Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Num período de transição entre o clássico dos anos 80 e a modernidade dos anos 90, a perua Volkswagen Parati ganhou um impulso para conquistar de vez os jovens, a Parati Surf.

Lançada como uma série especial em 1994, ela marcou o fim da primeira geração da familiar feita em Taubaté-SP, que já muito era apreciada por surfistas e amantes de esportes.


Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Assim como a Saveiro, a Volkswagen Parati também acabou caindo nas graças dos clientes jovens, que gostavam de curtir uma praia nos fins de semana e para isso precisavam de um carro que pudesse levar suas pranchas e outras coisas para o lazer no litoral.

A tática da VW já era bem antiga em 1994 e levou até à criação da Saveiro Surf.

Dessa forma, a VW se aproveitou da mudança de geração para acelerar a saída dos estoques e do fim da produção da Parati “BX” com a Parati Surf, que passou a adotar diversos itens e acessórios vistos em outros carros da marca.

Como a perua “quadrada” cativava os consumidores jovens, a escolha em usa-la ao invés da nova geração seria sábia, pois acarretaria no lançamento em realidade de uma série de despedida.

Parati Surf “quadrada”

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Fazia pouco tempo que a Parati ganhara uma versão topo de linha, a Parati GLS. Mas, em 1994, para encerrar a carreira da quadrada, a VW criou então a Parati Surf, que seria direcionada para os jovens praianos.

Para compor o visual, a perua jovial recebeu uma pintura apenas: Azul Havaí.

Junto com ela, a Parati Surf ostentava filetes de mesma cor nos para-choques pretos, sendo que o dianteiro não portava faróis de neblina, o que seria de esperar, mas em contrapartida, tinha faróis de milha circulares, que ficavam devidamente posicionados em suportes proeminentes diante da grade, que tinha acabamento cinza, assim como o logotipo da VW.

Os faróis eram comuns, assim como os piscas de lente branca.

A Parati Surf tinha igualmente retrovisores na cor do carro, bem como frisos laterais em preto e as necessárias barras longitudinais no teto, que eram bem altas, favorecendo a instalação de rack para oi transporte das pranchas.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

A Parati Surf era equipada com rodas de liga leve aro 14 polegadas com pneus 185/60 R14. Elas eram estranhamente elegantes e sendo as mesmas usadas pelo Santana, que também emprestaria mais algumas coisas.

Faixas decorativas Surf davam o tom da proposta da perua nacional. Na traseira, as lanternas verticais não eram escurecidas e a tampa do bagageiro tinha uma barra preta.

O vidro traseiro tinha limpador e lavador, assim como desembaçador. Os vidros eram verdes na Parati Surf.

Por dentro, a VW aplicava poucas mudanças para a familiar, que vinha com apoios de cabeça com elementos vazados, assim como alavanca de câmbio curta, usada no Gol GTS. Lembra do Santana? Ele também emprestou seu volante de quatro raios.

Este até combinava com o painel, mas não com a proposta da Parati Surf.

O cluster era o da atualização de 1988, era bonito e tinha relógio digital. O painel quadradão bem simples tinha um bom rádio toca-fitas. O ar-condicionado era item opcional, assim como a direção hidráulica. O acabamento geral claro contrastava com os bancos de padronagem agradável e saudosa.

Apesar da proposta, a Parati Surf não tinha vidros elétricos, muito menos travas elétricas ou retrovisores com ajustes eletrificados.

Havia somente controles manuais internos para os espelhos. A medida parecia evitar dar aos clientes itens de perfumaria, apesar do visual de fato parecer mais enfeitado do que muitos jovens gostariam.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Se a VW tivesse pensado melhor, teria colocado rodas de aço sem calotas e acabamento preto, assim como um sistema de som melhor e cor mais alegre e menos sóbria, como esse azul. O mesmo em relação ao visual dos assentos.

A Parati Surf tinha ainda o motor AP-1800S usado no Gol GTS, que entregava 96 cavalos a 5.200 rpm e 15,2 kgfm a 3.400 rpm, movido por álcool.

Havia ainda a opção de gasolina, mas o AP rendia 88 cavalos e 14,7 kgfm nas mesmas rotações.

O câmbio era manual de cinco marchas e com relações longas, o que ajudava na economia de combustível, uma vez que a Parati Surf era carburada. Com este conjunto motriz, a perua ia de 0 a 100 km/h em 11,3 segundos e tinha máxima de 169 km/h.

No álcool, o consumo rodoviário era de bons 11,5 km/l, enquanto na cidade ficava em aceitáveis 7 km/l.

A Parati Surf media 4,075 m de comprimento, 1,622 m de largura, 1,445 m de altura e 2,358 m de entre-eixos. Seu tanque de combustível comportava 55 litros, enquanto o porta-malas entregava 530 litros de volume.

Tudo isso representava um peso de apenas 985 kg.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Assim como outras versões daquela geração (como a Parati GL da foto acima), a Parati Surf empregava suspensão dianteira McPherson e traseira com eixo de torção, ambos com amortecedores telescópicos e molas helicoidais.

O sistema de escape, por exemplo, eram bem longo e proeminente na traseira.

Com motor e câmbio longitudinais, a perua tinha um comportamento com tendência a sair de frente, mas era divertida de dirigir. Seu espaço interno era limitado atrás e por isso três iam bem apertados, mas dois tinham algum conforto.

A altura limitada era ruim e o bagageiro ainda tinha que disputar espaço com o estepe vertical, algo bem típico dos anos 80.

O motor 1.8 entregava uma boa performance e o câmbio macio e preciso sempre tirou nota máxima nas avaliações das revistas e dos consumidores. Nem é preciso dizer que o AP ficou famoso pela durabilidade e resistência, especialmente à preparação.

Bem “old school”, a Parati Surf tinha ainda a “vantagem” de possuir quebra-ventos nas portas para quem dispensasse o ar-condicionado para curtir o vento na estrada ou brisa do mar…

Hoje em dia, poucas unidades desta Parati Surf de 1994 ainda existem, sendo que boa parte deve estar nas mãos de colecionadores ou entusiastas, que não dispensam a simplicidade e o visual jovem da pequena perua da Volkswagen.

Mas, esta acabaria retornando com a série especial muitos anos depois, mais precisamente 14 anos.

Parati Surf G4

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Depois da série especial, a Volkswagen encerrou a primeira geração da Parati e iniciou as vendas da segunda, a G2.

Após quatro anos, eis que surge o Gol G3 junto da Parati G3, aquela que traria o primeiro downsizing ao mercado, mas que fracassou por conta de uma série de fatores, incluindo o “cultural” do consumidor.

Poucos anos depois, então aparece a Parati G4, que nada mais é do que a G2 atualizada pela segunda vez e, na verdade, simplificada. Esperando atingir novamente os jovens surfistas ou amantes da praia, a Volkswagen relançou a Parati Surf em 2008.

Bem diferente da clássica dos anos 90, a perua popular agora tinha quatro portas e uma carroceria maior e de menor arrasto aerodinâmico, um dos pontos fracos da “Parati quadrada”.

A Parati Surf de 2008 era mais personalizada em relação às demais versões, chamando a atenção para a suspensão elevada, que era apoiada em rodas de liga leve aro 15 polegadas e de desenho interessante, incluindo a tonalidade cinza fosca. Seus pneus eram 195/55 R15.

O vão livre do solo era bom e o aspecto de crossover ficava evidente com uma série de detalhes na frente.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

O para-choque era preto, assim como molduras nas saias de rodas e frisos laterais. Os faróis de neblina circulares estavam presentes, assim como os faróis de milha igualmente redondos em molduras próprias.

A grade tinha frisos em preto fosco e logotipo cromado da VW, bem como moldura central em cinza com parafusos aparentes. Com design típico da marca na época, ousou ter um protetor central como um SUV, embora ainda que discreto.

Os faróis amendoados vinham com máscara negra e detalhe cromado no repetidor de direção.

Os retrovisores da Parati Surf 2008 eram da cor do carro, mas maçanetas e colunas eram em preto fosco, algo bem adequado à proposta, assim como a parte frontal. Faixas decorativas com nome Surf estampavam as laterais, enquanto duas barras longitudinais longas ocupavam todo o teto disponível.

Na traseira, a Parati Surf portava um para-choque com protetor junto à base da tampa do porta-malas, como era comum aos SUVs da época, mas não havia nenhum na parte inferior, que sequer tinha outros detalhes para que a versão se tornasse mais visualmente atraente.

As lanternas verticais eram escurecidas e a tampa tinha badge alusivo à versão.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Um aplique preto sobre a placa e defletor de ar preto proeminente sobre a grande vigia traseira, fechavam o pacote visual da Parati Surf 2008, junto com a antiga no teto e molduras laterais na base da carroceria.

Por dentro, a Parati Surf 2008 apresentava um ambiente em dois tons de cinza, sendo a parte superior do painel em tom mais claro, assim como nas portas.

O cluster era pequeno, diminuído com a simplificação da perua, tendo enorme velocímetro com nível de combustível e conta-giros agrupados nas laterais, bem como um computador de bordo.

Os difusores de ar circulares remetiam à simplicidade, assim como as portas com comandos dos vidros elétricos dianteiros em pequenos satélites. Os vidros elétricos traseiros eram acionados por botões no console do painel, que era cinza claro e tinha opção de rádio com CD player, bem como comandos do ar-condicionado, igualmente opcional.

O volante de três raios duplos era bem “expressivo” e hoje é muito usado em carros mais antigos, como o Fusca, por exemplo. Os retrovisores tinham controle interno manual e as travas eram elétricas.

A Parati Surf 2008 incluía ainda puxadores de portas recuados, bem como alavanca esportiva com detalhe cinza.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Havia um porta-copo no console e por causa da posição deslocada do condutor, evitou-se um segundo no lado do motorista. Já os pedais eram esportivos, dando ao modelo uma pegada mais esportiva.

A Parati Surf empregava uma padronagem diferenciada nos bancos, que tinham assentos elevados para apoiar melhor as pernas. Estes e os encostos tinham ainda abas largas e apoiavam bem o corpo. Teto e colunas eram claros. O banco traseiro era bipartido.

Nos anos seguintes, a Parati Surf ganhou um novo volante de quatro raios com comandos de mídia e telefonia, bem como rádio Connect com Bluetooth. A instrumentação também foi alterada, com fundo preto e velocímetro de fundo cinza.

Retrovisores elétricos, assim como ajuste milimétrico de altura e revestimento em couro no volante foram evoluções.

Um diferencial importante da segunda Parati Surf era a opção de dois motores. Nessa época, a Volkswagen ainda empregava o motor AP, mas aqui nas versões 1600 e 1800, ambos equipados com injeção eletrônica multiponto, um enorme avanço em relação ao clássico AP 1.8 de 1994. Além disso, eram “Total Flex”.

O AP-1600 tinha 101 cavalos na gasolina e 103 cavalos no etanol, ambos a 5.750 rpm. O torque era de 14,2/14,5 kgfm, ambos a 3.000 rpm, respectivamente.

Com esse motor, a Parati Surf 1.6 ia de 0 a 100 km/h em 11,2 segundos e tinha máxima de 183 km/h. O consumo era de 6,0/7,9 km/l no etanol e 9,3/11,9 km/l na gasolina, respectivamente cidade e estrada.

Parati Surf (quadrada e G4): anos, motor, consumo, equipamentos

Já o AP-1800 tinha 103 cavalos no derivado de petróleo e 106 cavalos no combustível vegetal, ambos a 5.250 rpm. Já o torque era de 15,5/16,0 kgfm a 3.000 rpm, respectivamente. O rendimento da Parati Surf 1.8 era de 6,0/7,9 km/l no etanol e 9,0/11,8 km/l na gasolina, igualmente em cidade/estrada.

No desempenho, a Parati Surf 1.8 rendia bem mais, indo de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos e máxima de 192 km/h. O câmbio era manual de cinco velocidades com bom escalonamento de marchas.

A Parati Surf de segunda geração tinha 4,189 m de comprimento, 1,651 m de largura, 1,418 m de altura e 2,470 m de entre-eixos. A perua vinha com 51 litros no tanque e 437 litros no bagageiro, que tinha estepe deitado sob o assoalho. O modelo pesava 1.038 kg na versão 1.6 e 1.047 kg no 1.8.

Em 2012, a Volkswagen decidiu entregar os pontos e encerrar a produção da Parati.

A longeva perua compacta da marca já tinha quase 30 anos e já não respondia mais ao que se esperava em termos de vendas. Como a montadora não desenvolveu uma nova geração baseada no Gol G5, só restava à familiar esperar pela morte certa.

Além disso, a Volkswagen já tinha outra perua compacta, a disfarçada SpaceFox, que havia chegado em 2006 e era bem mais moderna que a Parati, que só se sustentava pela fama de robusta. Mas, o tempo estava correndo contra essa geração AB9, que morreria pouco mais de um ano depois com o último Gol G4, junto com a Kombi.

A Parati Surf foi uma opção interessante em suas duas épocas, embora o glamour mesmo tenha ficado com a surfista quadradona.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.