
A pressão das marcas chinesas está obrigando a Stellantis a rever mais rapidamente a estratégia tecnológica construída para a América do Sul apenas três anos atrás.
Herlander Zola, diretor de operações da Stellantis para a América do Sul, reconhece que o mercado mudou e exige respostas mais competitivas da companhia.
A revisão ganha importância porque a Jeep, uma das marcas mais relevantes do grupo na região, perdeu consumidores para fabricantes chineses com tecnologias mais recentes.
Esses concorrentes passaram a oferecer soluções eletrificadas dentro das mesmas faixas de preço ocupadas pela Jeep, alterando uma disputa antes mais favorável à Stellantis.
Entre as alternativas estudadas aparece uma versão flex do sistema híbrido com extensor de autonomia utilizado pela parceira chinesa Leapmotor em alguns de seus veículos.

Segundo Zola, o desenvolvimento dessa tecnologia para a região já começou, mostrando que a parceria com a Leapmotor pode influenciar diretamente futuros produtos sul-americanos.
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A Stellantis também mantém aberta a possibilidade de veículos abastecidos exclusivamente com etanol de cana-de-açúcar, dependendo dos incentivos que eventualmente sejam oferecidos pelos governos.
A companhia pretende apresentar mais adiante neste ano uma visão revisada de seu roteiro tecnológico para a América do Sul, incorporando as mudanças recentes do mercado.
Zola afirma que o plano original permanece, mas precisa de adaptações e ajustes, principalmente porque a velocidade das transformações aumentou de maneira significativa.
Brasil e Uruguai mostram por que uma estratégia única dificilmente funcionará em toda a região, já que cada mercado avança em eletrificação em ritmos bastante diferentes.

Segundo o executivo, a Jeep perdeu participação no Brasil depois de demorar para renovar produtos e tecnologias enquanto fabricantes chineses ampliavam rapidamente sua presença.
Dados da Fenabrave, considerados até julho, também mostram a perda de participação da Jeep durante esse período de transformação do mercado brasileiro.
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A situação uruguaia avançou ainda mais depressa, pois veículos eletrificados passaram de aproximadamente 2% para 30% do mercado local em apenas um ano.
Essa diferença obriga a Stellantis a considerar soluções específicas para cada país, incluindo EVs, híbridos e outras tecnologias adequadas às condições regionais.
Para Zola, a Jeep está entre as marcas mais pressionadas justamente porque fabricantes chineses introduziram novas tecnologias nas mesmas categorias de preço em que ela atua.
A primeira resposta concreta será o Avenger, SUV compacto que a Stellantis considera importante para recuperar participação em um segmento onde vinha cedendo espaço.
O executivo afirma não ter dúvidas sobre o potencial do Avenger para ajudar a Jeep a voltar a crescer justamente entre compradores disputados por novas concorrentes.
A mudança também mostra como a estratégia de eletrificação da Stellantis precisa equilibrar tecnologias globais com particularidades brasileiras, especialmente a ampla disponibilidade de combustíveis renováveis.
Nesse contexto, a experiência da Leapmotor oferece uma alternativa interessante porque combina eletrificação com extensor de autonomia, reduzindo a dependência exclusiva de infraestrutura de recarga.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de motores adaptados ao etanol preserva uma rota tecnológica já conhecida no Brasil e que poderá ganhar importância mediante novos estímulos.
O desafio da Stellantis será reagir sem abandonar investimentos anteriores, acelerando atualizações de produtos justamente quando fabricantes chineses aumentam variedade, tecnologia e competitividade de preços.
A revisão do plano sul-americano deixa claro que manter participação dependerá menos de uma única solução e mais da capacidade de adaptar rapidamente cada tecnologia ao mercado.
