Porsche continua com queda nas vendas, pelo quinto ano consecutivo; a pior região é o mercado chinês, com redução de mais de 30%

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O enfraquecimento da Porsche avança por todos os grandes mercados, levando as entregas do primeiro semestre ao menor nível registrado pela fabricante desde 2020.

Entre janeiro e junho, a marca comercializa 122.306 veículos, volume 16% inferior ao observado durante o mesmo período do ano anterior.

Nenhuma região apresenta crescimento, com retração de 13% na América do Norte e redução ainda mais intensa de 32% no mercado chinês.

A China representa o ponto mais delicado, pois a menor procura por modelos sofisticados se combina ao avanço acelerado das fabricantes locais.

A instabilidade do setor imobiliário reduz o poder de compra de consumidores de alta renda, afetando também Mercedes-Benz Group AG e BMW AG.

Nesse ambiente, empresas como a BYD dominam a oferta de EVs e começam a disputar compradores em segmentos antes controlados por marcas estrangeiras de luxo.

A Porsche já reduz sua rede de concessionárias chinesas e trabalha em sistemas digitais mais ajustados às preferências dos motoristas locais.

Mesmo com essas medidas, a fabricante prevê encerrar 2026 com o quinto ano consecutivo de queda nas vendas realizadas no país.

A América do Norte, atualmente seu maior mercado, também perde força apesar de continuar essencial para o volume e a rentabilidade da companhia.

A empresa atribui parte do recuo ao encerramento da produção do 718 a combustão e ao calendário de renovação de sua linha.

Outro fator está na forte procura registrada no ano passado pelo Macan totalmente elétrico, que criou uma base elevada para a comparação atual.

O fim dos incentivos fiscais norte-americanos destinados a EVs e híbridos também pesa sobre as entregas durante os seis primeiros meses.

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Além disso, as tarifas de importação adotadas pelo presidente Donald Trump atingem diretamente a Porsche, que não possui fábrica nos Estados Unidos.

Após a divulgação dos resultados, as ações recuam até 2,1% em Frankfurt, embora permaneçam praticamente estáveis no acumulado deste ano.

Investidores já vinham incorporando aos preços a prolongada deterioração chinesa, reduzindo a reação imediata aos novos números apresentados pela empresa.

A oscilação também é limitada pela estrutura acionária, pois a Volkswagen AG conserva mais de três quartos da Porsche desde a oferta pública de 2022.

Essa participação elevada deixa uma quantidade menor de ações disponível para negociação, diminuindo os movimentos em comparação com alguns concorrentes europeus.

Michael Leiters assume o cargo de CEO em janeiro, depois de comandar durante anos as operações industriais da Ferrari NV.

Sua missão é recuperar a rentabilidade após um período difícil, marcado pelos limites da estratégia elétrica e pela saída da Porsche do índice DAX.

Leiters inicia uma reorganização e concorda, em abril, com a venda da participação da Porsche no empreendimento responsável pela marca Bugatti.

A administração admite novas vendas de ativos para concentrar recursos nas atividades principais e melhorar o retorno financeiro da fabricante.

A situação acompanha uma desaceleração mais ampla entre as marcas alemãs, historicamente dependentes da China para sustentar crescimento e margens elevadas.

A Mercedes registra queda de 8% nas entregas do segundo trimestre, incluindo uma redução de 30% no mercado chinês.

Já a BMW alerta no mês passado que sua margem de lucro pode cair para apenas 1% devido à procura enfraquecida na China.

Dentro do Grupo Volkswagen, a Porsche tradicionalmente compensa os retornos menores das marcas de grande volume, tornando seu desempenho especialmente relevante.

As dificuldades ampliam a cobrança sobre Oliver Blume, CEO da Volkswagen, cujo plano de reorganização será debatido pelo conselho de supervisão em Wolfsburg.

Leiters afirma que a Porsche finaliza negociações para novos cortes de custos enquanto se prepara para trabalhar com volumes de produção menores.

Essas medidas poderão complementar o plano já anunciado de eliminar aproximadamente 3.900 posições até 2029 em diferentes áreas da companhia.

Matthias Becker, integrante do conselho executivo responsável por vendas e marketing, promete novos detalhes da Estratégia 2035 durante um encontro com investidores no segundo semestre.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook