Opala Comodoro: versões, motores, detalhes, fotos

Comodoro 1979

O Opala Comodoro aliava conforto e esportividade na medida certa quando chegou ao mercado nos anos 70.


No início, ele era uma versão de luxo, que depois ficou abaixo da nova versão Diplomata, a partir de 1979.

Com marcas de respeito como a Ford e a Chrysler vendendo modelos de luxo, a Chevrolet não poderia ficar de fora desse nicho e resolveu apostar numa nova versão do Opala, seu modelo mais luxuoso: o Opala Comodoro.

Vamos então falar um pouco do início do Opala Comodoro no Brasil.

Opala Comodoro é lançado em 1975

A nova versão de luxo do Opala, o Opala Comodoro, assim como as demais versões, aliava a excelência do projeto alemão à mecânica robusta norte-americana, mas vinha com um requinte que os demais modelos não tinham.

Para se diferenciar dos irmãos, o Opala Comodoro apresentado em 1975 vinha com pintura metálica (item exclusivo da linha Comodoro) e teto revestido de vinil – no sedan ele cobria o teto todo e no cupê somente uma parte do teto era revestido com o material.

Isso tudo sem contar os detalhes externos cromados que reforçavam ainda mais a essência de sofisticação que o modelo tinha.

No quesito motorização, o Opala Comodoro usava o propulsor 2.5 de quatro cilindros ou o potente motor 4.1 litros, com 31,3 kgfm de torque disponíveis logo aos 2.400 rpm.

Para reforçar o lado esportivo, a Chevrolet trazia o câmbio manual de quatro velocidades para dar mais vivacidade ao modelo.

Com esses números, o Opala Comodoro acelerava de 0 a 100 km/h em 15,3 segundos e atingia a máxima de 165 km/h, números chamativos para um modelo que nasceu na metade dos anos 1970.

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No interior do Opala Comodoro, a Chevrolet apostava alto no requinte com apliques de jacarandá e bancos dianteiros reclináveis, fora o belíssimo volante com um aplique de madeira ao centro e com o nome “Comodoro” escrito no centro.

Outros itens, como direção hidráulica e ar-condicionado, completavam o requinte numa época onde o lema era “quanto mais, melhor”.

No ano seguinte, o Opala Comodoro recebeu uma nova opção de motorização chamada 250-S, que trazia tuchos mecânicos, maior taxa de compressão, um novo comando esportivo e carburador duplo, que resultavam em uma potência maior.

Para 1977, o Opala Comodoro recebeu a opção de um câmbio com relações mais longas e um novo motor de quatro cilindros com 98 cavalos.

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O Opala Comodoro veio com o intuito de substituir a linha Gran Luxo e revitalizar a marca perante as rivais que começavam a apresentar modelos como o Ford Landau e o Dodge Dart em suas versões mais completas e luxuosas.

Prova disso foi a incrível marca de 500.000 unidades vendidas do Opala, alcançada em 1978, provando que a Chevrolet ainda tinha muito prestígio perante seus concorrentes e um apreço enorme de seus clientes.

A linha Opala Comodoro ganharia uma profunda reformulação no início dos anos 1980 e perduraria com algumas alterações até o final de sua linha em 1992.

Opala Comodoro nos anos 1980

Ao atravessar a linha do tempo e chegar nos anos 1980, o Opala provava que modelos grandes ainda tinham sua visibilidade e estavam em voga.

No caso do Opala Comodoro, ele ainda tinha seu status de modelo de luxo, mas agora ficava num patamar abaixo do Diplomata, o novo modelo topo de linha do Opala. Mesmo com esse novo reposicionamento, o Opala Comodoro mantinha um status luxuoso.

A carroceria ganhava novas linhas condizentes com o estilo da época, saindo de cena as linhas curvilíneas e entravam as linhas mais retas e com cantos mais angulosos.

Na dianteira os faróis redondos deram lugar aos novos mais retangulares, com as luzes de indicação de seta nas laterais de cor laranja.

A grade do Opala Comodoro ficou ligeiramente menor e ostentava no centro o logo azul da Chevrolet. O capô continuava longo, mas agora tinha menos linhas salientes e nas laterais um friso com apliques cromados contornava o modelo.

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As janelas não tinham moldura e passavam a esportividade do modelo na versão cupê.

No interior, um novo painel com elementos mais retangulares e quadrados entrou no lugar do luxuoso e suntuoso painel do Opala Comodoro de 1975.

Agora o ambiente dentro do Opala Comodoro estava mais sóbrio e elegante com revestimento de tecido na cor preta por todo o interior. O plástico também começava a dominar o interior, prevendo um futuro sem volta.

O Opala ainda oferecia pintura metálica, direção hidráulica, câmbio de quatro velocidades e retrovisor direito – sim, foi o que você realmente leu – como opcionais de fábrica.

Na parte mecânica, o novo Opala Comodoro recebia hélice no radiador com embreagem eletromagnética e válvula equalizadora no freio.

Para 1982, o Opala Comodoro ganhava um novo tanque de combustível maior – com 84 litros – que mal cabia no seu lugar de origem e acabava invadindo o porta-malas.

Por falar nele, o compartimento agora ganhava abertura elétrica. Na traseira, o modelo perdia as icônicas lanternas redondas duplas e recebia no lugar as lanternas retangulares com elementos simples e condizentes com a época.

Para tentar bater a crescente vantagem que o moderno Monza tinha, a Chevrolet introduziu em 1988 a versão SL/E no Opala Comodoro e fez com que o modelo resistisse por mais um tempo.

No mesmo ano, a linha Comodoro recebeu a coluna de direção ajustável, saídas de ar para os passageiros do banco traseiro, temporizador nos vidros, luz interna e outros pequenos mimos para deixá-lo ainda mais confortável e luxuoso.

Opala Diplomata, o sucessor do Opala Comodoro

Vários anos antes de sair de linha (em 1979), a Chevrolet apresentou uma nova versão que ficou acima do Opala Comodoro, chamada de Diplomata.

A versão fez tanto sucesso que se estendeu até o final de sua linha em 1992, conforme a foto abaixo.

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Este, sem dúvida, é o Opala mais famoso e conhecido, o Diplomata.

No modelo de 1985, o Opala Diplomata vinha com motor 4.1 litros seis cilindros em linha com 134 cavalos de potência e 30,1 kgfm de torque (confira aqui Opala Diplomata: motor, detalhes, etc), o que o fazia um dos modelos mais potentes da categoria.

Como a Chevrolet tinha o Opala Comodoro abaixo, o Diplomata precisava ter mais requinte para se fazer valer como modelo mais caro da gama.

O interior trazia um novo painel, com direito a um novo volante com desenho exclusivo da versão. Ele ainda tinha mostradores com novo desenho, relógio digital integrado e rádio toca fitas da Bosch.

O acabamento dos bancos e do forro interno era em duas tonalidades e os bancos ganhavam apoio de cabeça ajustável. O modelo ainda ganhava vidros elétricos, travas elétricas e espelhos retrovisores elétricos também.

No banco traseiro, havia ainda um descanso de braço central que, quando estava arqueado, transformava o banco em duas espaçosas poltronas extremamente confortáveis.

O modelo se despedia do mercado em 1992 quando completava também mais de 1 milhão de unidades vendidas.

Para fechar com chave de ouro, a Chevrolet preparou cerca de 150 unidades do Opala Diplomata – versão que substituiu a versão Opala Comodoro como a topo de linha – com câmbio automático.

Além disso, ainda lançou 200 unidades da versão perua (a saudosa Caravan), que vinham com um certificado, uma fita de vídeo com a cronologia do modelo e chaves banhadas a ouro, sendo chamado de Opala Collectors.

Curiosidades sobre a linha Opala no Brasil

O que talvez muitos talvez não saibam, é que o mítico Opala já teve versões que participaram de corridas e na maioria das vezes ganhavam.

Claro que eram modelos preparados e que dificilmente veríamos nas ruas, mas que eles existiram e isso não tem como duvidar. O mesmo não se pode dizer de algumas versões que nem se quer viram a luz do dia.

Um dos exemplos mais conhecidos foi a tão sonhada versão picape do Opala, que teria seus moldes nas Chevrolet El Camino ou na Chevelle.

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Existiram flagras e até esboços que foram feitos por revistas especializadas na época, mas tudo acabou por ficar apenas na imaginação, pois mesmo que algum modelo tenha sido de fato produzido em escala real, sem aprovação da matriz, com certeza deve ter conhecido a fornalha do departamento de design da marca.

Outro modelo que chegou a ser cogitado para ser comercializado foi a versão hatch do Opala Comodoro. O modelo teria versões com duas e quatro portas e seguiria a mesma linguagem visual da linha vigente.

Ele não existiu por conta do estilo que não agradou potenciais consumidores e pelo fato de que modelos com quatro portas ainda não eram bem vistos pela imprensa e pelos consumidores de modo geral.

Por falar em modelos de quatro portas, a nossa Caravan é basicamente uma versão nacional do Opel Rekord e não oferecia a versão de quatro portas que existia na configuração europeia.

Segundo relatos, uma perua com quatro portas ainda não era bem vista, pois passaria a impressão de que o modelo era destinado a frotistas e empresas de telefonia ou governamentais.

Em contrapartida, o modelo de duas portas foi amplamente utilizado como ambulância e viatura de polícia e do corpo de bombeiros por muito tempo.

Sucessores e futuro

Histórica e mercadologicamente falando, sabemos que o Opala foi substituído em 1992 pela linha Omega.

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O modelo ficou em vigor até 1998 e voltou em seguida importado da Austrália (e posteriormente importado dos Estados Unidos) como a versão do Chevrolet SS ou, como era conhecido no mercado australiano, como Holden Comodore.

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Mas após isso a Chevrolet só tentou emplacar um sedan grande com o Malibu, que rivalizava com o Ford Fusion e Volkswagen Passat, mas por conta da alta do dólar e de outros acontecimentos, o modelo durou pouco tempo no nosso mercado.

Especula-se que futuramente a Chevrolet novamente traga para o nosso mercado a nova geração do Malibu, que fora recentemente atualizada.

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E quanto ao Opala, muitos entusiastas sonham um dia com sua volta, desejando que o modelo renasça de outro modelo mítico, no caso o Camaro.

O que não seria uma má ideia, mas se atualmente o modelo vendido aqui sai por R$ 475.890 na versão cupê e R$ 522.500 na versão conversível, quanto sairia um Opala baseado nele?

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Seja como for, o Opala Comodoro foi e sempre será referência da época de ouro da Chevrolet no Brasil com seu motor potente e moderno e interior com muito luxo e extremamente confortável.

Um carro que ainda encanta os admiradores e que ainda vira pescoços cada vez que passa na rua.

Ficha técnica

Opala Diplomata 1985

Motor:  longitudinal, 6 cilindros em linha, 4.093 cm3, comando de válvulas simples no bloco, carburador duplo; 134 cavalos a 4.000 rpm; 30,1 kgfm a 2.000 rpm

Câmbio: manual de 4 m, tração traseira

Dimensões: compr., 480 cm; larg., 177 cm; alt., 137 cm; entre eixos, 267 cm; peso, 1.220 kg

Pneus: 195/70 R14

Opala Comodoro 1975

Motor: longitudinal, 6 cilindros em linha, 4.100 cm³, carburador de corpo duplo

Potência: 148 cavalos a 4.000 rpm

Torque: 31,3 kgfm a 2.400 rpm

Câmbio: manual de 4m, tração traseira

Dimensões: comprimento, 467 cm; largura, 176 cm; altura, 138 cm; entre eixos, 267 cm; peso, 1.190 kg

Freios: disco na dianteira e tambor na traseira

Pneus: 7,35 x 14

Opala Comodoro SL/E 4.1 1988

Motorlongitudinal,6 cilindros em linha, carburador de corpo duplo, a álcool
Cilindrada4097 cm3
Potência134,4 cavalos a 4 000 rpm
Torque30,1 kgfm a 2000 rpm
Câmbiomanual de 4 marchas, tração traseira
Dimensõescomprimento, 480 cm; largura, 177 cm; altura, 137 cm; entre eixos, 267 cm
Peso1220 kg
Suspensão dianteiraMcPherson
Suspensão traseiraeixo rígido com molas helicoidais
Pneus195/70 R14 radiais

Autor: Kleber Silva

Kleber, 28 anos, designer e apaixonado por carros desde pequeno. Formado em design gráfico pela UNIP, ouvinte assíduo de música pop e master chef nas horas vagas.