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Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

O Porsche 356 foi o primeiro carro feito em série pela Porsche. Projetado por Ferdinand ‘Ferry’ Porsche, o esportivo que se tornaria famoso anos depois, nasceu como Porsche 356, mas não na Alemanha.


O 356 foi um marco para a Porsche, cujos engenhos lendários dos anos 30, criados por célebre engenheiro austríaco Ferdinand Porsche, já tomavam forma nos primeiros anos do pós-guerra.

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

Ferry e sua irmã Louise, decidiram que criar uma montadora para produzir carros em série, algo que seu pai não havia feito. O Porsche 356 foi o início de tudo isso, em Gmünd, Áustria, no ano de 1948.

Para criar esse bólido, Ferry contou com ajuda de Erwin Komenda, o renomado designer que criaria ainda o Porsche 911, anos depois. Embora pequena, a Porsche tinha o potencial de criar novos produtos e o fez em poucos anos.

Porsche 356

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

O Porsche 356 foi um esportivo compacto que surgiu em 1948 como um roadster, mas ao longo de seus 17 anos de vida, teve carrocerias cupê e conversível, sendo que a Speedster era a proposta citada acima.

Ele teve quatro fases, conhecidas como Pré-A, A, B e C, cada uma com alterações no estilo e mecânica, que o tornaram famoso tanto original quanto como réplica. É um carro tão desejado ainda hoje, que existem milhares de réplicas.

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

Algumas delas custam tão caro quanto um Porsche 911 usado, para termos uma ideia. Além disso, o 356 fez com que uma réplica nacional fosse considerada a mais perfeita do mundo, declarada pela própria marca alemã.

De fábrica, o Porsche 356 ganhou o mundo em poucos anos, assim como seu “primo” Fusca, com o qual compartilhava a herança mecânica. Os dois cruzaram o Atlântico e conquistaram os americanos, encantados com os novos carros alemães.

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

Construído sobre um chassi tubular com carroceria de aço, o 356 tinha motor traseiro boxer refrigerado a ar e espaço interno 2+2, além de uma dinâmica de condução leve e esportiva, que fez fama.

Simples mecanicamente, o Porsche 356 não precisou de tecnologias avançadas para andar bem dentro ou fora das pistas de corrida, mas o sucesso da marca nestas, fez com que ele brilhasse ainda mais nas ruas.

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Purista ao extremo, o 356 não exigia luxo, mas apenas o necessário para dar ao condutor o prazer em dirigir, mesmo que não ostentasse um propulsor grande e potente, como os carros americanos da época, por exemplo.

Com equilíbrio nas formas, especialmente no belíssimo Speedster, o Porsche 356 deixou num legado de estilo e performance que a Porsche transmitiu ao 911, que chegou a resgatar a versão citada acima em algumas edições.

Pré-A

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

Três anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa ainda removia os escombros, mas o desejo de seguir em frente era velado, especialmente na Alemanha e o Porsche 356 apareceu na vizinha Áustria, como sinal dos novos tempos.

Fabricado em Gmünd, onde Ferry iniciou a Porsche Konstruktionen GesmbH, o 356 surgiu com carroceria de alumínio, feita à mão e com espaço para duas pessoas. O primeiro exemplar, tipo como “Protótipo Nº1” apareceu em 8 de junho.

Porsche 356: a história do primeiro carro feito em série pela marca

Embora Ferdinand Porsche tenha feito três carros de corrida (Typ 64) em 1939, o 356 é contado como o primeiro carro da marca feito em série. O modelo austríaco logo recebeu uma carroceria cupê, ainda em alumínio.

Com mecânica Volkswagen modificada, o Porsche 356 tinha um boxer de quatro cilindros, refrigerado a ar e com 1.100 cm3. Seu câmbio era de quatro marchas e a tração, assim como o propulsor, era traseira. Tinha 35 cavalos, depois 40.

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Tendo bitolas estreitas, sua carroceria larga avançava sobre as rodas, tendo linhas suaves e um corpo que ia se estreitando em direção à traseira. O capô era longo e curvilíneo, enquanto a cabine era curta e dotada de duas portas.

A queda suave do teto em direção ao cofre do motor foi uma de suas marcas, que ainda incluíam faróis circulares grandes e diminutas lanternas redondas na traseira.

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Em pouco tempo, a produção da Porsche Konstruktionen GesmbH não dava mais conta e, em 1949, até o nome da empresa mudou para Dr. Ing. hc F. Porsche GmbH, uma homenagem em vida ao Doktor Ingenieur Honoris Causa.

No ano seguinte, a Porsche mudou a fabricação do 356 de Gmünd para Zuffenhausen, um distrito de Stuttgart, Alemanha. A partir dai, a produção teve que ser industrializada e não havia mais espaço para construção à mão.

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Para que o 356 pudesse ser feito em escala maior, a empresa Reutter foi contratada e depois adquirida, para fazer as carrocerias em aço. Mais tarde, a divisão de assentos dessa empresa se tornou a famosa Recaro.

Em 1951, surgiram duas novas opções de motor, sendo o 356 1300 com 44 cavalos e o 1500 com 55 cavalos, que permitia ao modelo alcançar 160 km/h e ir de 0 a 100 km/h em 15,4 segundos. O 1300S de 60 cavalos substituiu o 1100 em 1953.

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O Porsche 356 Pré-A tinha carrocerias cupê (2+2) e conversível (2 lugares), mas em 1954, Max Hoffman, o representante da Porsche nos EUA, pediu que se fizesse uma variante do conversível mais simples e com para-brisa reduzido.

Esta versão não teria nem vidros laterais ou uma capota retrátil. Com linhas mais baixas, ficou conhecido posteriormente como Porsche 356 Speedster. Hoffman queria 356 Continental, mas a Ford o processou. O 1500 S chegou a ter 70 cavalos.

Porsche 356 A

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Em 1955, o Porsche 356 passou por mudanças e o anterior ficou conhecido como 356 Pré-A. Agora, o “novo” carro era chamado de 356 A. Embora tenha havido uma certa indecisão sobre a designação do produto, ele seguiu como 356.

Hoje, são raros os 356 “Continental” e “European”, vendidos anos EUA em 1955. O Porsche 356 A foi vendido nas carrocerias Coupé, Cabriolet e Speedster, mas em 1958, surgiu o Cabriolet D (“D” de Carrozzerie Drauz, de Heilbronn).

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Este era uma versão com teto retrátil do Speedster, tendo para-brisa mais alto e vidros nas portas com manivelas. Além disso, tanto este quanto os 356 Cabriolet e Speedster, tinham opção de um teto rígido fixo, o “Hardtop”.

Com alguns aperfeiçoamentos técnicos e de acabamento, como o painel acolchoado, o Porsche 356 A ganhou poder com os novos motores boxer a ar de origem VW, mas de engenharia Porsche. Ou seja, antecipavam o futuro desses propulsores.

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Além dos 1300 e 1300S, o 356 A teve ainda o 1500 no GS Carrera Gran Turismo, que foi o primeiro modelo da Porsche a ostentar essa designação, hoje parte do 911. Esse motor herdado do 550 Spyder, entregava nada menos que 110 cavalos.

O Porsche 356 A ainda teve três opções de motor 1600, todos com dois carburadores duplos Zenith, entregando assim 60, 75 e 105 cavalos, respectivamente, nos 356 1600, 1600 S e 1600 GS Carrera.

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Com a fama da Carrera Panamericana no México, tradicional competição próxima da fronteira com os EUA, o Porsche 356 A se tornou cada vez mais desejado no mercado americano.

Tendo painel com três mostradores circulares de linhas clássicas, um volante de dois raios metálicos com acabamento em madeira e chave de partida do lado esquerdo, herança das pistas, o Porsche 356 A não tinha equivalente no mundo.

Porsche 356 B

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Por quatro anos, a Porsche produziu o 356 A, até que em 1959, decidiu dar um visual mais encorpado ao esportivo, que passou a ser conhecido como Porsche 356 B. Esse foi um movimento que iria acabar gerando o 911.

Com o mesmo para-brisa curvado, característica do 356 A em relação ao Pré-A, o 356 B herdou ainda os motores possantes, fazendo o mesmo que o anterior, alcançando a marca de 200 km/h.

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Sua carroceria é diferente, tendo prolongamento retilíneo sobre os para-lamas, projetando assim os faróis circulares e deixando o capô baixo. Os para-choques eram mais alongados e as lanternas traseiras passaram a ser duas ovais.

Sua estética contribuiu para o surgimento do Porsche 911, quatro anos depois. Embora seja bem parecido com este, o 356 B ainda mantinha um certo ar austero dos primeiros modelos da marca, porém, não condizente com o polido Speedster.

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Maior, o 356 B ganhou ainda um teto rígido diferenciado, construído pela Karmann, em Osnabrück. Com formas mais elaboradas e luxuosas, o modelo tinha batentes cromados nos para-choques e muito mais cromo no exterior.

Uma tampa do motor com dupla abertura, assim como modificações nos acessos ao porta-malas, visando maior capacidade, foram vistas a partir de 1962.

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Por dentro, o luxo também havia aumentado. Em decorrência dessa mudança de perfil, o 356 B Speedster deixou de ser feito em 1962. Na mecânica, a força aumentou na mesma medida do acabamento.

As versões Super 90 (famosa como réplica da Envemo) e Carrera chegaram a usar uma geometria diferente na suspensão traseira, para reduzir a tendência de sobreviragem.

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Os 356 B Carrera GT e GTL (Abarth) tinham 115 cavalos no motor 1600, mas o Porsche 356 B 2000 GS Carrera 2 alcançava 130 cavalos no novo boxer 2000. Este ainda chegaria a 155 cavalos no 2000 Carrera GT, feito para as pistas.

Esse “GT3” da época tinha várias partes construídas em fibra de vidro e tinha um tanque de 110 litros contra 50 normalmente usado nas demais versões. Os motores 1600, 1600 S e 1600 Super 90, tinha 60, 75 e 90 cavalos.

Porsche 356 C

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Em 1963 surge o Porsche 911 (901), que daria continuidade ao legado do 356. Porém, o modelo não morreria de imediato, surgindo assim o Porsche 356 C. O modelo apresentava como evolução, os freios a disco nas quatro rodas.

Também mantinha os mesmos motores 1600 usados no 356 B, ganhando ainda uma versão SC com 95 cavalos para corridas. Com o 911 tendo um boxer de seis cilindros como padrão, o 356 C parecia ter algum futuro.

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De imediato, o público não gostou do 911, o que ajudou a manter o 356 C em produção por mais tempo. Ele é quase similar em aspecto ao 356 B e tinha alguns acessórios, como diferencial de deslizamento limitado.

Na mecânica, o 356 C 1600 tinha 75 cavalos, enquanto o 1600 SC entregava os já mencionados 95 cavalos. Em 1965, a comercialização encerrou, mas no ano seguinte, a polícia rodoviária holandesa recebeu os 10 últimos Porsche 356.

Réplicas

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Um legado do Porsche 356 foi a permissão da marca em autorizar a replicação do modelo, geralmente em carrocerias de fibra de vidro com mecânica Volkswagen 1200, 1600 ou 1700.

No Brasil, a precursora foi a Envemo, empresa conhecida por carros fora-de-série, reconstruiu o Porsche 356 B Super 90 através de um modelo original, construindo a réplica em fibra de vidro com motor 1700 do VW SP2.

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O modelo foi levado para a Alemanha e apresentado à Porsche, que elogiou o trabalho e considerou esta, a réplica mais perfeita do Porsche 356. Outras empresas nacionais seguiram os passos da Envemo, entre elas a Chamonix.

No exterior, as réplicas do Porsche 356 possuem também boa quantidade de peças originais, incluindo algumas dispõem de certificados de originalidade dados pela Porsche, que cede até planos industriais para perfeição da cópia.

O Porsche 356 da Studebaker

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Em 1953, a marca americana Studebaker pediu um projeto de sedã com base no Porsche 356. A empresa austro-germânica desenvolveu um modelo com base no projeto Porsche 530, iniciando a marca em projetos terceirizados.

Este era um cupê maior, com portas ampliadas e entre-eixos alongado, que acabou não indo para frente. Já o sedã da Studebaker virou o Porsche 542, que tinha motor traseiro V6 com 2.0 litros a ar (L) ou água (W).

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A Studebaker não gostou, pois queria um carro maior e de motor frontal, mas aprovou o V6 à água. Um novo carro, chamado Z-87, foi finalizado com motor dianteiro. Contudo, o estilo ficou antiquado três anos depois e não vingou.

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • G. de F.

    Onde tudo começou, e, até hoje, qualquer 911 que se vê faz jus a história do 356, que, mesmo com seus mais de seis décadas de criação, ainda mantem a elegância de suas linhas.

    Na verdade, é um dos desenhos mais reconhecidos em todo o mundo, até mesmo por aqueles que não conhecem muito, ou quase nada, de automóveis.

    • Sino Weibo

      Desenho que é uma cópia dos Tatra. A Alemanha simplesmente acabou com os rivais, ao invadir a então Tchecoslováquia.

      • G. de F.

        Sério mesmo? Nunca pesquisei, ou li sobre isso! Valeu pela dica!

        • Sino Weibo

          Pesquise o caso, Tatra x VW ou Tatra x Porsche, vc vai entender que nesse mundo não tem mocinho, e que quem ganha é quem se impõe!

          • G. de F.

            Vou pesquisar sim! Valeu a dica. E tem toda a razão: o mais bonzinho nesse meio vende a mãe, se a proposta for interessante…

  • Sino Weibo

    Copia descarada dos Tatra, que ninguém fala. Os alemães invadiram a entao Tchecoslováquia e proibiu a empresa de continuar sua produção, beneficiando assim suas copias da Porsche e também o Beetle (Fusca). So falam mal dos chineses mesmo, mas uma das marcas de maior sucesso da historia tem um passado sujo junto dos nazistas.

    • Daniel Deichmann

      Não só a Porsche como um monte de empresas como por exemplo BMW, VW, Mercedes, Audi, Hugo Boss, Bayer, Siemens, Dr. Oetker, IBM.. Fanta só existe por causa da escassez de matéria prima na Alemanha na época da WW2. O Tatra realmente foi o “original” e o 356 a “cópia” mas convenhamos, MUITO mais bonito.

      • Sino Weibo

        Ficou mais bonito sim mas pq a carroceria foi adaptada para coupé.

  • Caulazaro

    Só queria um Chamonix pra chamar de meu.
    Pena que pararam de fabricar. Agora está difícil de achar e caro :(

    • mjprio

      Qur pena. Na época a Envemo ainda disponibilizava algumas peças de acabamento originais pro carro, como painel, volante, rodas, etc. Deixando o carro ainda mais requintado. É o meu carro esporte favorito.

      • Caulazaro

        Achei na internet, uma empresa em São Paulo, que faz réplicas do Porsche Speedster 356, do Porsche Spyder 550, do Shelby Cobra 427 e do Jaguar XK 120. O nome é dela AutoClassics. Tem site com os produtos. Vou tentar pegar mais informações e ir analisando com o tempo. Se for bom, quem sabe no futuro eu compre um. Nas fotos, são bonitos.

        • mjprio

          Interessante. Modelos épicos.

  • mjprio

    Simplesmente meu carro esporte favorito! Até o Envemo super 90 ( que ganhou menção da fábrica alemã pelo trabalho fidedigno) ja realizaria meu sonho.

    • 4lex5andro

      Sonho de infância (e adulto também) ter um 356 roadster na garagem.

  • Eduardo Zacchi

    Você vê no 911 (série 992 – a nova geração) muito dos Porsche antigos. E tem aloprado que reclama do design atemporal e lindo da Porsche.
    Não merece nem atenção quem fala mal…

  • 4lex5andro

    O 356 é o ”Goat” dos carros, ”só” isso.

    Simples, durável, econômico, rápido e de aerodinâmica ímpar em sua época, só rivalizado pelo DS anos depois.

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