
O mercado de luxo automotivo começa a mostrar sinais de desgaste, e compradores antes menos sensíveis a preço parecem questionar cada vez mais o valor oferecido.
Uma fonte ligada ao setor afirma que Lamborghini enfrenta dificuldade para vender, Bentley perde força desde 2024 e Aston Martin depende especialmente do interesse pelo Valhalla.
Segundo esse profissional, preços subiram tanto que alguns clientes precisam acrescentar, nos Estados Unidos, cerca de US$ 2.000 (R$ 10.400) mensais para trocar de carro por algo muito parecido.
Ferrari, Bugatti e outras marcas posicionadas no topo absoluto parecem mais protegidas, embora até consumidores extremamente ricos estejam demonstrando menor disposição para gastar rapidamente.
A desvalorização também pesa nessa decisão, porque compradores com grande patrimônio continuam atentos ao custo real de trocar um automóvel por outro mais recente.

Dados da Kelley Blue Book reforçam essa mudança, mostrando que consumidores passaram a procurar SUVs subcompactos, carros compactos e modelos médios em proporção maior.
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Os preços médios de transação avançaram menos em julho, mas isso não ocorreu porque as tabelas diminuíram, e sim porque compradores passaram a rejeitar versões mais caras.
Essa migração mantém preços elevados justamente nos segmentos considerados mais acessíveis, enquanto veículos maiores e mais sofisticados encontram resistência crescente nas concessionárias.
Quatro dos cinco segmentos mais vendidos registraram aumentos de preço médio acima da média da indústria, apesar dessa procura maior por alternativas menores e eficientes.
Marcas mais expostas ao luxo superior, como Mercedes-Benz e empresas do Grupo Volkswagen, sentem mais pressão que fabricantes com linhas mais amplas, caso da BMW.

A Porsche oferece outro sinal desse comportamento, porque suas vendas globais recuaram em 2025, especialmente diante da fraqueza na China e de resultados menos favoráveis na Europa.
Nos Estados Unidos, a marca conseguiu apenas pequeno crescimento frente a 2024, enquanto as vendas de seminovos certificados avançaram 11% durante 2025.
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Fontes também relatam descontentamento com o sistema de distribuição da Porsche, após concessionárias associarem versões desejadas do 911 à compra de modelos menos procurados, como Taycan.
A mesma fonte afirma que a Bentley vendeu menos de 150 veículos nos Estados Unidos em julho, embora a fabricante não divulgue regularmente resultados mensais detalhados.
Na Lamborghini, o lucro cresceu no primeiro semestre, porém o volume recuou, combinação que mantém margens elevadas enquanto levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da demanda.

Outro problema é o envelhecimento das linhas atuais, agravado pelos bilhões de dólares já comprometidos em programas de EVs que depois precisaram ser revistos.
Criar substitutos rapidamente para modelos de baixo volume custa caro, levando fabricantes a recorrerem a séries especiais enquanto compradores demonstram maior interesse por produtos realmente novos.
A fonte sustenta que essa estratégia já perdeu parte da eficácia e afirma que a redução da procura não estaria apenas começando, mas já em andamento.
Também há indícios de que alguns números de vendas sejam reforçados por uma prática conhecida como “punch”, na qual concessionárias registram veículos como vendidos internamente.
Esses carros entram em frotas de demonstração ou serviço, aparecem contabilizados como unidades comercializadas e depois retornam ao mercado como seminovos certificados.
A estratégia permite melhorar temporariamente os resultados de varejo, mas transfere parte da desvalorização para a própria rede antes de uma venda efetiva ao consumidor final.
Relatos obtidos pelo veículo também indicam queda de ânimo entre fabricantes e concessionárias, justamente porque nem essas práticas estariam sendo suficientes para sustentar os volumes desejados.
O quadro sugere uma mudança importante: clientes continuam pagando caro por automóveis, mas preferem concentrar esse gasto em modelos menores, eficientes e relativamente mais acessíveis.
Para o segmento de luxo, isso significa que prestígio sozinho pode já não bastar, sobretudo quando preços sobem, produtos envelhecem e a troca oferece poucas diferenças perceptíveis.
