
A distância entre a opinião dos entusiastas na internet e o comportamento dos compradores milionários acaba de ganhar um exemplo especialmente incômodo para os críticos.
O Ferrari Luce já alcançou a meta de vendas prevista para este ano, poucas semanas após sua apresentação oficial no fim de maio.
A fabricante italiana não revela publicamente qual era o objetivo, mas duas pessoas familiarizadas com o assunto forneceram detalhes ao Financial Times.
Segundo essas fontes, a projeção interna previa pouco menos de 500 unidades, cada uma com preço inicial de US$ 640.000 (R$ 3,57 milhões).
O resultado chama atenção porque a Ferrari comercializou menos de 14.000 carros durante todo o ano passado, considerando sua gama completa.

Uma das fontes afirma que a meta foi atingida ainda no início de julho, pouco depois da revelação do EV de cinco lugares.
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O modelo foi desenhado sob a participação de Jony Ive e representa uma tentativa de levar a marca a um público diferente do tradicional.
A China aparece como peça central dessa estratégia, reunindo compradores com alto poder aquisitivo e maior familiaridade com EVs de posicionamento premium.
Outro foco está em polos tecnológicos como o Vale do Silício, onde muitos clientes já utilizam EVs, mas procuram produtos mais exclusivos.
A Ferrari pretende vender aproximadamente 2.500 unidades do Luce até 2030, mantendo uma média próxima de 600 exemplares por ano.

Esse volume corresponderia a cerca de 5% das vendas anuais da empresa, proporção considerada plenamente viável por analistas consultados pelo Financial Times.
A rapidez das primeiras encomendas reforça essa avaliação e sugere que a procura poderá superar o ritmo inicialmente projetado pela fabricante.
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Parte da repercussão veio justamente da rejeição registrada após a estreia, motivada pelo desenho, pela carroceria de sedã e pela proposta inteiramente elétrica.
Alguns observadores chegaram a classificar o formato como um hatchback, ampliando a discussão sobre o afastamento das proporções normalmente associadas à marca italiana.
A empresa, porém, manteve a direção escolhida e passou a destacar as novas tecnologias, além da intenção de conquistar uma geração diferente de compradores.

O primeiro exemplar de produção será oferecido em um leilão beneficente da Sotheby’s durante a Monterey Car Week, marcada para agosto.
Essa unidade receberá uma configuração especial e deverá ultrapassar US$ 1,1 milhão (R$ 6,14 milhões), conforme a estimativa publicada pelo Financial Times.
Nem mesmo pessoas historicamente ligadas à Ferrari esconderam o desconforto, incluindo Luca di Montezemolo, antigo executivo-chefe da fabricante.
Montezemolo afirmou que revelar integralmente sua opinião prestaria um desserviço à companhia e poderia comprometer uma das maiores lendas do setor automotivo.
O ex-dirigente também declarou esperar que a Ferrari ao menos retirasse o cavalo rampante do Luce, tamanha sua discordância com o projeto.
Apesar das reações negativas, compradores suficientes já aceitaram a proposta para encerrar antecipadamente a meta comercial estabelecida para o primeiro ciclo.
O desempenho inicial indica que exclusividade, tecnologia e prestígio continuam pesando mais do que a aprovação dos fóruns especializados entre os clientes escolhidos pela Ferrari.






