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Por que carros no Brasil são tão caros? (Não é só culpa dos impostos)

Por que carros no Brasil são tão caros? (Não é só culpa dos impostos)

O Brasil é o 9º maior mercado consumidor de automóveis do mundo, mas já foi o quarto. Atualmente, ficamos atrás de vários países como China, Estados Unidos, Japão e Itália. Isso se deve a crise financeira que o país vem passando, pois um dos setores que mais sofreu com a recessão foi a da indústria automobilística, isso já vem desde 2015. Ainda há expectativa de voltar a crescer agora em 2018.


Segundo a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, o primeiro mês do ano registrou 181,3 mil veículos comercializados, uma alta de 23,1% sobre as 147,2 mil unidades de igual período do ano passado. A produção ainda cresceu no mês de janeiro, de 2.700 para 3.055.

Sabemos que para ter um carro no Brasil não é nada barato, inclusive para manter um veículo também já vai muito dinheiro. É por isso que o comportamento de algumas pessoas que precisam de um veículo à disposição está mudando.

Publicamos recentemente aqui no Notícias Automotivas uma matéria mostrando os carros mais baratos do Brasil, geramos uma reflexão sobre dizer que existe carro popular no Brasil, na verdade, isso é uma grande contradição porque os populares não são baratos.


Por que carros no Brasil são tão caros? (Não é só culpa dos impostos)

Já existem muitos casos em que as pessoas estão alugando ou vendendo o carro para utilizar aqueles por transportes por aplicativo como Uber, 99 e Cabify. Claro, para fazer essa mudança é preciso realizar um planejamento de gastos e ver qual que compensa mais, além de que isso varia de acordo com as necessidades da pessoa.

Mas, afinal, por que é tão caro ter um automóvel aqui no Brasil?

Por que em outros países, inclusive da América do Sul, o carro é bem mais barato do que por aqui? Todo mundo se pergunta e os motivos também são muitos. Se você acha que é apenas impostos, como muito se dizia, está muito enganado (eles também são uma pedra no sapato).

Antes, devemos pensar: mesmo antes da crise, o Brasil era um dos maiores mercados do mundo, será que é tranquilo pagar um absurdo por um veículo? O brasileiro acha comum pagar caro em um automóvel, podemos dizer que virou até uma “cultura”, algo que já é comum. Muitos acham normal desembolsar R$ 60 mil em um carro “popular”, mas engana-se, esse é um preço de uma Mercedes-Benz semi-nova nos Estados Unidos, por exemplo.

Por que carros no Brasil são tão caros? (Não é só culpa dos impostos)

Um dos maiores motivos pelos quais os carros são caros no Brasil é porque as montadoras estão sempre aumentando suas margens de lucro, isso elas não admitem abertamente, mas estabelecem os preços que os consumidores devem pagar, e o povo paga.

Isso explica a diferença de preço no Brasil e no México, para você ter ideia, os modelos que são produzidos aqui e que também são vendidos no mercado brasileiro, são exportados para o território mexicano e argentino e por lá comercializados pela metade do preço daqui.

Isso ocorre devido aos impostos brasileiros, claro, mas também porque aqui se lucra muito mais na produção de um carro. Por conta do valor absurdo, ter um carro no Brasil virou um símbolo de status. Elas cobram caro porque o consumidor brasileiro aceita e já está acostumado e pagar.

Uma Ferrari que custa mais de R$ 1 milhão aqui, chega a valer R$ 400 a 500 mil reais nos Estados Unidos, para definir esse valor precisamos entender dois momentos: o primeiro é a importação, para uma montadora trazer um carro para o Brasil é necessário desembolsar muito dinheiro. O imposto cobrado por importação aqui é absurdamente alto (importação x exportação), enquanto lá fora a situação é completamente oposta. Isso explica a diferença na quantidade de veículos como superesportivos (Ferrari, Lamborghini, Maserati…), que vem para o mercado brasileiro. As montadoras precisam pagar taxas altas para trazer os veículos, e chegando no Brasil, é necessário que haja vendas, senão é prejuízo.

Outra etapa podemos chamar de “corredor dos impostos”, após entrar no Brasil, começa aquela chuva de taxas que todo mundo conhece ou já ouviu falar: IPI, ICMS, PIS/COFINS e até para o INSS, muitas pessoas não sabem, mas uma porcentagem do COFINS é destinada para o INSS.

Não podemos ainda esquecer do IPVA, Licenciamento e DPVAT. Além de tudo isso que apresentamos aqui, tem aquela margem dedicada a montadora, ela também levam muito nesse jogo.

Já os produzidos aqui também não fogem muito dos valores de um importado, o custo de produção também é elevado, começando pelos funcionários, o valor da mão de obra é bem alta, além das burocracias que estão presentes em todos os setores e há também algumas questões jurídicas.

Por mais que o governo incentive a fabricação por aqui e ofereça benefícios como redução tributária, ainda pesa muito para elas produzirem aqui. Não é à toa que muitas acabam abandonando o mercado brasileiro: Mazda, Geely Motors, Mahindra, Brilliance, Haima, Daewoo, Daihatsu e Asia Motors. As vendas baixas, a instabilidade da economia brasileira e a alta do dólar foram essenciais para que elas desistem de vender.

Por que carros no Brasil são tão caros? (Não é só culpa dos impostos)

Para as novatas, principalmente as chinesas, é mais difícil conseguir uma margem de lucro. Para elas, o mercado acaba sendo muito fechado porque montadoras que já estão há anos no Brasil como Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford já ganharam a confiança e por isso vendem mais, enquanto as outras ficam lá atrás. Salvo a sul-coreana Hyundai, que chegou aqui com bons carros e hoje conquistou o seu espaço, sendo a 6ª montadora que mais vende carros no país.

Se dividirmos as porcentagens de impostos na hora da venda de um veículo, ficaria cerca de 12% de tributo para o Governo Estadual e 30% para o Governo Federal, os outros 58% restantes seria porcentagem sem os impostos. Com tudo isso, o Brasil se torna um dos países que têm os carros mais caros do mundo.

A venda de veículos cresceu 9,23% em 2017 no país depois de quatro anos seguidos de queda (foram 4 quedas consecutivas), segundo a Fenabrave – Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores. Segundo a organização, foram vendidos 2.239.403 automóveis, incluindo comerciais leves, ônibus e caminhões.

Mesmo com essa alta, o setor ainda enfrenta um longo caminho para voltar a crescer, o nível de comercialização está igual a de 10/11 anos atrás. O último pico de vendas ocorreu em 2012 com mais de 3 milhões de veículos emplacados. Mas a grande queda ocorreu em 2015 (2.569.014) e 2016 (2.050.327). As concessionárias também foram afetadas, mais de 1.800 foram fechadas entre os anos de 2014 e 2017.

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