
Um inimigo de penas verdes transforma carros estacionados em alvos frágeis, atacando exatamente as partes emborrachadas que quase ninguém imagina proteger.
Moradores de Lochardil, em Inverness, relatam à BBC que a ave bicuda danifica vedações de janelas e borrachas dos limpadores de para-brisa.
Os prejuízos estimados já chegam a milhares de libras, embora ninguém pareça saber exatamente como impedir a sequência de ataques.
A ave aparece em ciclos, desaparece por algumas semanas e depois retorna ao bairro como se escolhesse o momento de reiniciar a destruição.
Moradores avisam uns aos outros aos gritos quando ela volta a atacar, transformando a presença do pássaro em alerta comunitário improvisado.

A fama do animal cresceu tanto que a palavra “periquito” virou quase um tabu local, comparada a termos evitados em conversas delicadas.
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Especialistas em natureza identificam o invasor como um periquito-de-colar, espécie que não é nativa da Escócia, segundo a Audubon.
Apesar disso, esses pequenos pássaros verdes, parecidos com papagaios, aparecem no Reino Unido por causa de populações ferais originadas de animais de estimação.
A Royal Society for the Protection of Birds, conhecida como RSPB, descreve o periquito como o único papagaio naturalizado do Reino Unido.
A presença da espécie é comum em Londres e no sudeste britânico, mas não costuma ser associada ao norte distante da Escócia.
Por isso, a principal suspeita é que o pássaro seja um animal de estimação que escapou e agora vive solto no bairro.
Moradores já buscaram ajuda de organizações especializadas, mas a resposta é limitada porque o animal passa a ser tratado como ave silvestre.
A NatureScot, agência escocesa de natureza, afirma não ter certeza sobre o motivo dos ataques às partes de borracha dos carros.
Uma hipótese é territorial, já que o pássaro pode reagir ao próprio reflexo nas janelas e interpretar a imagem como ameaça.
Outra explicação envolve a possível atração por gorduras e minerais presentes na borracha, algo que poderia estimular bicadas repetidas no material.
Também existe a chance de ser puro tédio, embora pareça curioso imaginar uma ave entediada quando o céu inteiro está disponível.
A hipótese química não é absurda, porque fabricantes usam materiais naturais em borrachas e plásticos, incluindo produtos à base de soja em componentes automotivos.
Esse tipo de material já é conhecido por atrair roedores, especialmente em revestimentos de fios, que podem virar alvo de camundongos.
Sem uma solução oficial, moradores recorrem a métodos caseiros para afastar a ave, segundo relatos compartilhados com a STV News.
Entre as tentativas estão cobrir carros com lonas, colocar cobras falsas no painel e aplicar óleo de hortelã nas borrachas.
Aparentemente, o periquito não gosta de hortelã, e isso virou uma das poucas armas disponíveis contra o visitante mais irritante do bairro.
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