 e 2020, respectivamente.

Ford-Ka-2018-Latin-NCAP-15 O estado da segurança automotiva brasileira atualmente

No entanto, seria interessante mesmo a exigência de testes de impacto antes de o veículo ser comercializado no mercado brasileiro, impondo uma pontuação mínima para que seja aceito por aqui. Isso, é claro, de uma maneira transparente e sem “maracutaias” às escuras, algo difícil de se ver atualmente em nosso País.

Já que o governo é um tanto quanto lento e ineficiente na questão da melhora da segurança dos automóveis e de diversos outros pontos (que não cabem a esta matéria), é dever dos consumidores optar por carros mais seguros e equipados. Ao invés de priorizar apenas itens de conforto como direção hidráulica/elétrica, ar-condicionado e trio elétrico, além de recursos estéticos como rodas de liga-leve, o brasileiro deveria considerar se tal carro foi ou não bem avaliado por testes de impacto, se possui uma boa oferta de equipamentos de segurança ou se pelo menos conta com aços mais resistentes em sua construção de acordo com o divulgado do fabricante.

Porém, aí entra a questão do preço. Hoje o carro mais em conta equipado com controle de estabilidade é o Fiat Uno Drive 1.0, que parte de R$ 48.443, e que também não é nenhum suprassumo em segurança. Já entre os carros dotados de seis airbags, o mais em conta é o Peugeot 208 Griffe 1.6 AT, por R$ 70.490, outro que também não se saiu muito bem nos testes do Latin NCAP.

grazie_mille_ambi_016 O estado da segurança automotiva brasileira atualmente

Estaríamos então num beco sem saída? Pelo menos nas categorias dos carros compactos, há modelos bem equipados e com recursos de segurança que até pouco tempo atrás eram vistos somente em carros de segmentos superiores. Todavia, boa parte deles não são dotados de uma estrutura verdadeiramente segura a ponto de fornecer uma boa proteção aos ocupantes num acidente. Ou seja, o que adiantam tantos recursos sendo que o mais necessário não é oferecido? Já os carros com boa estrutura, como o Volkswagen up!, não oferecem itens como airbags laterais e controle de estabilidade, por exemplo.

Cabe a nós buscar por automóveis com mais equipamentos e estrutura mais segura. Se não for possível, o mercado de usados está aí repleto de boas opções – porém, neste caso, vale fazer uma pesquisa ainda mais profunda para analisar se tal modelo pode encaixar na sua realidade e, consequentemente, no seu bolso.

  • Leonel

    “Cabe a nós buscar por automóveis com mais equipamentos e estrutura mais segura. Se não for possível, o mercado de usados está aí repleto de boas opções – porém, neste caso, vale fazer uma pesquisa ainda mais profunda para analisar se tal modelo pode encaixar na sua realidade e, consequentemente, no seu bolso.”

    Perfeita a conclusão. É igual política, se o brasileiro assiste tudo sentado e não faz absolutamente nada, o “jogo” vai seguir exatamente o mesmo. Porque se preocupar em investir em segurança tendo o carro mais vendido do país? E assim segue a vida…

  • Aristeu Junior

    A maioria dos brasileiros só se importa com duas coisas na hora de comprar o carro:
    Revenda e impressionar os outros

    • João Cagnoni

      Ou melhor dizendo, compra carro por causa da revenda e quando vai trocar ainda deixa na concessionária por 1 centavo…

    • ObservadorCWB

      Esqueceu da Cental Multimídia…kkkk

    • invalid_pilot

      Esqueceu o “não gosto de dar manutenção” por isso compro Corolla porque ele não quebra

  • FPC

    Enfim, vou ficando então com meu up 2014, quando a VW resolver colocar um ESP e airbag laterais nele eu penso em trocar, agora se demorar muito parto para o Polo.

    • Dherik

      Tenho um up! também. Em quesito de segurança o Polo é um upgrade tentador, mas fora isto não tenho qualquer motivo para trocar meu up! TSI por ele.

    • invalid_pilot

      Digo o mesmo. Trocaria o meu num Polo Highline usadinho daqui uns 3 ~4 anos (se tiver em condição boa de vida)

  • Renan Ribeiro

    Há 10 anos atrás, qual era o estado da segurança no Brasil mesmo?

    • No_Name

      Tinha alguns bons carros, o Stilo era o mesmo da Europa e oferecia até 8 airbags como opcional. O Palio da década de 1990 tinha estrutura igual ou um pouco melhor do que seus sucessores de nova geração e teve versão com até 4 airbags (Polo 2018 tá bem atrasado nisso rsrsrs).
      Mas a maioria eram completas carroças: Gol “G4”, Celta, Classic, Mille, Kombi etc, haviam muito mais porcarias no mercado do que atualmente, até mesmo em segmentos superiores aos populares. Hoje, 2017, as tranqueiras estão mais restritas aos segmentos de entrada. Então tivemos uma boa evolução.

    • yurieu

      Idêntica. A esquerda brasileira cuidou para que tudo se mantivesse como estava.

  • Carlos

    Este final de semana aconteceu um “acidente” gravissimo em Gramado, aqui na serra gaúcha. Um rapaz de 19 anos morreu na hora ao bater seu gol quadrado ano 92 num poste. Havia uma mulher de 30 e poucos anos na carona, e parece que tiveram que amputar a perna dela ali mesmo, durante o socorro. Dizem que era a imagem do terror a “cena” do resgate. Fico imaginando se daqui a 20 anos ainda teremos circulando estes malditos quadrados ou estes populares 1.nada sem reforcos laterais, sem esp, sem airbags laterais… enfim, as pessoas sempre encontram um novo jeito de se matar, seja bebendo ou em alta velocidade, mas se pelo menos a parafernalia eletronica e airbags pudessem reduzir os estragos..

    • invalid_pilot

      Onix tá ai pra provar que sim !

    • LKenappe

      Respondo agora pra você. Sim você ira ver os quadrados ainda em circulação assim como outros antigos caindo aos pedaços e sabe porque? O Brasil não te incentiva a ter um carro melhor por n motivos (criminalidade, manutenção, seguro, taxas, impostos …) maior prova disso é que quanto mais antigo é o carro maior é o beneficio que ele recebe. La fora o carro mais novo que polui menos é o que paga taxas mais “baratas” tem incentivo monetário pra você efetuar a troca do veiculo aqui é o inverso.

    • D136O

      Imprudência sempre existirá isso é um dos grandes apelos da condução autônoma que talvez existirá neste prazo. No caso específico do acidente mencionado acredito que nas condições que o impacto ocorreu mesmo nos veículos atualmente mais seguros os ferimentos seriam grandes.

  • delvane sousa

    O fato e que vivemos uma epidemia de mortes no transito. Os numeros so pioram ao longo do tempo. Alem de veiculos mais seguros e preciso mais concientizacao da populacao. Pq na maioria dos acidentes nem Volvo adiataria (volvo pq e pioneira em seguranca veicular)

  • Rodrigo

    Acho que nao apenas os carros deveriam ser mais seguros como também as vias deveriam terem melhores condições de segurança viária e, principalmente, condutores melhor educados no transito.
    Dirijo todo santo dia e se eu tivesse poder de multar seria pelo menos umas 50 multas diárias. Fora aqueles que barbarizam no trânsito, achando que por estarem em “máquinas” modernas e caras, cheias das sopas de letrinhas, tem salvo conduto para correr e costurar, trazendo ainda mais insegurança (Para si e para os outros). Não sou contra o progresso e a modernidade, mas tem gente que quanto mais seguro se sente em um modelo moderno (na maioria das vezes importados), mais abusos comete.

  • Junior_Gyn

    Isso vai ser assim. Vagarosamente os carros se tornarão melhores e mais seguros. Devido a consciência do consumidor que com o tempo vai deixando de exigir itens supérfluos em detrimento a sua segurança.

    Infelizmente a mídia não da ênfase a este paradigma. Se saísse nos principais jornais do país o resultado dos crash test dos mais vendidos, a evolução da consciência seria mais rápida.

    Não podemos julgar o brasileiro comum, que não sabe sobre isso. Pois não são todos compradores de veículos que acessam sites especializados e que abordam este tema, como este aqui.

    Pra encerrar, só um Exemplo:

    Sempre fui de investir bem em computadores por gostar de games. Mas na hora de gastar com Teclado e Mouse, comprava do mais barato, pois pra mim era tudo a mesma coisa. Ledo engano. Entrei num grupo de periféricos e descobri o quão é importante gastar num bom mouse pra quem joga games em Primeira pessoa como eu faço. Ou seja, eu era um desinformado, hoje não sou mais.

  • predadordemarea .

    “O estado da segurança automotiva brasileira atualmente”.
    Tem muito carro inseguro( e alguns tomando nota 0), infelizmente.

  • Flávio Pedroza

    Alguém sabe a situação do HB20 no NCAP?

  • Wagner Lopes

    Eu tô super tranquilo com meu 407 2009 e seus 06 air bags, ESP, 5 estrelas no EuroNcap, fora o conforto, desempenho e estabilidade! Não troco por carrocinha “zero” não…kkkk.

  • afonso200

    por isso comprei meu Azera 2011 por ter 10 airbags, ESP, 5 estrelas frontal, lateral e 4 rollover(capotamento, amassamento de teto)…. o ESP dele é muito eficiente. no quesito colisao lateral quando o modelo foi lançado em 2006/07 foi um explendor nos testes.
    https://www.youtube.com/watch?v=PbGZ8ICqK0k

    • yurieu

      Esse é um sr. preocupado sobretudo com a família. Parabéns.

  • Cosi fan Tutti

    Esqueceram de falar do VW Polo que, se atingir pelo menos o top 5, demonstrara que nosso mercado ainda tem alguma salvação. Agora sobre um instituto de crash-test em solo brasileiro, eu apoio (mesmo que custaria ao menos uns $100 milhões de dólares e nem sei quem investiria essa grana toda pra isso).

  • Matheus

    Evoluímos, porém, nossa evolução foi muito lenta. Além disso, o que os olhos não vêem… As montadoras no geral diminuem todos os reforços estruturais nos carros de entrada no Brasil. E a conclusão foi perfeita: há carros seminovos na faixa de 40 a 80 mil super bem cuidados e para todos os gostos: sedã médio (Jetta, C4 Lounge) sedã grande (Azera, Fusion), SUV (Edge, Sorento, Ix35, Outlander…) etc. Carros que de fato são seguros. Se souber comprar, o semi-novo não dá dor de cabeça… tenho pelo menos 6 bons exemplos disso na família. Passando por Polo, Jetta 2.5, Veracruz… Há 10 anos não compramos nada 0km. Além disso, ficará feliz em andar em algo bom que valeu o preço pago. E que não perderá 10 mil ou mais só por tirar da concessionária 0 km.

  • heisenbergRS

    confesso que o Ka me pegou de supresa, estava pensando em pegar um 1.5 sel por causa dos controles de estabilidade, tração e o bom resultado no crash test, mas depois que zerou com o novo teste de batida lateral abortei a idéia…triste realidade brasileira =/

  • Filipe

    O brasileiro não dá a mínima em segurança. Prova é tanto que bebem todas e pegam a direção!

  • Fabão Rocky

    Crash test na realidade: Achei esse vídeo no youtube e achei interessante postá-lo aqui p/ termos uma base de como nossos carros estão inseguros hj em dia. Olha só este Kadett neste impacto lateral. A porta só amassou um pouquinho! Enquanto os metais utilizados na construção de nossos carros hj em dia é um lixo!
    https://www.youtube.com/watch?v=1yA1VnuJZeI

  • Sandro

    50 mil por um Uno? Só Brasil mesmo.

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