Pressionada por margens menores no luxo alemão, Porsche quer menos modelos competindo entre si e vai se apoiar na Volkswagen para reduzir custos

Porsche 911 Targa Gts 4
Porsche 911 Targa Gts 4

A tentativa de recuperar brilho financeiro leva a Porsche a encarar sua própria variedade como parte do problema, não apenas como vantagem.

A Porsche AG manteve a previsão de lucro para o ano, mesmo sob pressão das tarifas dos EUA e da demanda fraca na China.

Michael Leiters, novo CEO da fabricante do 911, disse aos acionistas na assembleia anual de terça-feira que quer enxugar o portfólio.

Leiters assumiu em janeiro e pretende aprofundar a cooperação dentro da Volkswagen AG para reduzir custos de desenvolvimento.

Segundo o executivo, a gama da Porsche ficou complexa demais até em comparação com concorrentes, criando disputas internas entre produtos próximos.

Ele afirmou que menos modelos competindo entre si devem gerar efeitos relevantes na eficiência do capital da marca alemã.

A previsão mantida indica retorno operacional sobre vendas entre 5,5% e 7,5% neste ano, bem abaixo das margens de dois dígitos antes esperadas.

Mesmo assim, o sinal foi recebido como alívio em um setor alemão de luxo pressionado por demanda instável e tensões geopolíticas.

Na semana passada, a BMW AG reduziu sua projeção de margem automotiva para um piso de apenas 1%, ampliando o alerta no segmento.

As ações da Porsche inverteram perdas anteriores em Frankfurt e chegaram a subir 1,1%, acumulando alta próxima de 6% no ano.

A simplificação prometida por Leiters acontece enquanto a marca enfrenta queda forte na China e efeitos das tarifas de importação dos EUA.

Atualmente, a Porsche oferece cerca de 85 variantes derivadas de seis modelos centrais, conforme a gama exibida em seu próprio site.

Entre elas estão várias configurações do Taycan, incluindo a perua Sport Turismo e a versão Cross Turismo, de apelo mais aventureiro.

O CEO também prepara reduções adicionais de custos e já discutiu esse programa com representantes dos trabalhadores, segundo o Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

Leiters, que antes comandou a McLaren Automotive Ltd., quer chegar a um acordo antes das férias coletivas de julho.

As novas medidas se somariam ao plano anterior de eliminar cerca de 3.900 posições até 2029, dentro de uma reorganização mais ampla.

A Porsche já adotou decisões duras, como adiar ou deixar de lado alguns EVs e ampliar opções com motores a combustão e híbridos.

A empresa também trocou a maior parte dos integrantes de seu conselho e promete detalhar a estratégia em 7 de outubro.

Esse aprofundamento será apresentado durante um capital markets day, data importante para investidores entenderem o novo tamanho pretendido pela marca.

A situação da Porsche pesa além de seus próprios resultados, porque a marca costuma ser um dos motores de lucro mais relevantes da Volkswagen.

Essa rentabilidade ajudava a compensar retornos menores nas operações de grande volume, hoje também envolvidas em uma reestruturação ampla.

A queda aumenta a pressão sobre Oliver Blume, que deixou o comando direto da Porsche para focar a Volkswagen, maior montadora da Europa.

As montadoras alemãs, especialmente a Porsche, sentem a mudança chinesa, onde fabricantes locais elevaram a disputa e reduziram o poder de preço estrangeiro.

Leiters afirma que a meta é tornar a Porsche mais focada e eficiente, sem diluir o apelo construído pela marca.

Ao reduzir sobreposições internas, ele espera liberar recursos para veículos e tecnologias com maior potencial de retorno.

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