Etc

Por que o brasileiro não entende as categorias de veículos?

Por que o brasileiro não entende as categorias de veículos?

B-car, C-car, D-car… Porque no Brasil isso não é levado a sério? Porque brasileiro comum não entende que existem categorias de veículos e que eles são projetados visando atender esse tipo de utilização? Culpa das montadoras? Culpa dos consumidores? Não…


Acho mesmo que a culpa é da imprensa, que auto intitula-se especializada, (revistas, sites de portais, etc) que teimam em fazer comparativos ridículos como Ecosport x Crossfox, ou Honda Fit x Fiat Idea x Chevrolet Meriva, entre outros que não tomarei como exemplo.

Esse tipo de comparativo leva o consumidor a pensar que o Ecosport é meramente um Fiesta com suspensão aumentada para parecer um SUV, como é o Crossfox. Na verdade não é, e não falo isso porque tenho conhecimento, mas sim porque ele um produto baseado no Fiesta, mas de concepção e construção diferentes para atender aos anseios dos consumidores que desejavam um carro com aparência mais robusta como um SUV mas com a praticidade e dimensões externas de um B-car, o que é muito diferente da simplicidade oferecida pelas modificações estéticas em um modelo já existente no catalogo, adornando-o com molas maiores, estepe preso à tampa do porta-malas e para-choques mais agressivos.

Para não parecer tendencioso, já que meu nickname supõe que gosto dos carros da marca do oval azul, criei um questionário de perguntas para mim mesmo sobre outro case que julgo bastante interessante: Honda Fit.


• O Honda Fit é um monovolume assim como a Fiat Idea e Chevrolet Meriva? Sim.
• Isso faz deles carros com conceitos parecidos? Não!!!!

O Honda Fit é um carro hatchback, projetado para servir ao mesmo tipo de pessoa que compraria um carro plataforma B qualquer, como um Volkswagen Polo. A grande sacada é fornecer espaço interno interessante com o mesmo tamanho externo habitual na categoria.

Entretanto mas ele não tem a altura da minivan que busca seus filhos na escola, o que acaba de vez com suas semelhanças, o que deveria extinguir por completo qualquer chance de matéria comparativa entre os carros.

Isso abre espaço para mais uma situação interessante de ser analisada pela pesquisa que teve a mim como único participante:

• O Honda Fit é um carro caro pelo tamanho que possui? Sim
• É certo delimitar o preço de um veículo pelo tamanho que ele possui? Não
• A Honda tem todo o direito de vender o Honda Fit por preços mais caros do que seus reais concorrentes? Sim

Se você acha que os concorrentes do Fit chamam-se Fiat Idea, Chevrolet Meriva e Nissan Linica, ledo engano. Acho que a Honda sabe muito bem que o Volkswagen Polo, Chevrolet Agile, Ford New Fiesta Hatch, Citroën C3, Peugeot 207, e demais que ocupam o nicho ridículo denominado no Brasil como o dos “Compactos Premium” realmente são os que devem ser atingidos.

Se eu consigo oferecer um produto pequeno por fora, grande por dentro posso pedir mais caro por isso e o consumidor pode sentir-se satisfeito por estar levando um ótimo produto para casa.

Pode parecer uma antítese ao falar sobre isso neste texto, pois começo falando que os carros no Brasil são mal interpretados pelos consumidores e agora defendo o direito da Honda vender seu pequeno B-Car ao preço de um C-Car?

Pensem bem: se eu paguei 60 mil em um B-Car porque queria algo que me proporcionasse espaço interno similar a um C-Car, sem ter que me preocupar com vagas maiores nos estacionamentos, preciso entender que ele não terá necessariamente as outras características inerentes a um C-car.

O mercado vai ser o responsável por aceitar este tipo de carro ou não, mas o perigo mora na generalização criada pela banalização dos comparativos divulgados na imprensa.
Quantos comparativos vocês viram ao longo dos anos entre Honda Fit, Citroën C3 e Volkswagen Polo? Quem venceria este embate mais facilmente?

O Conforto e estilo peculiar, quase infantil e feminino do pequeno francês, a pegada esportiva e jovial, praticamente pedante como todo jovem que melhorou de vida, do pequeno alemão, ou a praticidade cosmopolita do japonês de olhos arregalados, estranhamente simpático, como todo bom anime da terra do sol nascente?

O que seria mais fácil, vencer um comparativo contra carros com características tão distintas, apesar de pertencerem ao mesmo grupo, ou contra carros destinados desde a sua criação a terem como maiores emoções em singela vida, coisas prosaicas como o derramamento de um pote de Danoninho, ou quem sabe, algo mais perigoso como o vazamento de uma fralda descartável?

Respondam vocês mesmos e tirem as suas próprias conclusões. Uma imprensa séria vai render mais frutos para nós consumidores. Textos viciados em obter páginas de publicidade apenas renderão distorções futuras que serão refletidas em nossos bolsos.

Para isso se tornar realidade é fácil. Basta entendermos que carros são bens de consumo e como tal, não podem ser enquadrados em algo tão tosco quanto a delimitação por faixa de preço.

Seriam muito interessante termos produtos de todos os tipos nas mais variadas faixas. Que tal um Sedan C-Car básico custando o mesmo que um Hatch B-Car. Você apenas precisaria pensar no que tem em mente ao utilizar este veículo. As reportagens comparariam apenas carros similares independente do seu preço.

Nem sempre o mais caro é o melhor quando estamos analisando o propósito existencial de um veículo classe B. Neste mundo perfeito, seria totalmente compreensível a vitória do Renault Sandero sobre o Honda Fit em um comparativo. Infelizmente isso não vai ocorrer nunca, pois, no mundo brasileiro nenhuma a fábrica gostaria de ver seu modelo de 60 mil sendo vencido por um simples carro de origem romena que em versões mais em conta custa metade do preço.

Abaixo inserimos a “Parte 2” deste post, que era uma página em separado, agora está tudo junto aqui:

Por que o brasileiro não entende as categorias de veículos?

Estão cansados de ler e escutar as pessoas comparando seu Kia Cerato ou seu Fiat Linea com o seu Toyota Corolla? Você sabe que seu Ford Focus é superior do que os carros que seus amigos costumam perguntar a você se são opções viáveis? Eu também, e por isso estou tentando entender o comportamento do mercado Brasileiro, tido pelo mestre Carlos Ghosn como o mais difícil do mundo para se projetar um veículo.

Nada contra o Cerato ou Fiat Linea como produtos, deixo bem claro, mas sim contra o posicionamento da imprensa que acaba refletindo no comportamento dos proprietários e de maneira mais preocupante, no mercado. Vocês já viram a Kia tentando colocar os seus carros num patamar superior ao que eles pertencem?

Jamais. Creio que os executivos da Kia entenderam que o mercado está amadurecendo para entender que nem sempre preço significa categoria. Quando eles quiseram lançar o Kia Soul, criaram uma categoria nova para justificar o preço alto cobrado pelo estranho carro. A estratégia funcionou e o carro tem vendido bem nos mais variados mercados.

O consumidor que quer um carro como o Soul pouco se importa se o acabamento é simplório, ou se o motor é manco e que existe pelo mesmo preço carros interessantes com melhores atributos como acabamento, conforto, custos de manutenção e facilidade de revenda.

Esse modelo de posicionamento faz com que o Kia Soul seja até evitado em comparativos realizados pela imprensa internacional. Compara-lo com o que? Volkswagen New Bettle? Fiat 500? Smart Four Two? Chrysler PT cruiser? A única semelhança entre eles é o desenho marcante e o tipo de consumidor que busca algo diferenciado.

Já a indústria tradicional continua patinando ao tentar entender o comportamento do mercado brasileiro. A Fiat para mim é a melhor em compreender erroneamente os anseios dos consumidores que têm o direito de pensar em qual carro vai comprar, sem ligar muito para tamanho ou utilização, ou seja, o consumidor da Classe B+, disposto a gastar um pouco mais da sua renda com um produto que mostre ao mundo a sua personalidade.

(A faixa abaixo dos 45 mil reais usam outros critérios para fechar a compra do carro zero km, e nisso a Fiat continua imbatível com seus feirões e taxas incríveis para o temido financiamento de 1+60x de 599 reais.)

Esse consumidor é geralmente um jovem, tem ótima bagagem cultural, conhece outros países pessoalmente, ou já fez tantos planos de viagem que já entende como funcionam as outras culturas e busca reconhecimento em um mundo cada vez mais dominado pela padronização comportamental.

Alguns ainda moram com os país e por isso podem gastar mais do que sua renda supõe, o que cria ainda mais brechas para o investimento em modelos conceituais, sustentados pela capacidade cognitiva dos consumidores desse nicho, que costumam valorizar os detalhes diferenciados, estratégia até pouco tempo arriscada, reservada apenas para os modelos de alto luxo.

Porque um consumidor com este perfil compraria um sedan de uma marca que vende carros populares pelo mesmo preço praticado pelos concorrentes que oferecem mais status? Tecnologia, seria a resposta, correto?

Assim pensou, creio eu, a equipe da Fiat ao lançaro Fiat Linea dotado de itens interessantes para os mais jovens, quase sempre antenados no mundo digital e perfeitamente susceptíveis à decisões de compras movidas pela emoção.

Ledo engano amigos. O mais simples estudante de marketing sabe que o consumidor que dá valor a esse tipo de coisa tem uma ligação muito forte com a marca e seus valores. Vejam a Apple e seus i-gadgets, não duvido que em 10 anos tenhamos um i-car sendo vendidos nas Apples Stores da vida.

Ao olhar para o Fiat Linea, o jovem executivo de 32 anos que acabou de sair da casa dos pais e está em busca de algo tão interessante para se locomover quanto o seu I-Phone de último modelo, vai imaginar estar comprando algo como o celular da sua estagiária.

Aquele mesmo que você que é estagiário como eu, já pensou em comprar: capacidade para funcionar simultaneamente com 4 SIM cards, java, câmera, TV Digital, cortador de unha, massageador, estojo de ferramentas e HD portátil pelo módico preço de 200 reais e com a garantia tão confiável quanto a rentabilidade da bolsa de valores nos últimos dias.
O melhor dos atributos deste celular é parecer-se com o celular do seu chefe, no momento, seu modelo ideal de prosperidade e vitória pessoal. Muito legal para mostrar para os amigos, mas altamente risível numa roda de pessoas que costumam ver um iPhone como um acessório tão comum quanto uma escova de dente.

Ao pensar nisto, o jovem que estava folheando as páginas das sua revista semanal preferida encontra a propaganda da Hyundai. Nem preciso completar meu pensamento para faze-los imaginar a sequencia de sentimentos e desejos que irão ser despertados no jovem mancebo, que brevemente enfeitará sua garagem com mais um veículo produzido do outro lado do mundo, por um baixo custo, com mais tecnologia construtiva e mais segurança on board.

Eu falei sobre o Cerato no início do texto? Sim, ele é bonito, desde que equipado com rodas aro 17 e compete com o Fiat Linea com o Honda City e com o Ford New Fiesta Sedan. Entretanto, quando você compara friamente ele aos dois carros que cito no parágrafo anterior, sua vantagem acaba.

O Acabamento não é melhor, o motor não é melhor, o consumo não é melhor, o design não é melhor, a rede de concessionária não é melhor, seu valor de revenda não é melhor, seu espaço interno não é maior, sua segurança não é melhor.

Se ele não é o melhor em nada do que citei mais acima, porque vende tão bem? Porque a imprensa o compara em algumas oportunidades a carros mais caros, como Ford Focus, Nissan Sentra, Chevrolet Vectra, Toyota Corolla, Honda Civic, Volkswagen Jetta.

Quando o consumidor olha o preço de tabela do Cerato, acha uma pechincha levar para casa um carro com cambio automático de 6 marchas e teto solar por módicos 60 mil reais. Eu também acharia barato um carro com esses opcionais se nunca tivesse andado no carro e visto que ele tem uma dinâmica veicular tão ruim quanto qualquer carro de 35 mil reais e seu conforto em ordem de marcha, principalmente com rodas aro 17 não condizem com a sensação esperada ao se pressionar o pedal que deveria desperta a sonolenta cavalaria do motor que não gosta muito do nosso combustível.

Por Focusman

Por que o brasileiro não entende as categorias de veículos?
Nota média 3 de 2 votos

Quem somos

O Notícias Automotivas é um dos maiores sites automotivos do Brasil, trazendo todas as novidades sobre carros para mais de 450 milhões de pessoas, por mais de 12 anos. Saiba mais.

Notícias por email