
Poucas cores mudam tanto a percepção de um carro quanto um preto capaz de apagar quase todo o volume diante dos olhos.
Há sete anos, a BMW exibiu um X6 SUV revestido com Vantablack, pigmento capaz de absorver 99,97% da luz incidente.
A solução chamava atenção por tornar o veículo quase plano visualmente, mas sua delicadeza impedia uso realista na rotina automotiva.
Esse material usa nanotubos de carbono, estruturas que capturam praticamente toda a luz visível e já foram produzidas por deposição de vapor.
O Vantablack aparece em pesquisas científicas e aplicações militares justamente por ficar quase imperceptível à noite, embora não tolere bem a vida nas ruas.

Pesquisadores na China agora propõem uma alternativa quase tão escura, mais adequada a veículos e viável para produção em escala.
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A nova fórmula mistura negro de fumo em escala nanométrica com nanotubos de carbono, dois componentes mais comuns e mais fáceis de obter.
Segundo os pesquisadores, o negro de fumo se deposita sobre os nanotubos e também dentro deles, ampliando o caminho percorrido pela luz.
Assim, em vez de refletir a iluminação de volta ao observador, o acabamento espalha essa luz por múltiplas superfícies microscópicas.
A textura final reúne picos e vales quase invisíveis, criando uma armadilha óptica capaz de absorver mais de 99,90% da luz recebida.

Tecnicamente, o resultado fica atrás do Vantablack da BMW, mas a diferença visual ainda entrega um preto profundo e pouco comum.
O ganho mais importante está na resistência, porque o acabamento original era frágil demais para encarar lavagens, poeira, toques e uso prolongado.
Nos testes citados, a nova camada suportou 95% de umidade a 104 °F e também ficou 10 dias submersa sem deterioração visível.
Ainda assim, riscos continuam sendo uma preocupação, pois qualquer marca clara pode se destacar muito sobre uma superfície quase sem reflexão.
A pesquisa buscou aproximar esse tipo de pintura de processos convencionais, além de permitir volume suficiente para aplicações automotivas.
O estudo publicado na Matter & Light afirma que a aderência melhorada é um fator decisivo para qualquer acabamento usado em veículos de produção.
Mesmo com ensaios em calor, umidade e água, os autores não avaliaram durabilidade automotiva de longo prazo em condições variadas.
Essa etapa teria de incluir resistência a riscos, abrasão, radiação ultravioleta e manutenção da capacidade de permanecer ultranegra após anos de uso.
A comparação com revestimentos tradicionais mostra como a margem é estreita, já que o negro de fumo sozinho pode absorver 99,8% da luz.
Os nanotubos e a área extra reduzem apenas cerca de 0,05% da reflexão, mas essa fração importa em acabamentos levados ao limite.
A CarBuzz observa que compradores em busca de exclusividade sustentam o mercado de pinturas especiais, envelopamentos e até Tesla Cybertrucks polidos à máquina.
Durante o dia, um acabamento ultranegro pode transformar um carro em peça de exposição, escondendo vincos, volumes e detalhes tridimensionais do desenho.
À noite, porém, o efeito levanta uma questão prática, porque um veículo que se mistura à escuridão pode virar desafio para outros motoristas.
O fascínio está justamente nesse contraste: uma pintura feita para destacar o carro pela ausência quase total de brilho, forma e reflexo.
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