
A disputa pelo mercado latino-americano de eletrificados ganha um novo capítulo com a Toyota preparando um investimento de US$ 1,3 bilhão na Argentina.
O projeto recebeu autorização das autoridades argentinas para produzir um veículo eletrificado no complexo de Zárate, próximo a Buenos Aires, segundo comunicado divulgado em 30 de setembro.
Atualmente, a unidade funciona como importante centro latino-americano de produção da Toyota, responsável pela picape Hilux, pelo SUV SW4 e pela van Hiace.
A fabricante não revelou qual modelo será produzido, mas uma possibilidade é a versão totalmente elétrica da Hilux, já fabricada na Tailândia.
A Hilux EV produzida no país asiático atualmente atende mercados da Ásia, Europa e Austrália, enquanto o SW4 também é comercializado globalmente como Fortuner.

O novo investimento prevê uma fábrica capaz de produzir EVs, híbridos convencionais e híbridos plug-in, seguindo a estratégia da Toyota de oferecer diferentes sistemas de propulsão.
A companhia não informou qual será a capacidade anual da instalação, deixando em aberto o volume que poderá sair das linhas argentinas futuramente.
Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, confirmou o avanço do projeto e afirmou que a medida abre caminho para produzir um veículo 100% elétrico.
Segundo Caputo, cerca de 70% da produção do novo modelo deverá ser destinada à exportação, reforçando a importância regional da operação argentina.
O empreendimento foi enquadrado no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos da Argentina, etapa que permite à Toyota avançar rumo à decisão final.
A expectativa é gerar 3.600 postos de trabalho durante a construção da instalação e outros 2.600 empregos quando a operação estiver funcionando.

Segundo a Toyota, o movimento reflete o potencial argentino para fortalecer ainda mais sua posição como base estratégica de produção e exportação para a América Latina.
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A iniciativa também acontece enquanto fabricantes chinesas ampliam rapidamente sua presença regional, principalmente por meio de EVs com propostas de preços mais baixos.
A BYD liderou esse mercado entre as marcas chinesas, alcançando 85.800 EVs vendidos em seis modelos na América Latina até julho.
Esse volume correspondeu a aproximadamente 58% das 147.493 unidades elétricas comercializadas em toda a região durante o mesmo período analisado.
Geely, Chery, Leapmotor, Changan, Great Wall e Anhui Jianghuai Automotive também disputam esse segmento, ao lado de fabricantes como General Motors e Tesla.
A própria Toyota vem acelerando sua expansão elétrica sem abandonar híbridos e motores a combustão mais eficientes dentro de sua estratégia de múltiplas tecnologias.
Até agosto, a fabricante vendeu 267.649 EVs globalmente, volume superior ao dobro do registrado no mesmo intervalo do ano anterior.
Outra frente dessa expansão começou em agosto de 2025, quando a Toyota iniciou a construção de uma fábrica dedicada à Lexus em Xangai.
Essa unidade terá capacidade para produzir 500.000 veículos, tornando-se mais uma peça importante na ampliação mundial das operações eletrificadas do grupo japonês.
Também em 2025, a companhia anunciou uma nova fábrica em Toyota City, prevista para entrar em funcionamento no início da década de 2030.
Será a primeira nova unidade da empresa no Japão desde 2009, embora os modelos destinados à instalação ainda não tenham sido detalhados oficialmente.
Na Argentina, a produção da Toyota cresceu 6,2% até agosto e chegou a 116.291 veículos, conforme os números mais recentes divulgados pela fabricante.
A empresa também mantém bases produtivas no Brasil e na Venezuela, embora não fabrique veículos em território venezuelano desde 2020.
Considerando as operações latino-americanas, a produção avançou 0,7%, alcançando 248.856 veículos até agosto, enquanto outro indicador divulgado subiu 0,8%, para 42.096 unidades.
As exportações regionais tiveram crescimento bem mais expressivo, avançando 47% e chegando a 46.411 veículos no período considerado pelos dados apresentados.
A Hilux EV foi apresentada neste ano e acumulava 35 unidades vendidas na Europa e na Nova Zelândia, segundo informações da consultoria automotiva MarkLines.




