Passat CC: detalhes, versões, motores (e estilo) do cupê alemão

Passat CC: detalhes, versões, motores (e estilo) do cupê alemão

O Passat CC foi uma interessante variante do tradicional sedã da Volkswagen, que foi feito entre 2008 e 2017. O modelo surgiu como uma alternativa mais descolada e com estilo que poderia atrair novos consumidores.


A inspiração pôde ter surgido do luxuoso Mercedes-Benz CLS, muito maior e mais caro.

Apesar do estilo ser bem atraente, o Passat CC não teve vendas expressivas, ainda mais por ser mais caro que o Passat tradicional e também por conta da produção em baixo volume. No Brasil, o CC – designação simplificada adotada posteriormente – chegou em 2009 e foi vendido até 2017.

Passat CC: detalhes, versões, motores (e estilo) do cupê alemão

Chamado Comfort Compact (CC), esse modelo unia o estilo cupê sobre um sedã, tendo um porte maior que o do Passat normal, mas com motorização semelhante. Teve versões que iam de 1.4 TSI até VR6, passando por diesel e com opção de tração nas quatro rodas.

Neste artigo, vamos conhecer a história do Passat CC, um modelo que enriqueceu o portfólio da Volkswagen no mercado nacional, sempre acima do sedã clássico.

O nascimento do Passat CC

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Em 2008, a Volkswagen iniciou em Endem, Alemanha, a produção de um novo carro, bem diferente do sedãs anteriormente feitos e derivado direto do Passat, mas era diferente. Ele mesclava os três volumes tradicionais, mas vinha com uma carroceria mais fluída, baixa e com curvatura de teto digna de um cupê.

Na realidade, essa era a intenção, trazer ao sedã um aspecto de cupê, como no Mercedes-Benz CLS. O novo carro viria a ser chamado de Passat CC que, apesar do termo Comfort Compact, não era tão pequeno assim, já que se tratava de um produto do segmento D na Europa.

Passat CC: detalhes, versões, motores (e estilo) do cupê alemão

Com quatro portas, ao invés de duas, o Passat CC era um Passat Coupé bem diferente do que se esperava, oferecendo algo diferente para quem ia atrás, o conforto que não existia nos cupês de duas portas. A começar pelo acesso, bem amplo e até mais prático que muitos sedãs comuns.

Para adotar um perfil mais esguio, a engenharia da Volkswagen esticou o Passat CC além do sedã comum, reduziu sua altura e deixou-o mais largo. A plataforma PQ46 manteve o entre eixos, a fim de reduzir os custos de produção.

A empresa compartilhou a mesma mecânica do Passat para conter os custos e nada além do que já se conhecia a bordo do clássico sedã, foi empregado no cupê de quatro portas.

Passat CC – estilo

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Apresentado no Salão de Detroit de 2008, o Passat CC chamou atenção por seu estilo arrebatador, que se distanciava muito do Passat, mais sóbrio e funcional. O novo carro chegava com 4,798 m de comprimento, 1,857 m de largura, 1,422 m de altura e 2,710 m de entre eixos.

Ou seja, o Passat CC era na época 27 mm mais longo e tinha 36 mm adicionais na largura e menos 50 mm em altura. A frente era parecida com a do Passat, mas não igual. Os faróis foram redesenhados com uma grande parábola e uma lente menor, bem como a grade ganhou menos frisos e um volume mais consistente.

O para-choque tinha molduras laterais isoladas com repetidores de direção, acabamento cromado e faróis de neblina. Elas ajudavam a criar um aspecto em “V” com a grade inferior centralizada. Na traseira, o Passat CC tinha lanternas enormes e com círculos iluminados que faziam parte da filosofia de estilo da VW naquela época. Basta lembrar de Fox, Polo e Golf, por exemplo.

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O para-choque tinha frisos cromados, que também estavam presentes nas laterais. O escape virtualmente era duplo. O teto era baixo e bem curvado, criando linhas de expressão bem elegantes e fluídas, reforçando mais as colunas C e deixando as B integrarem-se à área envidraçada, que tinha algo de especial.

As portas, bem amplas, não tinham batentes na parte superior, como num cupê esportivo ou como nos antigos carros da Subaru, por exemplo. Apenas as bases dos retrovisores e os quebra-ventos falsos nas portas traseiras, iam além da linha de cintura, que também era alta. Os arcos do teto eram bem espessos e robustos, reduzindo a área envidraçada para compor um efeito visual.

Todo o visual exterior deixava o Passat CC bem imponente e bem distante do Passat comum, tanto que nos anos seguintes, a designação passou a ser somente CC, dada as grandes diferenças.

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Com vincos suaves no capô e proeminentes nas laterais, o modelo tinha coeficiente aerodinâmico aquém do esperado: 0,31 de cx. De qualquer forma, passa a impressão de ser melhor que isso. As rodas eram de liga leve aro 18 polegadas no Brasil, contando com pneus 235/40 R18.

Por dentro, o Passat CC eram bem amplo, luxuoso e confortável. Nada dizia se tratar de um cupê, pois mesmo a altura interna na parte traseira, era bem satisfatória. O painel tinha dois níveis e eram semelhante ao do Passat comum, com algumas mudanças.

O acabamento era em material soft e havia um aplique em metal escovado ou madeira, que envolvia toda a parte central e descia pelo console. Os difusores de ar eram bem distribuídos e o conjunto frontal tinha o conhecido botão giratório para o conjunto ótico geral, assim como o slot para chave eletrônica, que ao ser pressionada, dava a partida no veículo.

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Além disso, o cluster era analógico e tinha um grande display digital para o computador de bordo e outras funcionalidades. O volante em couro era o padrão VW da época e tinha piloto automático, comandos de mídia e telefonia, computador de bordo e ajustes em altura e profundidade.

O sistema de áudio podia ser comum com CD Player, Bluetooth, etc. Mas, havia a opção de multimídia, que tinha até navegador GPS, fora a câmera de ré. É bom lembrar que o Passat CC já surgiu com Park Assist e AAC com Front Assist, que são os sistemas de estacionamento automático e controle de cruzeiro adaptativos, todos em sua primeira geração.

Abaixo da multimídia havia o ar-condicionado dual zone, enquanto a alavanca do câmbio automático (no exterior havia opção manual) tinha seletor com círculos nas posições de marcha e opção de mudanças sequenciais, assim como estas podiam alteradas pelos paddle shifts no volante.

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Havia a função Auto Hold, que travava os freios com o carro engatado e parado. Outro detalhe interessante do Passat CC era o local do freio de estacionamento eletrônico, cujo botão ficava perto da porta, no painel. No porta-luvas, slot para DVD e cartões SD (um para navegação) era presença garantida quando com multimídia.

Os bancos eram muito confortáveis e envolventes, sempre revestidos em couro e com tons diferenciados, inclusive biton. Os assentos dianteiros tinham ajustes elétricos com três memórias para o condutor e ajuste lombar elétrico para os dois dianteiros. Atrás, o Passat CC tinha duas opções de assentos.

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Havia uma versão com quatro lugares que possuía um porta-objetos com tampa deslizante (como na frente) no lugar do quinto passageiro, tendo ainda o apoio de braço articulado e com porta-copos. Na versão com cinco lugares, havia apenas apoio de cabeça e cinto completo, embora houvesse também o apoio de braço retrátil.

Difusores de ar mantinha o ambiente agradável atrás. O sistema de som Dynaudio, dava aos ocupantes do Passat CC uma qualidade de som muito boa. No teto, havia opção de teto solar parcialmente panorâmico. As portas tinha apliques metálicos e couro, sendo muito bem acabadas. No porta-malas, o espaço era bom, com 452 litros, mas havia pescoços de ganso no acionamento, o que roubava espaço.

Passat CC – motores

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O Passat CC compartilhou com o Passat diversos motores. No Brasil, o modelo chegou em 2009 com o VR6 3.6 FSI (injeção direta de combustível) com seis cilindros quase em linha, cujo ângulo de abertura é de apenas 15 graus, suficiente para que o cabeçote seja apenas um com dois comandos variáveis.

O propulsor é originário do antigo VR6 2.8 dos anos 90 e deu origem a diversos motores, especialmente aos W, sendo que o mais famoso deles é o W16 8.0 dos Bugatti Veyron e Chiron. Com 3.597 cm3, o 3.6 FSI tem aspiração natural e taxa de compressão de 11,4:1.

Na época, ele rendia 300 cavalos a 6.600 rpm e 35,6 kgfm a 2.400 rpm, o que garantia boa força em baixa rotação. Montado em transversal, o VR6 vinha com caixa automatizada de dupla embreagem banhada a óleo DSG com seis marchas e modo Sport, tendo ainda tração nas quatro rodas 4Motion.

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Equipado com suspensão traseira Multilink, o Passat CC ia de 0 a 100 km/h em 5,6 segundos e atingia máxima limitada em 250 km/h. O consumo urbano era alto: 6,7 km/l de gasolina. Entretanto, na estrada fazia bons 11,9 km/l.

Após a reestilização de meia vida em 2012, o modelo ganhou uma segunda opção no Brasil, equipada com motor 2.0 TSI de 211 cavalos a 5.300 rpm e 28,5 kgfm a 1.700 rpm, que foi lançada em abril de 2014. Com o mesmo câmbio DSG de seis velocidades, mas com tração dianteira, essa era a opção “mais em conta” do CC (denominação da época).

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Esse conjunto entregava aceleração de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos e tinha máxima de “apenas” 209 km/h. O consumo urbano melhorou, passando a fazer 8 km/l. Na estrada, porém, se elevou: 10,6 km/l. Isto se deve ao fato do motor 2.0 TSI ser mais fraco nas retomadas e ultrapassagens na rodovia, diferente do mais potente VR6.

Nessa versão 2.0 TSI, o Passat CC pesava 1.468 kg contra 1.632 kg do VR6 3.6 4Motion. O tanque era de 68 litros nas duas versões de motor. Assim, o cupê de quatro portas podia teoricamente rodar 720 e 809 km na estrada, respectivamente 2.0 TSI e VR6 3.6 FSI.

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Na Europa, o Passat CC tinha ofertas que começavam com o 1.4 TSI de 160 cavalos a 6.200 rpm e 24,5 kgfm a 2.000 rpm, sendo que este tinha versão E85 nos mercados da Suécia e Finlândia. O 1.8 TSI foi substituído pelo primeiro e tinha a mesma potência, mas em 6.000 rpm e 25,5 kgfm a 1.500 rpm.

No caso do 2.0 TSI, até 2011, o motor tinha 200 cavalos a 6.000 rpm e 28,5 kgfm a 1.700 rpm. Depois dessa data, passou a ter 211 cavalos a 6.200 rpm com o mesmo torque, sendo esta opção que chegou ao Brasil.

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Lá fora ainda existiu as versões diesel 2.0 TDI com 140 ou 170 cavalos a 4.200 rpm e 32,5/35,7 kgfm a 1.750 rpm, respectivamente. O VR6 3.6 FSI foi a opção mais potente.

O câmbio DSG de sete marchas só foi usado nos 1.4 TSI e 1.8 TSI, enquanto o restante usou a caixa de seis marchas. Com exceção do VR6, todas as demais tiveram opção de câmbio manual de seis marchas. Já o 2.0 TSI de 200 cavalos teve câmbio automático Tiptronic com seis marchas.

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Mecanicamente, o Passat CC teve algumas inovações. Em 2011, o DSG passou a oferecer a função “roda-livre” com o desengate das embreagens ao se retirar o pé do acelerador, reduzindo assim o consumo. O bloqueio eletrônico do diferencial XDS, também foi adicionado.

O 2.0 TDI de 170 cavalos pulou para 177 em 2013 e depois para 184 (2015), aumentando o torque de 35,7 para 38,6 kgfm. A versão diesel de 140 passou para 150 cavalos sem alteração de torque. Nos EUA, o Passat CC VR6 3.6 FSI teve o câmbio trocado, passando a usar o Tiptronic de seis marchas, por ser mais confiável nas condições americanas.

Atualização

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No Salão de Los Angeles de 2011, a Volkswagen mostrou o Passat CC atualizado, mas agora sem o nome Passat, ficando apenas CC. A frente ganhara um capô praticamente liso, tendo apenas os vincos que marcam os para-lamas. Os faróis passaram a ser mais retilíneos e agregaram projetos de xênon diferenciados. LEDs diurnos foram acrescentados.

A grade ficou maior e mais horizontalizada, recebendo diversos frisos cromados em treliça, enquanto o para-choque recebeu uma enorme grade com dois frisos em “L” e faróis de neblina quase ocultados.

Na traseira, as lanternas ficaram menores e menos arredondadas, ganhando iluminação interna em LED e aspecto mais moderno. A tampa do porta-malas passou a dispor de um defletor de ar integrado.

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O para-choque recebeu cromado maior e ficou mais liso. As rodas de liga leve também mudaram. Por dentro, o Passat CC teve o ambiente atualizado com mudanças no display do computador de bordo, comando do ar condicionado, multimídia mais moderna e também adição de um relógio analógico no centro do painel, como no Passat da época.

O comando do ACC também foi modificado e saiu da haste do farol para ganhar uma alavanca tradicional na coluna de direção. O acabamento dos bancos e texturas foi melhorada. Na parte de conteúdo, ganhou o DCC (Dynamic Chassi Control), que é a suspensão ativa com ajustes também na parte mecânica.

Faróis bi-xênon com função curva e facho alto automático foram incorporados, assim como sensor de fadiga, frenagem automática de emergência com detecção de pedestres, monitor de ponto cego, assistente de faixa, Park Assist 2.0, câmera com visão ampliada, reconhecimento de sinais de trânsito e sistema Kessy com botão de partida no lugar do chave-slot.

Passat CC: detalhes, versões, motores (e estilo) do cupê alemão

As alterações de estilo fizeram com que o Passat CC aumentasse de tamanho, passando a medir 4,801 m de comprimento, 1,855 m de largura, 1,426 m de altura e 2,712 m de entre eixos. Não houve mudanças estruturais, mantendo-se inalterados porta-malas e tanque. A direção passou de eletro-hidráulica para elétrica.

O Passat CC também ganhou uma versão R Line, que adicionava spoiler prominente nos para-choques, saias laterais abauladas e escape com duas saídas separadas e cromadas, bem como rodas de liga leve de cinco raios e interior personalizado, tendo ainda logotipia R-Line.

O fim do Passat CC

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O Passat CC nunca vendeu bem. A Volkswagen planejava emplacar 300.000 unidades do modelo em sete anos de mercado, que era o ciclo de vida estimado para o produto em 2008. Em 2015, ele não passou de 3.900 unidades em todo o mundo. Já era sinal de troca-lo por um novo carro.

Apesar da projeção, a VW não se limitou a faze-lo apenas em Endem. Kaluga, na Rússia, assim como Changchun, na China, receberam produção do Passat CC, devido a boa resposta nessas regiões. Então, em 2016, a Volkswagen decidiu que o sucessor do cupê quatro portas seria um fastback de design ousado.

Este continuaria o legado do Passat CC, que tentou ser disruptivo em uma Volkswagen “Das Auto” bem pretensiosa. O projeto deu certo e o carro viveu um ciclo inteiro de vida comercial, sendo retirado de produção em definitivo no ano de 2017.

Arteon, o sucessor do CC

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O Arteon é considerado o Volkswagen mais bonito da atualidade e foi lançado em 2017 na esteira do Passat CC. Ele é considerado a segunda geração deste em algumas regiões. Tanto é que na China ele é chamado Volkswagen CC, como o anterior após o facelift.

Feito na mesma fábrica de Endem, Alemanha, o Arteon chama atenção por ter faróis duplos de LED chanfrados e grade segmentada, enquanto a carroceria agrega vigias laterais nas colunas C, bem como traseira mais compacta que a do Passat CC.

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As lanternas em LED mais afiladas e aerodinâmica superior com defletor de ar proeminente no porta-malas, que se abre junto com o vidro traseiro. O Arteon usa a plataforma modular MQB no lugar da PQ46 do Passat CC, que conseguiu sobreviver a bordo do Passat 2020, feito em Chattanooga, Tennessee.

O Arteon ainda não entrou em muitos mercados onde o Passat CC foi vendido por um motivo muito simples, o bagageiro. O novo carro é um fastback no melhor estilo do primeiro Passat, aquele dos anos 70. O CC era um sedã com estilo cupê e porta-malas independente.

Tal estilo com tampa grande, não agrada muito os consumidores dos EUA e também do Brasil, sendo mais aceito na Europa.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.