
Poucos vínculos entre motorista e automóvel atravessam tantas décadas quanto o de Allen Swift com um Rolls-Royce Phantom I recebido ainda jovem.
O morador de Springfield, em Massachusetts, ganhou o carro do pai em 1928, quando completou 26 anos e permaneceu trabalhando no negócio familiar.
Antes de escolher o Phantom, Swift já havia conduzido um Franklin de 1917 e um Marmon, mas buscava algo construído para durar.
Sua decisão ganhou força durante uma visita à fábrica da Rolls-Royce em Springfield, onde acompanhou funcionários produzindo e verificando diferentes componentes.
Numa entrevista concedida aos Springfield Museums em 2003, ele contou que observar aquele processo confirmou sua percepção sobre a qualidade do automóvel.

Swift também destacou que os carros passavam por diversas avaliações e que cada motor era verificado antes de deixar as instalações.
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O presente escolhido foi um Phantom I de 1928 com carroceria roadster Piccadilly, combinação que unia elegância britânica e produção norte-americana.
A partir dali, o proprietário iniciou uma relação de 77 anos consecutivos com o mesmo veículo, estabelecendo uma marca reconhecida pela própria fabricante.
Entre 1928 e 1958, o Rolls-Royce participou regularmente de sua rotina, sendo utilizado diariamente nos deslocamentos até o trabalho.
Mesmo depois desse período, Swift continuou dirigindo e conservando o carro, mantendo atenção constante à mecânica, ao acabamento e à apresentação.
Até 2003, ele calculava ter percorrido aproximadamente 172.000 milhas, equivalentes a cerca de 276.800 km, ao volante do Phantom.

O total superava as 170.000 milhas, ou aproximadamente 273.600 km, mencionadas nos registros sobre sua longa convivência com o modelo.
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Essa dedicação chamou a atenção da Rolls-Royce, que decidiu reconhecer oficialmente um dos proprietários mais fiéis de sua história.
Em 1994, a empresa entregou a Swift uma versão de cristal do Spirit of Ecstasy, tradicional ornamento instalado sobre o capô de seus carros.
A homenagem simbolizava não apenas o tempo de propriedade, mas também o cuidado dedicado a preservar o Phantom em excelentes condições.
Após 2005, quando Swift encerrou sua trajetória aos 102 anos, o automóvel recebeu um destino ligado à memória industrial de Springfield.
O roadster passou a integrar a exposição do Wood Museum of Springfield History, onde permanece como testemunho de sua história singular.
Sob o longo capô, o Phantom I utiliza um motor de seis cilindros em linha e 7,7 litros, com potência estimada entre 96 cv e 109 cv.
A velocidade máxima fica perto de 129 km/h, desempenho respeitável para um automóvel luxuoso desenvolvido na segunda metade dos anos 1920.
A aceleração de zero a 100 km/h exige aproximadamente entre 20 e 25 segundos, segundo as estimativas associadas ao modelo.
Em 1928, o preço inicial variava de US$ 10.000 (R$ 55.800) a US$ 12.000 (R$ 66.900), antes da escolha da carroceria.
Equipado com a configuração Piccadilly, o valor subia para uma faixa entre US$ 17.000 (R$ 94.800) e US$ 18.000 (R$ 100.400).
Considerando a atualização monetária citada, os US$ 18.000 daquele período corresponderiam hoje a aproximadamente US$ 350.000 (R$ 1,95 milhão).
Mais do que uma raridade de coleção, o Phantom de Swift representa uma época em que qualidade construtiva e manutenção cuidadosa podiam atravessar gerações.
