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Por que a maioria dos carros usa disco de freio na frente e tambor atrás?

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Os discos de freio nos carros é atualmente algo imprescindível para a segurança automotiva, mas apesar disso, muitos ainda utilizam os tambores de freio nas rodas traseiras. A questão é relativa aos custos e o tema já ganhou repercussão em alguns momentos da história automotiva, especialmente em anos recentes.



Atualmente, a produção em larga escala reduziu muito o custo de fabricação e instalação de discos de freio nos eixos traseiros dos carros, mas nem sempre foi assim. De qualquer forma, o custo de um freio a tambor continua sendo inferior e por isso ainda é utilizado em muitos carros, especialmente os modelos com versões de acesso bem baratas ou de desempenho inferior.

O item também é usado para valorizar o produto, pois quando é divulgado que “tal carro tem freios a disco nas quatro rodas”, a sensação de segurança é transmitida imediatamente para o cliente em potencial. Muitas vezes, o carro possui uma versão abaixo com performance semelhante, mas usa tambor apenas porque sua motorização e/ou versão é mais simples, sendo assim seu uso indiferente em relação à eficiência.

Falando nela, os discos de freio são considerados mais eficientes na frenagem e isso está sendo comprovado até com o uso dos mesmos em veículos pesados, que anteriormente sempre utilizaram tambores para frenagem. Assim, o sistema permite menor distância de frenagem, redução do aquecimento e mais eficiência no uso de tecnologia antiderrapante e de controle de estabilidade ou tração. Mas, como tudo isso começou?



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Diferenças entre disco de freio e tambor

O disco de freio, como o nome já diz, é um disco preso ao eixo na suspensão do veículo que tem por finalidade reduzir o espaço de frenagem, que obrigatoriamente tem de ser menor que no tambor. Uma pinça utiliza pastilhas para exercer fricção sobre a superfície do disco, reduzindo a inércia e parando o veículo. Seu acionamento pode ser feito de forma mecânica, hidráulica, pneumática ou eletromagnética. As duas pastilhas apertam o disco nesse processo.

Os freios a tambor utilizam câmara fechada com lonas de fricção empurradas contra a parede desse compartimento, que está girando. O movimento é feito de forma hidráulica ou mecânica, produzindo efeito semelhante ao disco. Porém, como a câmara é fechada, não há circulação de ar suficiente para reduzir a temperatura interna, por isso há um superaquecimento e a consequência perda de eficiência, produzindo assim a queima das lonas em casos mais graves. Além disso, se tiver contato com a água, o material de fricção em contato com o tambor perderá eficiência, aumentando enormemente a distância de frenagem.

O freio a tambor já existia quando o disco de frenagem surgiu em 1890, mas ele só ganhou a importância devida a partir de 1898, quando um carro elétrico utilizou o sistema com acionamento eletromagnético… Hoje, tal coisa seria considerada futurista, mas estamos falando do século 19!

Muito tempo depois, em 1948, é que a Crosley Corporation começou a fazer carros com discos de freio na frente. Porém, até esse sistema de popularizar, foram décadas ainda com o velho sistema a tambor na frente. No Brasil, muitos carros passaram a adotar esse sistema nos anos 70. De lá para cá, a evolução para um conjunto disco/disco demorou muito. Mas, nesta mesma época, um carro era feito dessa forma no Brasil, o Alfa Romeo 2300 Ti. Exceção à regra, ele ficou sozinho até morrer em meados dos anos 80.

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Como funcionam o disco e o tambor?

O disco de freio é mais eficiente, pois está em contato direto com o ar atmosférico e a produção de energia térmica por conta da fricção de pastilhas contra o disco é melhor dissipada, evitando o superaquecimento do material das pastilhas e do fluído de freio, que se entrar em ebulição, reduz a pressão exercida sobre a pinça, fazendo com que a área de frenagem aumente. Para isso, é necessário o uso de rodas bem ventiladas. Em carros de competição, se utiliza discos de carbono-cerâmica e pinças gigantescas para ampliar o poder de frenagem, mas não sem dutos exclusivos de refrigeração.

No caso do tambor, a vantagem deste é que ocupa menos espaço e é mais leve, dependendo do caso, mas também pelo maior poder de carga de frenagem, pois tem uma área de contato entre lonas e tambor bem maior. Isso é eficiente quando se trata de carregar muito peso, pois o freio a tambor suporta a pressão por mais tempo que o disco.

Por isso ele ainda é utilizado quase que obrigatoriamente em picapes focadas no serviço, caminhões, ônibus e reboques de carga. No sistema de freio de estacionamento, o tambor requer um sistema mais simples e, por isso, mais barato. No disco, o dispositivo é mais complexo e tem custo maior. É aquilo, quando mais complexo, maior é seu custo. O mesmo em relação ao freio de estacionamento eletrônico em comparação com o mecânico.

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Poder de frenagem do disco e do tambor

O disco é mais eficiente para reduzir o espaço de frenagem. Como já mencionado, o sistema amplia a segurança, mesmo que o disco seja apenas sólido, em comparação com o tambor. Por conta do maior peso e da carga deslocada na frenagem, as rodas dianteiras precisam do dispositivo, cuja manutenção também é mais em conta, pois é mais fácil de se mexer.

O poder de frenagem do freio a disco é bem superior. A distância para parar o veículo geralmente é quatro vezes maior quando se dobra a velocidade do veículo. Por exemplo, um carro que precisa de 30 m para parar de 80 km/h até 0 km/h, aumentará essa distância para 120 m dos 160 km/h até a imobilidade.

Por isso ele é usado na frente, mas atrás, carros pequenos e de proposta mais frugal, não usaram os freios com tanta intensidade. Devido a isso e também ao fato da versão ser mais simples, o tambor na traseira acaba sendo uma escolha óbvia. Estima-se que apenas 10% do tempo ele é usado em plena carga, diferente de carros maiores, como os modelos de porte médio, que os usam em 20% do tempo nessa condição.

Mas, há o tempo de resposta, que é muito maior no disco em relação ao tambor, por isso que versões e modelos com uma performance melhor são oferecidos apenas com discos de freio traseiros. A diferença pode chegar a 2 m de distância no caso de um carro compacto, por exemplo. Há alguns anos, a Hyundai lançou o Elantra com tambores de freio traseiros, o que gerou enormes críticas no Brasil. Praticamente era o único sedã médio oferecido assim. Como o custo é menor, o olho na margem teve preferência, enquanto a segurança ficou de lado.

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Custo dos dois sistemas

Mas o motivo aí foi o custo. A Hyundai e alguns outros fabricantes ainda se utilizam de tecnologias já em declínio para vender mais, com preços competitivos, obtendo assim uma margem melhor e ainda abocanhando várias fatias dos mercados onde atuam. Para um fabricante de automóveis, se o item é feito em larga escala, seu custo é muito menor e assim gera mais lucro. Quantos menos se gastar na hora da montagem, melhor a margem de lucro.

Então, qual o custo a mais ou a menos que estes sistemas de freio disco/tambor possuem sobre o disco/disco? Pegamos um Volkswagen Polo, não, não o da nova geração, mas o anterior, cuja oferta de peças é mais acessível. O conjunto de discos traseiros do modelo a partir de 2002 custa em torno de R$ 174,00 no mercado.

Na mesma loja e do mesmo fabricante, um jogo de tambores de freio do mesmo modelo é vendido por R$ 149,00. Ou seja, uma diferença de R$ 25,00. Pegando-se o velho hatch como exemplo, vamos dizer que de 100.000 vendidos ao longo do tempo, 70% saíram de São Bernardo do Campo com tambor. Levando-se em conta hipoteticamente que a diferença de custo para as versões com discos traseiros era de R$ 25,00, a economia para a VW seria de R$ 1,75 milhões. Então, se a diferença é pequena unitariamente, ela é enorme em larga escala.

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  • mjprio

    Bem, se ate onibus e caminhoes pesados ja usam disco é porque as questões técnicas vem sendo resolvidas. É fato também que esses veículos comerciais normalmente são dotados de freio motor e retarder que ajuda muito na carga de frenagem.

    • No_Name

      Aqui no Brasil nenhum transportador quer saber de discos! Rs. A MB foi pioneira no mercado mas atualmente todos seus caminhões voltaram para os tambores, discos são opcionais. Alguns fabricantes de implementos rodoviários também apostaram nos discos no passado mas já voltaram aos tambores.

      • mjprio

        Vi que os Volvo ainda usam. Realmente a MB voltou com os tambores deixando os discos como opcional

  • delvane sousa

    Freio a tambor e mais barato e inseguro.

  • Lorenzo Frigerio

    O que salvou os freios traseiros a tambor foi o ABS, pois esse sistema normalmente tende a travar as rodas. Discos e tambores têm características diferentes de progressividade, e é por isso que sobraram só nos carros mais pé-de-boi, para dar uma frenagem traseira bem leve, mesmo.

    • Engraxate

      Quer ver caminhonete com freio traseiro a tambor.
      Sem abs, de caçamba vazia, arrasta muito fácil.

      • Thales Sobral

        Aí não é por causa do tambor.

    • Marcelo Alves

      O ABS também permitiu melhor aproveitamento dos freio traseiros, pois ele deixa o freio traseiro atuar com mais força e geralmente só limita a força quando se pisa mais forte no freio ou quando se faz curva com carro.

      Já dirigi o mesmo carro com tambor na traseira (um Polo 1.6), mas um com ABS e outro sem ABS e a diferença de frenagem era nítida, no sem ABS eu tinha que pisar mais forte no freio e sentia a traseira do carro levantar, como se o pedal de freio estivesse jogando toda a força de frenagem para as rodas da frente, e isso já dá pra se perceber logo na primeira volta em um quarteirão dentro da cidade.

  • Bruno Costa

    Falou tudo, menos porque ainda usam a composição disco + tambor. Tem uma matéria lá do Best Cars que falaram sobre: http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/noticias/se-freio-a-disco-e-melhor-por-que-picapes-usam-tambor/

    Mas, pra quem estiver sem saco pra ler, num hatch pequeno, 90% da frenagem é nas rodas da frente só 10% vai pras rodas de trás. Num sedã médio, a relação vai para 80% nas rodas da frente, 20% para as de trás. O freio de trás atua mais como estabilizador pro carro não ziguezaguear, mas na prática, quem freia mesmo é os da frente, já que é lá que está o torque do carro e é pra onde vai todo o peso quando se freia, principalmente bruscamente. Se for pensar, não tem razão alguma pro freio de trás ser a disco, já que mesmo que ele fosse 10x melhor que o a tambor, o que não é, o tambor já seria suficiente. O que obviamente não quer dizer que o freio a tambor seja o ideal, mas todo o drama que fazem sobre o “não tem disco atrás” é mais drama do que realidade mesmo.

    Claro, usam tambor porque é mais barato. É meio óbvio, né… HAHAHAHA

    • No_Name

      Isso mesmo. O freio traseiro tem utilidade de parada quase insignificante numa frenagem forte para os carros pequenos e leves. Sua serventia é maior como freio de estacionamento.
      Nesse caso não há tanto que se culpar as fabricantes por esse corte de custo, pois o freio a tambor é suficiente e não compromete a segurança.

      • th!nk.t4nk

        Exato. Pra carros pequenos/leves, feitos pra rodar em baixas velocidades nas cidades, ter freios à disco só na frente está de ótimo tamanho. O que nao podemos é confundir com sistema de freio mal-dimensionado, que é outra discussão.

  • Retrato do Papai

    eu quero saber como que o creta 2.0 custa mais de 100 mil corrupções e usa tambor na traseira

    • pedro

      Porque quando se trata de lucrar, os olhos dos coreanos não são tão puxados assim, são bem arregalados, como os demais.

    • Herbert

      Pois é, os rivais Ecosport, Tracker, Kicks e Captur também usam tambores.

      E o pior foi a Ford que tirou os discos traseiros da Ecosport na América Latina.

  • Dick Buck

    Ultimamente o NA vem se destacando com essas matérias mais diferentes do usual (aumento de preços, rota 2030 adiada, gasolina sobe, ranking de mais vendidos…). Continuem assim!

  • Ricardo

    Uma dúvida! ABS atua no tambor traseiro também?

    • REDDINGTON

      Sim…

    • Thales Sobral

      Sim. Na verdade, antigamente algumas picapes tinham ABS nas rodas traseiras somente, pra evitar o bloqueio das rodas quando estavam sem carga na caçamba.

      • Johne Edder

        Meu pai teve uma S10 4×4 2002 que tinha ABS somente na traseira e os freios traseiros eram tambor.

  • Holandês Louco

    CORREÇÃO: Levando-se em conta hipoteticamente que a diferença de custo para as versões com discos traseiros era de R$ 25,00, a economia para a VW seria de R$ 1,75 milhões. Então, se a diferença é pequena unitariamente, ela é enorme em larga escala.

    1,75 milhão. Plural só com 2 ou mais.

    • Zé Mundico

      Isso mesmo. Se é 1,75 é só milhão (um).

  • Johne Edder

    Ontem de manhã eu vi um Corolla SW vermelho igual ao da foto acima, exceto que estava sem as calotas.

  • Samluzbh

    Um sistema a tambor bem projetado é muito bom no custo / beneficio, vide caminhões e outros pesados que ainda o usam, ate trens, tem alguns pesados que usaram discos mas já voltaram pro tambor, ou seja ruim não é, mas o marketing do disco é mais forte, já ouvi pérolas do tipo, carro X é melhor que Y porque tem disco nas quatro rodas!!!

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