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O óleo lubrificante em detalhes

oleo-motor-carro O óleo lubrificante em detalhes

O óleo lubrificante é um dos itens mais importantes e mais simples de se fazer manutenção. No entanto, a falta de hábito de se ler o manual, unido aos mitos criados no mercado, faz com que muitos cometam erros absurdos ao se trocar o lubrificante. Em especial, para aqueles que recorrem à uma oficina ou auto peças de sua preferência na tentativa de fugir dos preços abusivos praticados pelas concessionárias onde, uma troca de óleo pode sair até 100% mais cara do que feita no particular, utilizando os mesmos componentes.



Viscosidade SAE: Hoje em dia, os carros de passeio usam óleos multiviscosos, que mudam sua viscosidade de acordo com a temperatura. Ela é indicada da seguinte maneira xxWyy

-xx, o número antes do W, indica o quão fácil o óleo fluir quando frio. Então, um óleo 5Wyy ao ser bombeado num duto, flui muito mais rápido do que um óleo 20Wyy.
Essa graduação de viscosidade trata especificamente da fluidez do óleo a baixas temperaturas.
Para essa medida, quando menor for o número, melhor. Afinal, é desejável que o óleo circule o mais rápido possível após a partida.

-yy, o número depois do W, leva em conta a viscosidade do óleo medida em altas temperaturas e a grandes pressões. Para esta especificação, não há uma regra geral. Cada motor e cada regime de trabalho requerem uma especificação diferente. Portanto, é fundamental que não se mude o especificado pelo fabricante.

Classificação API É uma classificação americana que qualifica a aditivação do óleo. Sua ordem de qualidade segue a ordem das letras do alfabeto. Hoje, encontra-se com facilidade a API SL e muitos já estão adotando API SM.

Classificação ACEA: Criada pelos fabricantes europeus, essa classificação veio complementar as normas americanas existentes devido as diferentes exigências do mercado europeu no que tange à motores trabalhando em rotações mais altas e intervalos de troca mais prolongados. A classificação ACEA está relacionada não só com a aditivação do lubrificante como a API, mas também a sua viscosidade medida em condições severas de temperatura de pressão. É possível que dois lubrificantes de mesma viscosidade SAE e aditivação API, obtenham diferentes classificações ACEA.

Atualmente temos:

-ACEA A1: Indicado para carros de passeio com motor ciclo Otto especificados para óleos de baixa viscosidade que possuem característica de economizar combustível. Deve apresentar uma economia de combustível de pelo menos 2,5% em relação a um óleo 15w40.

ACEA A3: Indicado para carros de passeio ou motores de alta performance ciclo Otto, para longos intervalos de troca e uso severo.

-ACEA A5: Indicados para carros de passeio com motor Otto em uso severo ou alta performance que demandem um óleo que possua a característica de economizar combustível e suporte longos intervalos de troca. Deve apresentar pelo menos 2,5% de economia em relação a um óleo 15w40. Seu limite inferior de viscosidade em altas temperaturas é ligeiramente superior ao A1, porém, inferior ao mínimo requerido para ACEA A3.

Nota: Ao contrário do que alguns pensam, a classificação A1, A3 e A5 não estão em ordem de qualidade.

Normalmente encontra-se no varejo óleos ACEA A1/A5 nas viscosidades xxW20 e 30.
Os óleos A3 estão em viscosidades xxW30 (raro -e caro- no Brasil), 40 e 50.

Para os motores usados no mercado nacional, a maioria de origem europeia, é extremamente desejável que se siga a classificação ACEA recomendada pelo fabricante. Em alguns casos, nota-se que os carros europeus contam com essa classificação especificada no manual, enquanto os nacionais não. Neste caso, procure a classificação ACEA do óleo recomendado pela fábrica e procure-a em outras marcas caso deseje utilizá-las.

Classificação OEM: Não obstante a criação da ACEA, os fabricantes, principalmente os Europeus, passaram a adotar classificações próprias de óleo, dado o regime de trabalho severo imposto por motores Turbo, ou a economia desejada de combustível em “versões ecológicas” e também aos intervalos de troca cada vez mais extensos, chegando a 30mil km em alguns casos.

Olhando com mais atenção nota-se que alguns fabricantes colocam suas classificações apenas em uma determinada marca de óleo (a que se tem alguma parceria) porém felizmente isso é exceção.

A classificação OEM geralmente vem acompanhada de alguma sigla que faça alusão à marca, ou o próprio nome da mesma, e um número. O óleo correto para o seu motor deve ter todo o código de acordo com o especificado.

Esta classificação, mais compacta, substitui a necessidade de se observar viscosidade, API e classificação ACEA. A homologação do fabricante indica um óleo que está, sob todos os aspectos, de acordo com os requerimentos para aquele motor.

Vale ressaltar que a classificação OEM possui diversos tipos e finalidades. Ao se olhar num óleo a homologação VW501.01, não significa afirmar que ele pode ser usado em toda linha VW. Procure àquela referente ao motor do seu carro.

Nota importante: O intervalo de troca do óleo é determinado pelo fabricante do veículo, não pela base do óleo (Mineral, Semi Sintético, etc).

Caio Ferrari

  • Cil

    Interessante. O manual do Picanto vem falando dessas especificações ACEA e API… mas não diz exatamente qual o óleo deve ser utilizado no formato xxWyy… afinal existe 5w20, 5w30, 5w40 que podem servir… qual usar?????

    Daí, a gente acaba tendo que ligar na concessionária para saber qual o óleo a usar para completar o volume quando necessário ou então vai acabar misturando óleos de viscosidade diferente.

    • Caio_Ferrari

      Veja qual óleo vem de fábrica.

      O importante é você ver qual a viscosidade "quente" (o número yy) que a Kia homologa para o motor. Isso você deve seguir. O número xx deve ser igual ou inferior ao recomendado pelo fabricante, como está no texto.

    • tandre_br

      Tá precisando completar entre revisões já?

      O ideal é comprar já na concessionária, qdo fizer a revisão, pra saber ao certo qual eles botaram tb.

  • sadala31

    Excelente matéria!!!!!!! Só acrescentaria um detalhe. Detalhe besta, mas em todo caso……..a viscosidade também é uma medida do filme do óleo. Quanto maior a sua especificação, maior será a espessura do filme que protegerá as partes móveis do motor. Porém, quanto maior a viscosidade, maior será a dificuldade do óleo "circular" como você bem disse. Óleo com especificações maiores só é benéfico em motores já muito rodado.

  • GuiCastro

    Então, se meu carro está andando com 15W40 e eu quiser colocar 5W40, tudo bem?

    • pablogarcia

      Não, você não pode baixar a especificação, apenas manter ou aumentar. Em motores rodados deve ser usado um óleo com especificação maior.

      • Sanvido

        Aonde você leu que não se pode baixar a especificação do óleo? Desde que o óleo esteja espeificado pela montadora ele pode ser utilizado.
        Exemplo, no manual do meu carro estão listados os óleos 5W40 ou 15W40, mesmo que eu esteja usado o óleo 15W40 eu posso passar a utilizar o 5W40.

        • Caio_Ferrari

          Mas nem sempre isso esta escrito. Alguns fabricantes, por quererem empurrar óleos homologados deixam uma viscosidade só.
          Respeite a viscosidade quente "yy" e a viscosidade "fria" (xx) deve ser menor ou igual a original. Em qualquer caso, essa regra é válida.

      • Caio_Ferrari

        Sugiro fortemente que você releia o texto.

      • tandre_br

        Você falou exatamente o contrário.

        5W40 num motor que usa 15W40 não tem problema nenhum e é ótimo.

        Não pode é 15W50 nem 20W50, que lubrificam menos.

        • pablogarcia

          Também penso assim, mas discutindo com um amigo meu ele me mandou o seguinte link:
          http://www.motorshow.com.br/edicoes/304/artigo964

          No final do texto diz que não posso retroceder. Até tenho vontade de botar o 5W30 no meu motor (teoricamente seria melhor), mas depois de ler este link desisti. Se está errado é como eu disse lá em cima no meu comentário: é muita informação diferente e errada, então estes artigos no NA servem para isto, informar e para que possamos discutir e compartilhar conhecimento com a comunidade NA.

          • tandre_br

            Mais uma vez, só pra constar, pra ver se você entende o que tá lendo.

            "retroceder na escala API".

          • Caio_Ferrari

            Pablo, escala API é uma coisa, viscosidade é outra! RELEIA OS TEXTOS!

            • pablogarcia

              "Uma recomendação 10W40 do manual, por exemplo, pode subir para 20W50 nos motores com 70 mil km ou mais. Vale ressaltar que você pode subir na escala API, mas nunca descer, já que o desgaste do motor seria inevitável."

              Estas duas frases em sequencia me confundiu junto com meu amigo que dizia o mesmo. Enfim, serviu pra vocês me alertarem e eu aprender direito xD.

              Valeu Caio. Abraço.

    • Caio_Ferrari

      Sim! Pode usar até um 0W40 se quiser.

  • pablogarcia

    Muito bom. É fácil encontrar quem não conheça estas especificações e que bote qualquer óleo no motor.

  • DougSampaNA

    O manual do corsa 1.6 diz que o óleo adequado éno mínimo 15w40 indo até 20w50, eu usei 10w40 por um bom tempo, aí percebi que pela kmtragem do carro, 86 mil kms, era hora de voltar para o 15w40; motivo, óleo vazando levemente pelo mancal do comando de valvulas, usando o 15w40, o vazamento cessou e o motor está sequinho de novo por fora.
    Troco a cada 5 mil kms e uso semi-sintético, resultado, até meu mecanico quer meu carro quando for vender…daqui uns mêses.

    • Caio_Ferrari

      Doug, se com 15w40 não vaza óleo, não faz o menos sentido que vaze com um 10w40 ou até mesmo um 0w40.

      A diferença entre esses óleos é SOMENTE a fluidez em baixas temperaturas.

  • vjtarkan

    qual o do Cerato?

  • AndredeQueiroz

    Podiam explicar detalhadamente o significado do xx e YY, não?!?! O que significa os números 5, 15, 30, 40..

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