Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

O Opala Diplomata foi uma versão topo de linha do clássico modelo da Chevrolet que existiu entre 1979 e 1992, sendo uma das mais caras e desejadas opções que o mercado brasileiro tinha nos anos 80 e início dos anos 90.


Acima do Comodoro, que fora a mais luxuosa versão do Opala nos anos 70, o Diplomata surgiu para suprir a carência do mercado por versões mais luxuosas e equipadas dos modelos oferecidos.

Nos anos 70, o Brasil perdeu pelo menos meia dúzia de modelos considerados executivos, como FNM 2150, Chrysler Esplanada, Ford Itamaraty, Ford LTD, Ford Aero Willys, entre outros.

Estes modelos deixaram uma lacuna que o Opala Comodoro não podia atender. Assim, na primeira e única atualização de estilo do médio da General Motors, a marca decidiu lançar a nova opção.

Com o fim dos modelos da Chrysler (Dodge) e do Ford Landau, o mercado brasileiro ficou órfão de versões e modelos realmente luxuosos. Restando assim apenas quatro marcas, o Alfa Romeo 2300 Ti foi o último sobrevivente dos anos 70.

Ao longo dos anos 80, o Opala Diplomata concorreu apenas com ele, visto que os modelos Volkswagen Santana GLS e Chevrolet Monza Classic estavam em um nível abaixo no segmento de mercado.

De fato, estes se tornaram os mais desejáveis para a classe média, visto que eram mais modernos também. No caso do Diplomata, a concepção antiga do produto ainda era apreciada, com o conforto a bordo e o requinte.

Além disso, o Opala tinha linhas mais elegantes, ainda que antiquadas, bem como um motor grande, sendo o único carro (com o Alfa 2300) com motores grandes (acima de 2.0 litros) nos anos 80, mas o italiano sairia de cena em 1986.

Contudo, o único com motor de seis cilindros era o modelo, embora oferecido nas versões de acesso e Comodoro. O motor 4.1 foi o mais potente do mercado, tanto com gasolina quanto com etanol.

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

A transmissão automática de três marchas atraiu a atenção dos mais exigentes, mas a GM chegou a trocá-lo por um de quatro marchas. Além disso, trazia tração traseira, o que era ótimo para guiar.

Numa época em que couro nos bancos não era valorizado, o Diplomata tinha acabamento de primeira, tendo ainda ar condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, travas elétricas, retrovisores elétricos, vidros verdes, entre outros.

Mesmo com algumas mudanças na mecânica, o Opala Diplomata evoluiu muito pouco em seus 13 anos de mercado, até que fora superado pelo alemão Chevrolet Omega CD, que tinha um seis em linha 3.0 da Opel.

Ainda assim, o Diplomata deixou como legado o motor 4.1 para o Omega posterior, que acabou sendo substituído pelo por duas gerações de modelos australianos, sendo hoje todos extintos, incluindo a marca Holden, que enviava os carros.

No mercado de carros antigos, o modelo nessa versão é bastante cobiçado, devido sua marca na história do automóvel nos anos 80, quando o Brasil vivia um período de isolamento desde 1976, tendo importações bloqueadas.

Tudo mudou em 1990, quando o “admirável novo mundo” se abriu com a queda do “muro” que impediam a entrada de carros importados, bem como a “reconstrução” do mercado nacional com “transparência” na inclusão de tecnologias.

Com o ronco dos novos tempos, o Opala Diplomata rapidamente denunciou o ostracismo que o Brasil vivia, ainda que os entusiastas amem os carros daquela época, sendo necessária sua substituição imediata.

Enquanto não havia opções no hermético mercado brasileiro, o luxuoso da GM era o que havia de status para o comprador rico, que ainda podia escolher a carroceria cupê com duas portas ou a perua Caravan Diplomata, a mãe das peruas.

O silvo característico, a suspensão dianteira baixa e a traseira longa, eram facilmente reconhecíveis num universo de poucos modelos e marcas, onde o que havia de estranho eram os poucos importados de embaixadas e os fora-de-série.

Opala Diplomata a origem

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

A origem do Opala Diplomata remonta aos anos 60. Lançado em 1968, o Opala era uma versão brasileira do alemão Opel Rekord, mas usando parte da mecânica do Chevrolet Impala dos EUA.

Ao chegar ao mercado, havia uma versão Luxo, que acompanhava uma opção de acesso, chamada Standard. Na época, essas duas opções vinham com motores 2.5 (153) e 3.8 (230) litros.

Em 1971, a General Motors não tinha um carro acima do Opala e decidiu ampliar o requinte deste com a versão Gran Luxo, que assim como a Luxo, que permaneceu no mercado, tinha opções das duas carrocerias e dos dois motores.

Pouco depois, a GM decidiu introduzir no Opala Gran Luxo o motor 4.1 (250), que era exclusivo do Opala SS, a versão esportiva da época. Assim, o antigo 3.8 saíra de cena no modelo brasileiro.

As coisas para o modelo seguiram normalmente até 1975. Nesse ano, a Chevrolet lança no mercado nacional o Opala Comodoro. Tratava-se de uma versão de luxo que substituía a Gran Luxo.

Tinha vários requintes, como painel em jacarandá, teto de vinil Las Vegas para o cupê e vinil completo, bem como detalhes visuais externos exclusivos. O Comodoro chegou numa atualização de estilo do Opala.

Com a versão Especial na linha de entrada, a Luxo como intermediária e a SS como esportiva, o Opala somava com o Comodoro. Dado o fim de vários modelos executivos dos anos 60, em meados dos anos 70, a GM acertou na proposta.

Na GM, os clientes que ainda buscam um sedã com algum luxo vão encontrar o Chevrolet Cruze, que sucedeu o Vectra e o Monza. Este modelo é feito atualmente na Argentina, mas não terá futuro longo, visto que deixou de existir no exterior.

Após seu fim, o legado do Opala Diplomata estará completamente encerrado, uma vez que o Onix Plus é um modelo popular, assim como o Monza chinês, cogitado para servir no mercado nacional.

Opala Diplomata é lançado em 1979

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

O Opala Diplomata foi lançado no final de 1979, mas já como modelo 1980. A nova versão topo de linha do Opala, que já tinha mais de dez anos de mercado, atraiu atenção num momento em que as opções do mercado se reduziam.

Apesar de ter sido lançado, não apareceu nas concessionárias senão em meados de 1980. Nessa época, a linha 80 ganhara uma frente retilínea com grade retangular e faróis quadrados, bem como novos pistas.

O Opala 80 tinha também para-choques laminados com faixas pretas, enquanto a traseira incorporava novas lanternas retangulares e contínuas, substituindo as circulares anteriores.

A traseira também teve a tampa do porta-malas ligeiramente modificada, assim como a parede traseira, ondo o bocal do tanque ficava atrás da placa de identificação do veículo.

O Opala Diplomata tinha como diferencial acabamento cromado da grade e dos faróis, assim como rodas de liga leve (inéditas na GM) e antena elétrica do rádio, bem como dois batentes nos protetores e frisos laterais pretos.

Contudo, apesar das mudanças exteriores, a linha 80 mantinha o antigo painel com mostradores circulares individuais e rádio embutido, assim como porta-luvas com tampa pronunciada.

Assim como no Comodoro, o topo de linha também tinha volante de dois raios, mas com o nome Diplomata ao centro. O painel imitava jacarandá e os mostradores analógicos tinham fundo preto, com conta-giros e velocímetro como principais.

Com difusores de ar circulares nas extremidades, o Diplomata vinha com ar condicionado de série, mas com aparelho e difusores de ar ainda sob o painel antigo. O console em vinil não tinha boa aparência e trazia relógio.

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

Os reguladores de velocidade do ventilador ficavam separados do conjunto de aquecimento, originalmente no painel. O Diplomata tinha ainda bancos em veludo, rádio toca-fitas e direção hidráulica de fábrica.

As mudanças na linha 80 ainda incluíram um tanque de 65 litros (55 antes), carburador duplo com dois estágios e mudança no posicionamento da alavanca do freio de estacionamento, que saiu da parte de baixo do painel.

Agora ele era localizado entre os bancos dianteiros, numa alavanca que o acompanharia até os últimos dias. Mesmo assim, o Opala não deixou de oferecer a transmissão manual de três marchas na coluna de direção, com freio de mão no painel.

Um opcional recorrente a todas as versões do modelo era o jogo de pneus radiais 195/70 R14 no lugar dos originais diagonais. No caso do Opala Diplomata, havia ainda teto de vinil (completo ou parcial) para sedã e cupê.

Além disso, o topo de linha tinha ainda transmissão automática de três velocidades e opção do motor 250-S (4.1/S), visto que o carro tinha o motor 151 (2.5) como opção de fábrica e era preciso pagar um extra pelo seis em linha.

O Opala Diplomata tinha estabilizadores mais espessos e rodas de tala larga, independente do motor. Em 1981, o modelo recebeu um novo painel, já com instrumentação dentro do mesmo corpo e painel com ar condicionado integrado.

Já o volante tinha dois raios, mas a opção de câmbio na coluna (com banco inteiriço na frente) só existia para as versões de frota, até o Comodoro. O cluster trazia ainda voltímetro e vácuometro.

No ano seguinte, volante acolchado, para-brisa laminado e vidros verdes passavam a fazer parte do pacote. Ainda mantendo as opções de interior marrom ou preto (incluindo os bancos), o Opala Diplomata ganhou o tanque de 84 litros.

Em 1985, foi a vez da aparência que o tornou famoso, a frente com faróis de neblina ao lado dos faróis comuns, assim como para-choques laminados com ponteiras plásticas, molduras laterais e rodas diamantadas de múltiplos raios.

Este visual durou até a linha 1987, visto que a GM mudara a frente na linha 88 com faróis mais fluidos, porém, igualando o frontal das versões e fazendo o Diplomata perder sua exclusividade.

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

A própria nomenclatura mudara para Diplomata SE, mas com cluster de iluminação indireta, vidros elétricos, travas elétricas, coluna de direção com ajuste em 7 posições em altura, difusores de ar traseiros, entre outros.

Interessante foi a introdução do câmbio automático ZF de quatro marchas no lugar do antigo de três, que saiu de linha com o manual de três marcas das outras versões.

Tendo visto as mudanças de suspensão (amortecedores pressurizados e nova barra estabilizadora) e tração (cardã em duas peças), o Opala Diplomata ainda receberia um tanque de 91 litros e lanternas escurecidas ao final dos anos 80.

Antes de dizer adeus, o Diplomata 91 recebeu rodas aro 15 polegadas com pneus 195/65 R15, além de para-choques envolventes e grade atualizada. Os retrovisores passaram a ser embutidos e as portas dianteiras perderam quebra-vento.

Opala Diplomata e seus motores

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

O Opala Diplomata tinha duas opções de motor, sendo um quatro cilindros 2.5 e um seis em linha 4.1, com ambos identificados ainda por polegadas cúbicas, com 151 no primeiro e 250 no segundo.

Quando o Diplomata surgiu, os dois motores adotaram carburador duplo de dois estágios, com o 2.5 (2.474 cm3) e o 4.1 (4.097 cm3). O primeiro rendia 90 cavalos na gasolina e 98 cavalos no álcool, tendo 18/20 kgfm, respectivamente.

Em meados dos anos 80, o 151 teve sua potência variando de 88 a 92 cavalos na gasolina, enquanto o álcool rendeu de 103 cavalos em 1980 a 112 cavalos em 1990.

Já o seis em linha mais querido do Brasil, o 4.100 da GM, tinha 121 cavalos (132 cavalos brutos) na gasolina e 132 cavalos no álcool, entregando entre 29 e 32 kgfm. Ele chegou mesmo a dispor de 141 cavalos com o combustível vegetal.

Todas as atualizações desses motores entre 1980 e 1992, foram inseridas no Opala Diplomata, que ainda tinha transmissão manual de quatro ou cinco marchas e automática com três ou quatro velocidades (a partir de 1988).

Apesar de ser oferecida no Opala até 1987, a caixa manual de três marchas nunca foi usada pelo Diplomata, apenas as versões de entrada e Comodoro.

Consumo

O consumo do Opala Diplomata é de 7 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada com gasolina e 3,8 km/l na cidade e 6,6 km/l na estrada com álcool, conforme teste da revista Quatro Rodas de abril de 1988.

Sucessores e futuro

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

Assim como o Opala Diplomata, o Chevrolet Omega foi produzido pela General Motors em São Caetano do Sul. O sedã chegou com a perua Suprema para substituir Opala e Caravan.

Com seis anos de atraso em relação ao Opel Omega, que ainda originou um irmão maior, o Senator CD, o novo carro da Chevrolet estava a 20 anos (luz…) de distância para o velho carro-chefe da GM.

Feito sobre uma plataforma bem mais avançada, que ainda preservava a tração traseira, o Omega CD chegou para tomar lugar do Diplomata, assim como a GLS para o Comodoro. Ele chegou a ter versão GL de entrada.

Embora a GM jamais tenha adaptado o motor Família II 2.0 do Monza no Opala, o Omega GLS o recebeu, mas o CD trazia um seis cilindros em linha 3.0 alemão, que tinha 12V e injeção eletrônica multiponto.

Ele tinha comando de válvulas no cabeçote, acionado por correia dentada, porém, o propulsor era todo construído em ferro fundido, diferente do 2.0, que pelo menos tinha o cabeçote de alumínio.

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

Com 165 cavalos, o Omega CD chegou como a resposta da GM para os importados de luxo, que entravam pelos “portos abertos às nações amigas” e rapidamente atraíram a nata dos ricos brasileiros.

Bem mais aerodinâmico, com maior área envidraçada, espaço interno superior e porta-malas muito mais generoso, o Omega CD tinha muito luxo a bordo e requinte, deixando o saudosismo do Opala Diplomata para trás.

Ele trazia ainda suspensão traseira multilink, transmissão manual com ré sincronizada e automática com quatro marchas, fora bancos em couro, bancos elétricos, cluster digital em LCD, teto solar elétrico, persiana traseira, entre outros.

Contudo, o motor alemã não correspondeu às expectativas no mercado nacional e a GM foi obrigada a trazer de volta para um automóvel, o velho 4.100, mas devidamente atualizado com injeção eletrônica e outros melhoramentos.

Atualizado pela Lotus, o 4.1 ficou mais econômico e alcançou 168 cavalos e 29,1 kgfm. O Omega CD chegou a ganhar apliques imitando madeira no interior, porém, durou até 1998.

Com o fim da produção nacional do Omega, após seis anos, a GM decidiu adotar no Brasil o australiano Holden Commodore VT, mas como Chevrolet Omega CD.

Opala Diplomata: motor, consumo, detalhes, anos e ficha técnica

Bem diferente do estilo europeu do primeiro, o segundo era mais americano e isso trazia mais requinte, embora distanciasse da preferência de muitos consumidores do Omega anterior.

Vinha com motor V6 3.8 12V com 200 cavalos e transmissão automática de quatro marchas, igualmente com tração traseira e suspensão independente. Em 2005, o Omega australiano ganhou o motor Alloytec V6 3.6 24V com 259 cv.

Entretanto, apenas dois anos se passaram e o Chevrolet Omega adotou uma nova geração, que manteria o V6 3.6, mas com uma atualização de meia vida, com injeção direta de combustível e chamada Fittipaldi, com 292 cv e 36,7 kgfm.

Em 2013, a GM encerra um ciclo de influência Opel com o fim do Omega, assim como de quase toda a gama da marca alemã, como Corsa, Astra, Vectra, Meriva e Zafira, por exemplo. Nunca mais haveria um sucessor do Opala Diplomata.

Ficha Técnica

Motor2.5 gasolina2.5 álcool4.14.1 álcool
Número de cilindros4 em linha4 em linha6 em linha6 em linha
Cilindrada em cm32474247440974097
Válvulas881212
Taxa de compressãoNDNDNDND
AlimentaçãoCarburadorCarburadorCarburadorCarburador
Potência máxima88/90/92 cv (98 cv no 151-S)103/112 cv121/132 cv (171 cv no 250-S)132/141 cv
Torque máximo19,8 kgfm19,8 kgfm29 kgfm (32,5 kgfm no 250-S)30,1/32,8 kgfm
Transmissão
TipoManual de 4 ou 5 marchasManual de 4 ou 5 marchas e automática de 3 ou 4 marchas
Tração
TipoTraseiraTraseira
Direção
TipoHidráulicaHidráulica
Freios
TipoDiscos dianteiros e tambores traseirosDiscos dianteiros e tambores traseiros
Suspensão
DianteiraBraço duploBraço duplo
TraseiraEixo rígidoEixo rígido
Rodas e Pneus
RodasLiga leve aro 14 polegadasLiga leve aro 14 ou 15 polegadas
Pneus195/70 R14195/70 R14 ou 195/65 R15
Dimensões
Comprimento (mm)4.7844.784
Largura (mm)1.7661.766
Altura (mm)1.3651.365
Entre eixos (mm)2.6672.667
Capacidades
Porta-malas (L)376376
Tanque de combustível (L)84 litros84/91 litros
Carga (Kg)420420
Peso em ordem de marcha (Kg)1.2701.360
Coeficiente aerodinâmico (cx)NDND

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.