Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

O Peugeot 308 foi um hatch médio que a marca francesa vendeu no Brasil entre 2012 e 2019, sendo ainda comercializado na Argentina, onde é fabricado em El Palomar. Herdeiro do Peugeot 307, o modelo foi um dos últimos de seu segmento no mercado nacional e não sobreviveu à ascensão dos SUVs.


Sua chegada foi importante para a reputação da marca francesa após o fracasso da renomeação do antigo Peugeot 206, convertendo-o em um “207” bem diferente do modelo europeu. No caso do 308, não se tratava de uma simples atualização do 307, embora tenha usado a plataforma do mesmo.

Tal como o europeu, ele aproveitou a base do anterior, mas por aqui, chegou com meia vida de atraso. Lançado em 2007 na França, só veio ao Brasil em 2012. Contudo, a Peugeot aproveitou para atualizar o produto como o vendido no velho continente.

Essa prática não é nova e aconteceu na Citroën anos depois, com o Citroën C4 Cactus atual em relação ao europeu. Com design fluido, o 308 era volumoso em comparação com concorrentes como Volkswagen Golf, Chevrolet Cruze Sport6 e Fiat Bravo, por exemplo.

Na Peugeot, sua plataforma PF2 era apelidada de “mutante”, dado o porte avantajado dos carros que ela sustentava na marca, como o 408, por exemplo. Com 4,276 m de comprimento, 1,815 m de largura, 1,498 m de altura e 2,610 m de entre-eixos, o hatch não era só grande por fora, mas também por dentro.

Peugeot 308 – detalhes e equipamentos

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

Seu habitáculo era bem espaçoso, mesmo em altura, tendo ainda um bom porta-malas de 430 litros. Anabolizado diante dos rivais, o hatch da Peugeot rapidamente atraiu os consumidores por seu estilo moderno e desempenho, apoiado por motores EC5, EW10 e Prince.

Aqui, ele teve o 1.6 EC5, antigo TU5, com potências de até 122 cavalos, gerando bom custo-benefício em versões realmente atraentes para o consumidor. Já o EW10 2.0 foi preferido por quem buscava desempenho, ostentando um torque alto, que chegava a 22 kgfm.

Com até 151 cavalos, foi um motor que ajudou a impulsionar a carreira do 308 no Brasil, mas que viu o moderno Prince 1.6 THP assumir o posto com ainda mais desempenho. Este chegou mesmo a ser oferecido para clientes PCD em versão dedicada.

Tendo até 173 cavalos e 24,5 kgfm a 1.400 rpm, o THP ainda é o motor mais potente da Peugeot no mercado brasileiro, equipando desde o crossover 2008 ao SUV 3008, tendo passado pelo 208 antigo e mesmo o 5008, de sete lugares. A marca chegou a importar o Peugeot 308 CC europeu, com esse motor.

Ainda que o THP tenha sido uma coisa boa na vida do Peugeot 308, o modelo também sofreu com o câmbio AL4, o temível automático de quatro marchas da PSA (e Renault também…), que foi substituído pelo EAT6 no final de carreira e com o motor 2.0 ou 1.6 turbinado.

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

Bem equipado, tinha um cluster de fundo branco atraente, assim como teto panorâmico, painel com console vistoso, tela retrátil de multimídia e volante com detalhes cromados. Do “System by Porsche” na alavanca de câmbio, o 308 só não agradava tanto por ter direção eletro-hidráulica, não muito macia.

Retrovisores com rebatimento elétrico, bancos em couro, ar-condicionado dual zone, luzes diurnas em LED, entre outros, estavam presentes em algumas versões do hatch, que tinha também freios a disco nas quatro rodas, bem como controle de tração e estabilidade nas mais caras, além de assistente de rampa e de dois a seis airbags.

Mesmo tendo o 1.6 THP Flex, o 308 nunca foi disponibilizado aqui com a versão GTi, o que obrigaria a marca a adicionar uma versão de 250 cavalos ou até mesmo a GTi-S com 275 cavalos, que foram oferecidas na Argentina. Ao longo de sua vida comercial no Brasil, teve um facelift, sendo também simplificado para manter-se no mercado.

Com o irmão 408, fazia uma boa dupla de médios no país, mas com vendas insuficientes para mantê-los no mercado, sendo assim retirados igualmente em dezembro de 2019, após terem sido colocados apenas para vendas corporativas e clientes PCD.

O Peugeot 308 chegou ao mercado nacional em 15 de fevereiro de 2012 e trazia a atualização visual do modelo francês. Assim, vinha com faróis menores que os do 307 e contava com dupla parábola com piscas integrados, agregando uma frente mais pronunciada e sem grade, tendo o leão cromado quase sobre o capô curto.

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

Na grade centralizada, havia frisos cromados e um suporte de placa que funcionava como uma barra de proteção, em cor preta. Nas laterais do para-choque, havia faróis de neblina com luzes diurnas em LED, num formato de bumerangue.

O 308 chamava atenção por suas colunas A bem inclinadas e para-brisa longo, como o 307. Isso obrigava a ter portas dianteiras grandes e com quebra-ventos falsos, além de retrovisores apoiados nas portas, igualmente grandes. Já o teto podia ter vidro panorâmico, sem abertura.

Estes retrovisores mostravam ainda repetidores de direção nos braços que os sustentavam, servindo ainda de iluminação de solo. Com grande área envidraçada, o Peugeot 308 tinha colunas C pequenas e verticais, envolvidas por uma vigia traseira ampla e integrada à tampa do bagageiro.

As lanternas curvavam-se e avançavam em direção às laterais da carroceria, criando um aspecto único. A tampa tem um vinco suave e não havia maçaneta, apenas um chanfro para a mão. Já o para-choque era volumoso, ajudando a projetar a traseira.

Na base deste, havia uma moldura preta com suporte de placa e dois moldes cromados. Por dentro, o Peugeot 308 tem um ambiente amplo e confortável, que trazia um painel com console central avançado entre os bancos. Revestido com material soft, era mais completo e acabado que o do 307.

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

O atrativo cluster tinha instrumentação analógica com mostradores de fundo branco e cinza, tendo neles velocímetro e conta-giros, assim como dois menores inteiramente brancos com nível de combustível e temperatura da água. Havia um display digital em vermelho com computador de bordo e indicador de marchas.

Os difusores de ar eram circulares e haviam cinco deles, sendo três circulares. Logo acima, havia uma tela retrátil de 5 polegadas para multimídia, que vinha com Bluetooth, entrada USB e CD player, tendo ainda bússola e navegador GPS nativo. Também reproduzia a câmera de ré.

Nas versões mais simples, esta tela vinha com um computador de bordo em tela retangular de cor laranja. Nos dois casos, os aparelhos de som ficavam mais abaixo, sendo os da multimídia mais elaborados, sendo ambos com um porta-objetos logo abaixo. O cluster era preto, por exemplo.

O ar-condicionado era manual na Active, inicialmente, enquanto a Allure e a Feline apresentavam ar-condicionado dual zone com displays de temperatura individuais para os ocupantes da frente. A parte principal do console era em cinza brilhante, que envolvia a base da alavanca de transmissão.

No automático, esta base era cromada com seletor tipo escada e opção de mudanças manuais, o “System by Porsche”, da propaganda da Peugeot. Já a direção eletro-hidráulica tinha volante em couro de três raios sem comandos multifuncionais, uma vez que a coluna os sustentava.

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

No lado direito havia comandos de mídia e telefonia, enquanto no esquerdo ficava o piloto automático e o limitador de velocidade. A coluna tinha ajustes em altura e profundidade. Entre os bancos, o freio de estacionamento manual tinha formato em “Z”, lembrando o New Civic.

As portas tem acabamento duplo, mas eram bem limpas em aspecto, tendo comandos dos vidros e retrovisores, no caso do motorista, além dos alto-falantes. Os bancos podiam ser em tecido ou couro, com ajuste em altura para o motorista.

O porta-luvas era enorme e tinha iluminação, além de refrigeração do ar-condicionado. Entre os bancos, porta-copos, objetos e moedas. Os assentos dianteiros podiam ter apoios de braço retráteis. Havia dois difusores de ar traseiros, além de luzes de leitura na traseira por causa do teto panorâmico.

Retrovisor interno podia ser eletrocrômico, tendo ainda para-sois com espelhos iluminados, porta-óculos e botão da persiana elétrica do teto entre os bancos dianteiros e perto da fonte 12V. Os pedais eram em alumínio na Feline, assim como o apoio de pé esquerdo.

O banco traseiro era bipartido e tem cintos de 3 pontos, além de apoios de cabeça completos. Já o bagageiro de 430 litros tinha iluminação e rede para bagagem. O Peugeot 308 tinha chave-canivete com telecomando. O hatch tinha rodas de liga leve aro 16 polegadas nas versões Active e Allure, enquanto a Feline tinha aro 17 polegadas.

Esta última tem controles de tração e estabilidade, assim como freios ABS e seis airbags. Sensores de chuva e faróis também estavam disponíveis, assim como sensor de estacionamento e rebatimento elétrico dos retrovisores.

Facelift

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O Peugeot 308 recebeu facelift em 2016, adicionando novos faróis chanfrados para se aproximar da geraçao seguinte na Europa. Eles tinham dupla parábola e máscara negra. A grade finalmente surgiu como um elemento separado na frente do hatch, com formato hexagonal e contornos cromados, além do nome Peugeot em baixo relevo.

O para-choque fora refeito e tinha uma grade retangular com molduras laterais portando as luzes diurnas em LED, além de faróis de neblina quadrados.

Na traseira, as lanternas ganhavam guias de LED que imitam as garras do leão e novas rodas foram adicionadas, assim como mudança na padronagem dos bancos.

Peugeot 308 – versões e séries especiais

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

O Peugeot 308 chegou ao mercado em 2012 com as versões Active 1.6 manual, Allure 1.6 manual, Allure 2.0 automática e Feline 2.0 automática. Depois, a Allure ganhou opção 2.0 manual. No ano seguinte, o hatch incorporou o motor 1.6 THP na Feline, deixando o 2.0 com o Allure.

Em 2014, a Feline deu lugar à Griffe, mas mantendo o motor 1.6 THP. No modelo 2015, o 308 manteve a gama com Active, Allure e Griffe. Já no ano 2016, ocorreu o facelift. Nele veio junto o câmbio Aisin de seis marchas, chamado EAT6.

Com a mudança para linha 2017, o Peugeot 308 eliminou os motores aspirados EC5 e EW10, ficando o Prince 1.6 THP para as versões Allure, Griffe e Business, criada para clientes corporativos e PCD. Allure desaparece em 2018, ficando apenas Griffe, Business e a nova opção, a Business Pro.

Então, em 2019, sai primeiro a Griffe e o 308 fica sendo um carro de venda direta, com duas versões Business e encerra sua carreira no final do ano. Em sua trajetória pelo país, o hatch da Peugeot teve duas séries especiais: Quiksilver e Roland Garros.

Roland Garros

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

Em 2014, a Peugeot passou a patrocinar o torneio do Grand Slam de Tênis, o Aberto de Roland Garros, iniciando assim a série especial do Peugeot 308 Roland Garros.

A série desde o início se baseou em um único padrão de diferenciação, tendo retrovisores cromados, faixas de cor laranja a partir de 2016, bem como rodas de liga leve das versões topo de linha do momento.

Por dentro, o 308 Roland Garros apresentava bancos em couro cinza nos assentos e encostos, com as demais partes em preto.

Como na tampa traseira, trazia o emblema do torneio de tênis nos encostos, tendo pacote completo de cada ano/modelo, o que incluia ar-condicionado dual zone, teto panorâmico, multimídia com GPS, etc. O motor era o mais potente disponível.

Quiksilver

O Peugeot 308 Quiksilver surgiu em 2015 como a segunda série especial do modelo, compartilhando com outros modelos da marca, a parceria com a fabricnate de roupas e acessórios de surfwear. Chamava atenção pelos faróis escurecidos e retrovisores em preto brilhante. O motor era 1.6 e o câmbio manual.

As rodas de liga leve aro 17 polegadas eram escurecidas também, recebendo ainda o logotipo da Quiksilver. Por dentro, o acabamento era em tecido, uma vez que era baseado na versão Active, tendo ainda bancos pretos com costura dupla e padronagem diferenciada, além da logotipia da marca.

Peugeot 308 – motores e transmissões

Peugeot 308: motor, consumo, preço, desempenho, equipamento

O Peugeot 308 teve os motores EC5 1.6 16V com bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio, com correia dentada, além de 1.587 cm³. Tinha 115 cavalos na gasolina e 122 cavalos no etanol, ambos a 5.800 rpm e com 15,5 kgfm no primeiro e 16,4 kgfm no segundo, ambos a 4.000 rpm.

Neste, o câmbio era manual de cinco marchas. Já o EW10 tinha a mesma arquitetura com 2.0 litros, tendo 1.997 cm³ e entregando 143 cavalos na gasolina e 151 cavalos no etanol, ambos a 6.000 rpm. Já o torque era de 20 kgfm no derivado de petróleo e 22 kgfm no combustível vegetal.

Teve transmissão manual de cinco marchas ou automática, sendo essa com o AL4 (AT8) e o EAT6 (Aisin), respectivamente com quatro e seis marchas. Por fim, o suprassumo foi o 1.6 THP com bloco e cabeçote em alumínio, além de comando variável na admissão e bom de combustível de alta pressão.

O THP tem 1.598 cm³, turbocompressor com intercooler e injeção direta de alta pressão, além de tecnologia flex por pré-aquecimento, entregando 166 cavalos na gasolina e 173 cavalos no álcool, ambos a 6.000 rpm. O torque era de 24,5 kgfm a 1.400 rpm. O câmbio era somente automático de seis marchas.

Peugeot 308 – fotos

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.