
O enfraquecimento do consumo de alto padrão na China começa a pesar de forma cada vez mais intensa sobre os resultados globais da Mercedes-Benz.
As entregas mundiais da fabricante alemã recuam 8% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A principal origem dessa retração está no mercado chinês, onde as vendas diminuem 30% diante da demanda mais fraca e da concorrência local crescente.
A crise imobiliária do país reduz o poder de compra de consumidores com maior renda, público especialmente relevante para fabricantes de veículos de luxo.
Após a divulgação dos números, as ações da Mercedes-Benz Group AG caem até 3,7% em Frankfurt e acumulam baixa superior a 25% neste ano.

Durante muitos anos, a China sustenta uma parcela importante do crescimento e dos lucros das principais marcas alemãs, mas esse cenário perde força rapidamente.
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Mercedes, Porsche e Audi enfrentam dificuldades para interromper a queda no maior mercado automotivo mundial, justamente onde empresas chinesas ampliam sua presença.
Até fabricantes locais como a BYD lidam com um ritmo menor, embora as marcas europeias premium permaneçam mais dependentes dos consumidores chineses de alta renda.
A situação também afeta a BMW AG, que alerta no mês passado para uma possível redução de sua margem de lucro a apenas 1%.
Fora da Ásia, o desempenho da Mercedes apresenta sinais mais favoráveis, sobretudo na América do Norte e no mercado europeu de modelos totalmente elétricos.
As vendas norte-americanas avançam 13% mesmo diante das tarifas de importação, mostrando maior resistência em uma das regiões mais rentáveis para a empresa.
Já as entregas globais de EVs crescem 51%, impulsionadas principalmente pela procura registrada nos países europeus durante o segundo trimestre.
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A nova Classe S também estreia com resultados considerados positivos, segundo a Mercedes, que destaca uma carteira europeia de pedidos bem preenchida.
As encomendas na Europa já cobrem boa parte do restante do ano, enquanto outros mercados importantes ainda receberão o sedã de luxo posteriormente.
O modelo continua essencial para a estratégia da empresa de preservar sua posição entre as principais fabricantes do segmento premium mundial.
Apesar dessa recepção inicial, as vendas dos automóveis mais sofisticados da Mercedes, grupo que inclui a Classe S, recuam 10% no período.
A companhia relaciona essa redução a mudanças programadas entre gerações e ao calendário de disponibilidade dos diferentes produtos em cada região.
A Classe G segue uma trajetória diferente e registra aumento de 3% nas entregas, mantendo a força comercial do utilitário de proposta mais exclusiva.
Para recuperar espaço na China, a Mercedes prepara modelos desenvolvidos especificamente de acordo com as preferências e necessidades dos compradores locais.
Entre os próximos lançamentos está o GLC L elétrico, utilitário com entre-eixos alongado que chegará ao mercado chinês durante o segundo semestre.
A estratégia combina maior espaço interno, tecnologias adaptadas ao país e uma oferta renovada para enfrentar concorrentes chineses cada vez mais competitivos.
Mesmo assim, a queda de 30% mostra que novos produtos precisarão compensar não apenas a disputa entre marcas, mas também a menor disposição para gastos elevados.
O contraste entre o crescimento na América do Norte, o avanço dos EVs na Europa e a retração chinesa evidencia uma mudança importante na distribuição mundial das vendas.
A Mercedes agora depende de uma recuperação gradual na China sem perder o desempenho obtido em outras regiões consideradas fundamentais para seus resultados.
