
O alívio recente nos preços de combustíveis lá fora está virando nota de rodapé diante de um risco maior: falta de estoque de petróleo em escala global.
Executivos da indústria disseram ao Politico que avisaram o governo Trump sobre inventários chegando a “níveis perigosamente baixos” e um possível salto de preços em semanas.
A raiz do problema seria o fechamento do Estreito de Hormuz, que obrigou empresas a consumirem reservas para manter o abastecimento enquanto rotas e cargas eram rearranjadas.
Com esse colchão sendo usado, a preocupação agora é simples e brutal: o mercado pode encarar um “fundo do tanque” justamente entre meados e o fim de junho.
Um executivo resumiu o clima dizendo que o alerta chegou “aos níveis mais altos do governo” e que o momento pede atenção total aos números de estoque.
Autoridades da administração tentaram minimizar, mas a conversa já está pública há algum tempo, com dirigentes do setor repetindo o mesmo recado em eventos e conferências.
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Na 42ª Bernstein Strategic Decisions Conference, Neil Chapman, vice-presidente sênior da ExxonMobil, afirmou que os estoques estão em patamar “nunca visto” de tão baixos.
Segundo Chapman, quando se cruza esse limite de inventário muito reduzido, o Brent datado poderia saltar para algo como US$ 150 (R$ 760) a US$ 160 (R$ 811) por barril.
Para entender o tamanho do choque, o Brent vinha sendo negociado pouco abaixo de US$ 93 (R$ 471), o que sugeriria uma alta aproximada entre 61% e 72%.
Esse tipo de movimento não fica contido aos Estados Unidos, porque o Brent é referência global e influencia custos de importação, logística e preços de derivados em vários mercados.
Dados da Energy Information Administration apontam que os estoques de petróleo bruto mantidos por empresas caíram 8 milhões de barris na última semana, na oitava queda semanal seguida.
O mesmo conjunto de dados indica que esses estoques estão 3% abaixo da média de cinco anos, enquanto inventários comerciais teriam recuado 52 milhões de barris desde fevereiro.
Parte do baque do fechamento de Hormuz foi amortecida por liberações da reserva estratégica, dentro de um esforço coordenado para segurar preços e acalmar o mercado.
Ainda assim, o relato é de que os inventários globais vêm caindo em torno de 5,8 milhões de barris por dia desde o início da guerra, corroendo a margem de segurança.
O cenário piora porque o impasse entre Irã e Estados Unidos voltou a esquentar, e apesar de repetidas falas de que um acordo estava próximo, nada se materializou.
Mesmo que um entendimento aconteça e Hormuz seja reaberto por completo, o ajuste não é instantâneo, porque estoque perdido não se recompõe da noite para o dia.
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