
Uma reorganização bilionária encerra de vez a participação da Porsche na Bugatti Rimac, ao mesmo tempo em que a fabricante reduz ativos diante da desaceleração dos EVs.
A companhia levantou cerca de € 1 bilhão (R$ 5,98 bilhões) ao concluir sua saída do negócio de supercarros, operação finalizada em 9 de setembro.
Controlada majoritariamente pelo Volkswagen Group, a Porsche decidiu destinar € 250 milhões (R$ 1,495 bilhão) desse montante ao reforço de suas obrigações previdenciárias.
O valor obtido representa um dado novo sobre a transação, já que a companhia não havia divulgado o preço quando anunciou a venda em abril.
O comprador é um consórcio liderado pela HOF Capital, que assume os ativos dentro de uma reorganização mais ampla conduzida pelos controladores das famílias Porsche e Piech.

A estratégia busca adequar o portfólio de ativos da fabricante do 911 diante da menor procura por EVs de luxo e das incertezas tecnológicas e geopolíticas.
Michael Leiters, CEO da Porsche desde janeiro, vem acelerando essa mudança por meio de cortes, vendas de negócios considerados secundários e maior concentração nas atividades principais.
Entre as medidas já anunciadas estão a redução de 5.000 postos de trabalho e a retirada de empresas que deixaram de ocupar posição central na estratégia.
Outra operação ocorreu em agosto, quando a Porsche anunciou a venda da subsidiária de consultoria administrativa e de tecnologia MHP para a Tata Consultancy Services.
Nesse caso, o negócio atribuiu à MHP um valor empresarial de € 320 milhões (R$ 1,914 bilhão), ampliando a sequência recente de desinvestimentos da fabricante.

A entrada de recursos também modifica as perspectivas financeiras apresentadas anteriormente pela Porsche, especialmente no indicador de margem de fluxo de caixa líquido automotivo.
Segundo a empresa, a previsão apresentada no relatório semestral não considerava os efeitos decorrentes das vendas de participações e outros ativos realizadas posteriormente.
Incluindo o dinheiro recebido na negociação, a margem de fluxo de caixa líquido automotivo esperada para este ano passa para uma faixa entre 5,5% e 7,5%.
A projeção anterior apontava intervalo de 3% a 5%, o que significa uma melhora importante no indicador após a conclusão da saída do empreendimento envolvendo a Bugatti.
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A estrutura que agora chega ao fim havia sido formada em 2021, quando Bugatti e Rimac passaram a operar conjuntamente dentro da empresa Bugatti Rimac.
Nesse arranjo, a Porsche mantinha participação de 45% na Bugatti Rimac, enquanto o Rimac Group, da Croácia, controlava os 55% restantes do empreendimento.
A transação recém-concluída não envolve apenas esses 45%, porque a Porsche também vende integralmente sua participação direta de 20,6% no próprio Rimac Group.
Dessa maneira, a fabricante alemã deixa completamente tanto o capital da Bugatti Rimac quanto sua posição acionária na companhia croata responsável pela outra parcela do negócio.
O movimento acontece num momento em que a Porsche enfrenta procura abaixo das expectativas por EVs de luxo e tenta simplificar sua estrutura para responder mais rapidamente às mudanças do mercado.
A saída da Bugatti, portanto, combina geração imediata de caixa, reforço das obrigações previdenciárias e redução de participações consideradas menos essenciais para a nova fase da Porsche.




