Polo hatch: história, versões, consumo, motores

Polo hatch 2007
Polo hatch 2007

O Volkswagen Polo hatch foi, sem dúvidas, um dos marcos na história da marca alemã em nosso País. Introduzido no mercado brasileiro no ano de 2002, o modelo foi o primeiro hatch compacto “premium” do mercado.

Tal dominação foi utilizada para diferencia-lo de outros carros compactos, como Gol, Fiat Palio, Ford FiestaChevrolet Corsa, visto que se tratava de um compacto mais moderno em todos os sentidos.


A primeira geração do Volkswagen Polo hatch era, na verdade, a quarta geração do compacto alemão a nível mundial. Esta geração chegou por aqui com um atraso de somente seis meses em relação ao modelo europeu, com direito a produção na planta de São Bernardo do Campo (SP).

Vale ressaltar que o Polo já era comercializado anteriormente no Brasil, mas somente na versão Polo Sedan (conhecido como Polo Classic) e importado da Argentina. Ele era um sedã de traseira alta que compartilhava diversos componentes com os Seat Cordoba e Ibiza.

A próxima geração do Polo Sedan seria lançada no fim de 2002, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, acompanhando o novo Polo hatch e com visual mais harmonioso.

Confira abaixo os principais detalhes da trajetória do Volkswagen Polo hatch no Brasil:

 

Chegada do Polo hatch ao Brasil em 2002

O primeiro Volkswagen Polo hatch brasileiro chegou com a intenção de revolucionar o segmento de carros compactos no País. E ele conseguiu. Apesar da produção nacional, tinha quase o mesmo nível tecnológico do europeu.

Chegou com uma plataforma moderna para a época (a PQ24, que foi usada no Gol G5, vendido até hoje) e era feito numa linha de produção com sistemas mais precisos.

Além disso, o Polo hatch de 2002 foi o primeiro carro produzido no Brasil a contar com chapas da carroceria com soldas a laser. Esse tipo de solda elimina as calhas no teto e o famoso “borrachão” (aquela tira preta que percorre o teto dos carros sem tal tecnologia), aumentando a qualidade da carroceria e a rigidez do carro.

No visual, o novo Polo hatch nacional tinha como destaque o conjunto óptico duplo, marcado por dois elementos circulares de cada lado, além da grade retangular marcado o logotipo da Volkswagen no centro.

Os para-choques dianteiro e traseiro tinham uma espécie de borrachão na cor da carroceria, evidente também na parte central das portas.

Por dentro, o visual do Polo hatch seguia o padrão dos outros Volkswagen da época. Havia painel com plástico emborrachado. Pontos da lataria não apareciam por dentro da cabine. Ele oferecia também volante ajustável em altura e profundidade e banco do motorista com regulagem de altura.

De série, o Polo nacional trazia direção eletro-hidráulica, ar-condicionado Climatic manual, preparação para som, vidros manuais, tampa do tanque de combustível com trava elétrica, entre outros.

Como opcional, o Polo hatch podia receber vidros, travas e retrovisores elétricos, três apoios de cabeça traseiros, banco traseiro bipartido, rodas de liga-leve de 15 polegadas, airbag duplo, ar-condicionado automático Climatronic, freios ABS, sistema de som com CD player, alarme, faróis e lanterna de neblina, bancos revestidos em couro, entre outros.

Um fato curioso que é a matriz alemã da Volkswagen não admitia a produção do Polo hatch no Brasil sem airbag duplo e freios ABS de série. Porém, tais itens encareceriam demais os custos finais.

Então, para baratear, eles optaram por colocar cintos de segurança com pré-tensionadores de série. O airbag duplo era item de série somente no Polo 2.0.

O motor que equipava o Polo hatch nacional era um 1.6 EA-111 de 8 válvulas, capaz de entregar até 101 cavalos de potência, a 5.500 rpm, e 14,3 kgfm de torque, a 3.250 rpm, ou um 2.0 EA-113, também de 8 válvulas, com até 116 cv, a 5.200 rpm, e 17,3 kgfm, a 2.400 rpm.

Em ambos os casos, o câmbio era o MQ-200 manual de cinco marchas, o mesmo usado no Golf.

Pouco tempo depois, a Volkswagen passou a oferecer o Polo hatch 1.0, conhecido como Polo 16V (devido às 16 válvulas do motor do carro). Ele estreou com o mesmo propulsor lançado um ano antes no Gol, para se beneficiar dos 9% de IPI para carros 1.0, ao invés da alíquota de 16% paga pelas versões 1.6 e 2.0.

Por a partir de R$ 26.336, o Polo hatch 16V oferecia um motor em posição transversal com até 79 cavalos de potência e 9,7 kgfm de torque, disponível a partir de 5.000 giros.

Em relação ao motor usado no Gol, o Polo 16V tinha um 1.0 litro com 3 cv a mais e uma série de reajustes, como remapeamento da central eletrônica, válvulas de admissão com maior levantamento, borboleta de admissão com maior diâmetro e coletor de admissão com dutos mais longos e largos.

Devido ao motor menos potente que o 1.6, o câmbio manual teve suas relações de marcha e diferencial encurtados. O carro era capaz de ir de 0 a 100 km/h em 13,5 segundos e atingir velocidade máxima de 168 km/h.

Porém, ele durou pouco tempo. A Volkswagen deu um certo azar pois, quase no mesmo tempo em que lançava o Polo hatch 16V, o governo anunciava a redução do IPI para carros com motor de até 2.0 litros.

Além disso, ele não foi muito bem aceito pelo público, já que o preço era somente R$ 700 menor que o do Polo 1.6 e, além disso, tinha desempenho bastante inferior em baixas rotações.

Primeiro facelift do Polo hatch em 2006

Seguindo o padrão do modelo europeu, o Volkswagen Polo hatch nacional estreou em 2006 o seu primeiro facelift nas versões hatch e sedã. O modelo abandonou os faróis duplos e adotou peças convencionais, que inclui as setas direcionais, dando um ar mais agradável para a dianteira da carroceria.

Ele passou a contar também com para-choques redesenhados, capô com novos vincos, nova grade frontal, lanternas traseiras redesenhadas com elementos circulares e novas rodas. O interior, porém, recebeu apenas retoques pontuais.

Na época, os motores 1.6 já era flex, com potência de 103 cv quando abastecido com etanol e 101 cv com gasolina, enquanto o 2.0 somente a gasolina entregava máxima de 116 cv, respectivamente.

Entre os equipamentos de série, o Polo hatch oferecia direção hidráulica, ar-condicionado, imobilizador eletrônico do motor, desembaçador do vidro traseiro, volante com regulagem de altura e profundidade, entre outros. Já a lista de opcionais recebeu novos recursos, como retrovisor interno antiofuscante e sensor de estacionamento traseiro.

O esportivo Polo GTI e a sua vida curta no Brasil

Os entusiastas se animaram quando a Volkswagen anunciou que venderia o esportivo Polo GTI (veja aqui VW Polo GTI 2022 surge com visual radical na Europa) no Brasil. O carro foi antecipado em setembro de 2006 e seria trazido da Alemanha numa configuração com carroceria de três portas, motor 1.8 turbo de 150 cavalos e câmbio manual.

Ou seja, um prato cheio para os amantes de “hot hatches”.

O Polo GTI tinha um motor com intercooler, cinco válvulas por cilindro (20 válvulas no total) e dois eixos de comando de válvulas. O mesmo motor usado no Golf GTI vendido por aqui. Com uma transmissão manual de seis marchas, podia atingir os 100 km/h em 8,2 segundos e velocidade máxima de 216 km/h.

Entre os demais diferenciais, ele contava ainda com freio a disco nas quatro rodas, suspensão com calibragem diferenciada e rodas de liga-leve de 16 polegadas calçadas com pneus 205/45.

Havia ainda um visual mais agressivo e decoração diferenciada no interior, com direito a até bancos tipo Recaro com tecido em padrão Interlagos.

Ele era equipado também com airbags frontais e laterais, controles de estabilidade e tração, ar-condicionado digital, entre outros.

Porém, ele foi um dos carros com a vida mais curta no Brasil. Ele foi apresentado de maneira experimental no Salão de São Paulo do mesmo ano.

No evento, a Volkswagen somou dezenas de interessados pelo carro, mas decidiu importar somente 30 unidades, sendo 20 delas na cor Prata Sirius e outras 10 com carroceria em tom Vermelho Flash.

O preço? A bagatela de R$ 99.800. Uma cifra altíssima para a época. Trata-se do Polo mais caro já vendido até o momento no Brasil – nem mesmo o Polo Highline 2019 com todos os opcionais supera esse modelo.

Segundo facelift do Polo hatch em 2011

Já dando os últimos suspiros no mercado brasileiro, o Volkswagen Polo hatch teve (novamente) o seu visual retocado em julho de 2011, como a linha Polo 2012. Para atualizar o design do Polo, a Volkswagen empregou as mesmas linhas do modelo comercializado no mercado indiano.

Entre as novidades estética, o compacto nas carrocerias hatch e sedã adotou faróis com novo layout interno e máscara negra e uma nova grade mais horizontal, seguindo os últimos lançamentos da linha.

Ele recebeu ainda novos frisos laterais, retrovisores mais amplos, rodas e calotas de 15 polegadas redesenhadas, novos para-choques e lanternas traseiras escurecidas. O interior, por sua vez, adotou painel de instrumentos com iluminação branca, com opção de efeito 3D na versão Sportline 2.0.

Além disso, todas as versões passaram a sair de fábrica com airbag duplo frontal, freios ABS e sensor de estacionamento traseiro. Outros itens como vidros elétricos, direção hidráulica, ar-condicionado e travas elétricas das portas também faziam parte da lista de recursos de série.

Por a partir de R$ 44.390, o Polo hatch tinha motor 1.6 flex de até 104 cv e câmbio manual. Podia oferecer transmissão automatizada i-Motion por R$ 47.120.

Havia também o Polo Bluemotion 1.6, uma versão mais econômica por R$ 48.700. O Polo Sportline 2.0 flex de 120 cv era o único mais potente da gama, com preço de R$ 54.790.

Fim de linha do Polo hatch em 2015

O Volkswagen Polo hatch era considerado um carro caro e sofisticado demais para os padrões brasileiros. Tanto é que a marca alemã nem se preocupou muito em lançar a quinta geração do compacto (que chegou na Europa em 2009) em nosso mercado.

A quarta geração do Polo durou 12 anos no Brasil e teve sua produção encerrada na planta de São Bernardo do Campo (SP) no segundo semestre de 2014. As últimas unidades do hatch compacto duraram na rede de concessionárias até os primeiros meses do ano seguinte.

Ao longo do tempo, o Volkswagen Polo foi perdendo espaço para o Volkswagen Fox que, embora fosse um carro inferior, era mais barato e agradava mais os brasileiros em diversos quesitos.

Vale lembrar que o Fox foi lançado sob a mesma plataforma do Polo.

As últimas unidades do Polo hatch nacional tinha preço tabelado na casa dos R$ 46 mil. Todavia, para desovar os estoques, as concessionárias comercializaram os modelos a preços menores.

Novo Polo hatch é lançado em 2017 no Brasil

Agora com outro cenário invadindo o mercado brasileiro, a Volkswagen decidiu relançar o Polo hatch numa geração completamente nova.

O hatch compacto reestreou por aqui em sua sexta geração, agora com a plataforma modular MQB-A0 (uma versão encurtada da base de modelos como Golf, Jetta e Tiguan) e uma série de tecnologias.

Assim como o primeiro Polo nacional, o novo Volkswagen Polo trouxe uma série bons recursos para a categoria. Ele chegou com motor 1.0 TSI de até 128 cv e 20,4 kgfm com câmbio automático Tiptronic de seis marchas nas versões mais caras, o 1.6 MSI flex na configuração intermediária e o 1.0 MPI flex no modelo mais em conta.

Além disso, a marca posteriormente ainda lançou o Polo GTS, que vem com o motor 1.4 TSI de 150 cv e 25,5 kgfm de torque associado ao câmbio automático de seis marchas.

Já entre os principais equipamentos, ele oferece recursos como quatro airbags, controles de estabilidade e tração e até a opção do painel de instrumentos Active Info Display com tela de 10,3 polegadas totalmente digital. Atualmente, há até mesmo a opção de um pacote com sistema de som Beats com subwoofer.

O novo Polo conta ainda com construção mais leve, com aços especiais de ultra-alta resistência em mais de 50% da estrutura. Em relação ao antigo, ele é 44 kg mais leve. Ele foi o primeiro a atingir nota máxima dentro dos novos protocolos do Latin NCAP.

Hoje o novo Polo tem preços que variam de R$ 66.120 a R$ 98.490 (sem opcionais). Já o topo de linha Polo GTS custa R$ 120.040.

Veja nossa reportagem completa sobre a nova geração do Polo aqui.

Galeria de fotos do Volkswagen Polo hatch

Autor: Leonardo Andrade

Leonardo atua no segmento automotivo há quase nove anos. Tem experiência/formação em administração de empresas, marketing digital e inbound marketing. Já foi colaborador em mais de sete portais do Brasil. Fissurado por carros, em especial pelo mercado e por essa transformação que o mundo automotivo está vivendo.

Deixe um comentário