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Peugeot 207: o modelo europeu que no Brasil foi um 206 adaptado

Um dos modelos mais vendidos e queridos da gama Peugeot, o Peugeot 207 foi originalmente lançado na França em 2006 como substituto do aclamado 206. No Brasil a ideia foi a mesma, mas com diferença de execução, uma vez que o nosso 207 foi uma adaptação do 206 produzido em Porto Real – Rio de Janeiro.

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As origens: Peugeot Vingt Coeur Concept

Apresentado originalmente na França em março de 1998, durante o Salão de Genebra, sob o conceito Vingt Coeur Concept – onde Vingt é 20 e Coeur é coração – a Peugeot mostrava ao mundo como seria o sucessor do Peugeot 205.

O carro conceito era um pequeno conversível de teto rígido retrátil, assim como o Mercedes-Benz SLK, e tinha conexão com o pioneiro Peugeot 402 Eclipse de 1934, também conversível. O modelo chamou muito a atenção por ter linhas bem arredondadas e formas limpas.


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Seus faróis que lembravam muito o olhar de um felino – marca registrada da Peugeot – davam agressividade à dianteira do modelo.

Seu para-brisas era mais inclinado e mais amplo, o que significava maior campo de visão interna. Na traseira, lanternas amendoadas traziam charme para o pequeno conversível.

No seu interior, as mesmas formas arredondadas encontradas pela carroceria podiam ser vistas no conceito. Dotado de uma inédita plataforma, que não era dividida nem com sua sócia – Citroën – o 206, usava motor dianteiro transversal, e tração dianteira. Ele tinha 3,83 metros de comprimento, 2,44 de entre eixos, o que lhe proporcionava um bom aproveitamento interno para a época.

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Peugeot 206

Após a apresentação do conceito Vingt Coeur Concept, em março de 1998, a Peugeot apresenta o modelo de produção 206.

Sua gama de motores era composta originalmente por modelos 1.1 litros – de 60 cavalos e 9,3 kgfm de torque, 1.4 litro de 75 cavalos e 11,3 kgfm de torque e 1.6 litros de 90 cavalos e 13,8 kgfm de torque.

Havia ainda a opção de motorização a diesel, aspirada naturalmente, de 1.9 litros com 70 cavalos e 12,7 kgfm de torque.

O 206 tinha a suspensão dianteira do tipo McPherson, e na traseira ele seguia a escola francesa de aplicação de suspensão, que usava sistema independente por braço arrastado e barras de torção, uso muito semelhante ao que acontecia com o Peugeot 205 – seu antecessor.

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Em novembro de 2000, o mundo finalmente conhecia a versão de produção do conceito Vingt Coeur Concept.

Mais charmoso que sua versão conceito, o Peugeot 206 CC tinha a praticidade de ter o teto rígido, que se recolhia quando solicitado e ficava num compartimento dentro do porta-malas. As opções de motores do 206 CC eram um novo motor 1.6 litros com 109 cavalos e 15 kgfm de torque e um 2.0 de 136 cavalos e 19,4 kgfm de torque.

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Em 2002, a Peugeot apresenta uma nova variante do 206, a 206 SW. Apresentado em fevereiro de 2002, a Peugeot 206 SW se caracterizava por ter 19,5 centímetros a mais que a versão hatchback.

A distância entre eixos continuava a mesma, o que lhe proporcionava um porta-malas um tanto apertado para uma perua. Mas compensava com a abertura do vidro traseiro, uma solução bastante inteligente.

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Cidadão do mundo

Quase todo veículo tem suas peculiaridades quando é exportado ou vendido fora de seu país de origem. Seja a adoção de um motor de outra marca, um novo nome, uma variação de carroceria ou até uma cara totalmente diferente.

E com o Peugeot 206 não foi diferente.

No Irã, sob os cuidados da Irã Khodro Company ou IKCO, o 206 ganhou um variante sedan, que no Brasil foi vendida a partir de 2008 sob o nome de Peugeot 207 Passion. Dependendo do ângulo, o modelo poderia ser facilmente confundido com algum tipo de picape com quatro portas, já que as portas traseiras eram as mesmas do hatch.

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Outra versão do 206 existente na Malásia era vendida sob a marca Naza, onde recebia o nome de 206 Bestari.

Por lá ele era oferecido apenas na carroceria de 4 portas e o motor 1.4 litros com 75 cavalos, e ainda podia contar com uma caixa de câmbio automática.

Já na China, o 206 troca de marca e nome e vira Citroën C2. Ele nada tinha a ver com o modelo europeu, a não ser pelo nome. Seu design frontal era bem diferente, e caracterizado para ser um Citroën, ou quase isso.

Durou pouco tempo no mercado chinês essa versão xing-ling do Peugeot 206.

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Peugeot 206 no Brasil

Apresentado no país em abril de 1999, o Peugeot 206 chega em 3 versões de acabamento, opções de carroceria de 2 ou 4 portas e sempre dotado de motorização 1.6 litros, com 90 cavalos e 14 kgfm de torque.

Como o modelo ainda era importado, ele ficava restrito no início a 4.500 unidades anuais, muito menos que seus concorrentes, devido à alta do dólar e pelo alto imposto sobre produtos importados.

Já em 2001, quando a PSA – Peugeot Citroën, inaugurou sua fábrica em Porto Real no Rio de Janeiro, o Peugeot 206 carimbava seu passaporte com cidadania brasileira.

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A princípio, o modelo nacional usava um motor 1.0 16 válvulas de 70 cavalos e 9,5 kgfm emprestado da sua conterrânea Renault.

Esse tipo de motor não era disponibilizado nem no mercado francês. A motorização 1.6 era ainda importada da Argentina, por conta do valor negociado que era mais em conta. Agora o motor 1.6 tinha 110 cavalos e 15 kgfm de torque, que lhe proporcionava um excelente desempenho e fazia com que o 206 alcançasse a máxima de 198 km/h, e fazia o 0a100 em 10,5 segundos.

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O Peugeot 206 também teve uma versão chamada Soleil.

Peugeot 206 conversível

Em fevereiro de 2004, o mercado brasileiro recebia a versão conversível do Peugeot 206.

Não víamos tal tipo de carroceria em modelos nacionais ou importados desde o fim do Ford Escort XR3 conversível e do Chevrolet Kadett. Para o nosso mercado o 206 CC era a versão mais equipada do modelo. Vinha com bancos de couro, rodas de 15 polegadas, acompanhadas de pneus 195/55.

Ainda no mesmo ano, o Peugeot 206 ganhava seu primeiro e discretíssimo facelift. Com faróis de lente complexa, e novos grafismos nas lanternas traseira, a Peugeot insistia em dizer que esse modelo era de “nova geração”.

Motor 1.4 e perua SW

Sua real novidade era o motor 1.4 litro de concepção francesa e montado em solo nacional. Esse motor substituía o motor de origem Renault, e possuía 75 cavalos e 12,5 kgfm de torque.

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Agora em 2005, a Peugeot apresentava a versão SW do 206, que tinha por objetivo competir com Fiat Palio Weekend e Volkswagen Parati.

Tanto é que em setembro de 2006, a Peugeot 206 SW ganhava sua própria versão “Adventure” para concorrer com a Palio Weekend Adventure. Chamada de Peugeot 206 Escapade – escapada ou aventura – o modelo se diferenciava da versão civil por novas molduras nas caixas de roda, suspensão elevada em 25 milímetros, pneus de uso misto, com medida 175/70 de aro 14.

Na questão de motor, o Peugeot 206 SW Escapade, usava o valente 1.6 16 válvulas – agora flex – 110/113 cavalos e com o torque de 14,2 kgfm de torque para gasolina e 15,5 kgfm de torque quando abastecido com álcool.

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Com a nova geração do Peugeot 207 lançado em 2006 na Europa, será que finalmente o Brasil teria a nova geração do modelo? Infelizmente não. O Peugeot 206 nacional recebeu a mesma frente do modelo europeu (o que ficou um tanto esquisito na época) e uma nova variante sedan.

Mas antes de nos aprofundarmos no Peugeot 207 nacional, vamos dar uma breve volta no Peugeot 207 real.

Peugeot 207 europeu

Antes de embarcar na história do “Peugeot 207 nacional” vamos ao 207 europeu. O verdadeiro Peugeot 207 veio ao mundo com a difícil missão de ser tão querido quanto o 206 foi em vida.

Apresentado em 2006, o Peugeot 207 agora dividia a plataforma com o Citroën C3, e usava motores 1.4 litro com 75 cavalos ou 90 cavalos – nas versões de 8 ou 16 válvulas – 1.6 litros com 16 válvulas.

A partir de um acordo com a BMW, o Peugeot 207 tinha versões mais caras com motores turbo de potência que chegavam a 175 cavalos. No final do mesmo ano, a Peugeot apresentava outras variantes do Peugeot 207, como a 207 SW e o 207 CC – que substituía o charmoso 206 CC.

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O porte do Peugeot 207 europeu era similar ao do Peugeot 307, só que em versão ligeiramente menor.

Seu design também seguia linguagem do 307. Agora com faróis maiores, mas que ainda invocavam o olhar de um felino, o Peugeot 207 tinha um visual interessante e bastante harmonioso. No painel, um novo desenho que agora abandona as formas arredondadas do seu antecessor, e novos materiais de acabamento trazem sofisticação para a cabine do 207.

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Na traseira, as novas lanternas, maiores e agora mais pontiagudas, abandonam o efeito amendoado das lanternas do 206.

Para a versão 207 SW, um desenho inspirado na perua do 407 era visto no novo modelo. Lanternas maiores e que invadiam a lateral do carro, juntamente com sua janela da coluna C e D que eram triangulares, davam personalidade a nova perua.

O novo Peugeot 207 CC mantinha a versão de teto rígido e o charme do seu antecessor.

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Para o mercado nacional, trazer a versão europeia do Peugeot 207 ficava totalmente fora de cogitação, pois fabricá-lo por aqui elevaria os custos e o colocaria num patamar de preço do 307.

Então a Peugeot brasileira apelou para aquele famoso jeitinho brasileiro para dar uma sobrevida ao velho 206, aplicando faróis similares aos do modelo europeu e alterando seu nome.

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Peugeot 207 Brasil

Agora sim, em 2008, a Peugeot apresenta sua versão local do Peugeot 207 europeu.

O modelo ganhava os mesmos faróis e desenho do interior inspirado na versão europeia. Por aqui o modelo foi lançado como Peugeot 207 Brasil – mas perdeu o sufixo com o passar do tempo – e foi apresentado com 3 versões de acabamento, sendo elas XR, XR Sport e XS.

As duas primeiras vinham acompanhadas com o motor 1.4 litro, enquanto o Peugeot 207 XS vinha com o motor 1.6, ambos flex.

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Dois meses depois, a marca apresenta a versão sedan, aqui chamada de Peugeot 207 Passion.

Esta era a versão vendida no mercado iraniano, mas com a mesma frente adaptada do Peugeot 207 nacional. O 207 sedan tinha as mesmas opções de motores e acabamento do hatchback. Nas versões topo de linha era oferecido um câmbio automático de 4 velocidades, com opção de trocas manuais.

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No caso da Peugeot 207 SW, os retoques se valiam apenas na nova frente, e no interior.

De restante, a perua seguia os mesmos motores, acabamentos e câmbios ofertados para o hatchback e sedan. A maior diferença entre os três modelos estava na capacidade de bagagem não muito diferente, uma vez que todos compartilhavam a mesma distância entre eixos.

No caso do hatch, o modelo comportava 245 litros, no sedan o volume chegava a bons 420 litros e no último lugar, a Peugeot 207 SW que vinha com apenas 313 litros. Lembrando que o sedan era o único que tinha o estepe embaixo do assoalho e não dentro do porta-malas como seus irmãos.

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Peugeot Hoggar

Já em 2010, a linha 207 ganha seu mais novo membro, de gosto duvidoso e proposta até que interessante.

Assim pode ser descrita a Peugeot Hoggar, a primeira picape produzida pela marca desde a Peugeot 504 de mais de 20 anos antes. No caso da Peugeot Hoggar, ela utiliza os elementos frontais comuns ao Peugeot 207, 207 SW e 207 Passion, bem como as opções de motores e acabamentos.

Seu design num contexto geral é confuso mas até que chamou atenção por onde passou.

Por usar as mesmas portas do modelo hatch de duas portas, a marca instalou uma pequena janela nas laterais para não dar uma impressão estranha.

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A caçamba era longa, uma vez que não dispunha de opções de cabine estendida ou dupla como a Volkswagen Saveiro ou Fiat Strada.

O design das lanternas traseiras veio emprestado do pequeno Peugeot 1007, assim como a porção traseira que veio do furgão Peugeot Partner. Havia também uma versão “cross” da picape derivada do Peugeot 207.

Chamada de Peugeot Hoggar Escapade, ela poderia vir com um detalhe de gosto duvidoso na grade, que tinha por objetivo simular um quebra-mato, mas na realidade parecia muito mais dentes falsos de vampiros, daqueles que você ganha no Halloween.

Mesmo com o design estranho, não podíamos negar que sua vocação era o trabalho.

Com bom aproveitamento da caçamba, a Hoggar era capaz de levar uma moto sem muito esforço, ou até mesmo um pequeno quadriciclo. Sua capacidade nominal era de 1.151 litros, o que a deixava como a picape derivada de carro de passeio com o maior volume disponível para cargas.

O modelo saiu de linha rapidamente, cerca de dois anos após seu lançamento. A Hoggar termina seus dias sem deixar um sucessor imediato, e também com a possibilidade de a marca ficar outros 20 anos sem uma nova picape.

Porém, existem boatos de que a Peugeot deve se associar com alguma outra marca para ter uma picape média, nos moldes que a Renault fez com a Alaskan que usa base e motores da Nissan Frontier / Navara.

Algo que a Mercedes-Benz também fez, compartilhando um modelo com a Nissan no caso da sua Classe X.

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O fim de uma era

A linha Peugeot 207 nacional deixou de ser oferecida em 2014 para dar espaço para o novo Peugeot 208, que agora estava em pé de igualdade com a Europa.

O nosso modelo remodelado fora até mesmo vendido na Europa como Peugeot 206+, como uma espécie de Palio Fire da Peugeot. O novo Peugeot 208 chega para deixar o line-up da marca alinhado com a França e mesmo não dispondo das charmosas versões CC, o novo modelo tem uma variante esportiva que aqui é conhecida por 208 GT e utiliza o motor THP 1.6 de 173 cavalos.

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E ao invés de ter uma versão perua que facilmente poderia ser chamada de Peugeot 208 SW, a Peugeot tem no mercado nacional o Peugeot 2008, um SUV com ares de perua, e que pode usar o mesmo motor turbinado da versão esportiva do 208.

Este 2008 em breve deve também ganhar uma nova geração e assim como o 208 que vai dividir plataforma e motores com o Opel Corsa, é bem provável que o novo 2008 compartilhe a mesma base ou a do novo Opel Mokka X, SUV derivado do Opel Corsa.

Sua linha de estilo deve seguir a mesma ideia dos 3008 e 5008.

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Peugeot 208

Como já dito acima, o Peugeot 207 nacional saiu de linha e deu espaço para o 208, que também é fabricado em Porto Real – RJ, e já recebeu seu primeiro facelift.

Na Europa, o modelo conta com uma gama maior de motores que podem ser a diesel ou gasolina, e carroceria de duas ou quatro portas. Uma nova geração já está sendo desenvolvida em conjunto com a Opel, que desde o final de 2017 faz parte do Grupo PSA.

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Especula-se que o novo 208 tenha design semelhante ao do 508 apresentado recentemente e recursos tecnológicos semelhantes aos encontrados no 308. Sua plataforma e motores devem ser compartilhados com o novo Opel Corsa que já roda disfarçado pela Europa.

Sem previsão de vinda ao Brasil, seguimos por hora com a geração atual do 208 com o facelift apresentado recentemente.

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