
Uma queda de 5% nas ações em Milão mostrou que o mercado permanece desconfiado da recuperação da Stellantis, apesar do avanço recente nas vendas.
Os papéis acumulam perda de 47% neste ano, pior desempenho entre as empresas que integram o índice europeu Stoxx 600.
O lucro operacional ajustado do segundo trimestre ficou em € 293 milhões (R$ 1,7 bilhão), abaixo das estimativas dos analistas.
A empresa atribuiu o resultado aos custos elevados das matérias-primas e à dificuldade para sustentar preços na Europa diante da concorrência crescente.
O aumento das vendas do grupo e o retorno ao lucro líquido no período não foram suficientes para melhorar a reação dos investidores.
Pierre-Olivier Essig, analista da AIR Capital, afirma que o avanço de marcas como BYD está desorganizando a dinâmica de preços do mercado europeu.
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Segundo Essig, os números robustos da América do Norte não eliminam as dúvidas sobre a recuperação, pois a Stellantis ainda enfrenta obstáculos relevantes.
Antonio Filosa, CEO da fabricante, busca reduzir custos e simplificar operações, seguindo medidas semelhantes adotadas pelas principais empresas automotivas europeias.
A BMW apresentou resultado automotivo acima das expectativas após acelerar cortes, enquanto Mercedes-Benz e Volkswagen também executam programas de maior eficiência.
Nem mesmo os resultados sólidos divulgados pela Renault impediram a queda de suas ações, novamente associada por analistas ao avanço das fabricantes chinesas.
Filosa combina os ajustes com investimentos de € 60 bilhões (R$ 357 bilhões) até 2030, destinados ao desenvolvimento de dezenas de novos modelos.
Jeep, Ram, Peugeot e Fiat receberão prioridade, acompanhadas por esforços para elevar a qualidade dos produtos e fortalecer as principais regiões comerciais.
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Stellantis segue com ações em queda; cortes e investimento de €60 bi até 2030 recompõem o futuro?
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Parcerias com Zhejiang Leapmotor Technology e Dongfeng Motor também deverão ajudar a ocupar fábricas europeias que atualmente trabalham abaixo de sua capacidade.
Na América do Norte, vendas e ganhos ajustados melhoraram, apoiados pela procura por modelos como a Ram 1500 equipada com motor mais potente.
Campanhas de reparo acima da média, porém, continuam reduzindo a rentabilidade, incluindo mais de 1 milhão de Jeep Wrangler e Gladiator nos Estados Unidos.
Esses veículos exigem correções relacionadas a risco de aquecimento, e a companhia nomeou novos responsáveis por Jeep e Ram neste mês.
Na Europa, as entregas cresceram 5%, favorecidas pela demanda por automóveis menores, entre eles Fiat 500 e Citroën C3 Aircross.
A margem operacional europeia melhorou, mas permaneceu negativa, afetada pela redução líquida dos preços e pela elevação dos custos das matérias-primas.
BYD, Xpeng e Geely, já fortes entre os EVs na China, ampliam sua presença europeia com híbridos e EVs de preços competitivos.
Dados da Dataforce indicam participação recorde das marcas chinesas, sobretudo nos híbridos plug-in vendidos na União Europeia, países da EFTA e Reino Unido.
Esse levantamento inclui Polestar, DR, Evo, Chery-Ebro e operações Stellantis-Leapmotor, mas deixa a Smart fora da classificação utilizada.
Na Alemanha, Oliver Blume tenta reduzir gastos da Volkswagen na produção, na administração e até na quantidade de combinações oferecidas para para-choques.
A tentativa anterior de fechar fábricas alemãs encontrou resistência sindical, obrigando o grupo a buscar economias por caminhos menos diretos.
A Stellantis pretende alcançar € 6 bilhões (R$ 35,7 bilhões) em economias anuais até 2028, tomando o nível do ano passado como referência.
Nesta semana, a empresa concordou em vender a operação de compartilhamento Free2move a um fundo alemão, abandonando atividades pouco rentáveis.
A fabricante também prevê impacto tarifário líquido de até € 1,2 bilhão (R$ 7,1 bilhões) neste ano, mas manteve suas projeções financeiras.
