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Quadrilha clonava veículos roubados com dados do Exército e carros não emplacados – Prejuízo pode chegar a R$ 11 milhões

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A Polícia Civil do RS desarticulou uma quadrilha que estava clonando caminhões e picapes roubadas no interior do Rio Grande do Sul. O grupo pode ter dado um prejuízo de R$ 11 milhões com o esquema, que se mostrou bem sofisticado, de acordo com as investigações.



Essa quadrilha não utilizava dados de veículos já emplacados em outras cidades ou estados, mas de veículos do Exército e também de picapes não emplacadas oriundas diretamente das montadoras Toyota e Mitsubishi.

De acordo com a polícia, esses caminhões e picapes clonados eram revendidos e transitavam livremente pelo país, já que os dados adulterados conferiam, pois os originais – especialmente no caso do Exército e exportados da Mitsubishi – jamais seriam emplacados.

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Rio Grande do Sul

O esquema foi descoberto porque um agricultor gaúcho havia tido seu veículo roubado e começou por conta própria investigar o paradeiro do caminhão. Através de contatos, conseguiu descobriu que o veículo estava em um galpão, na cidade de Canguçu/RS.

A partir daí, a Polícia Civil gaúcha iniciou uma investigação. O caminhão do agricultor ainda não havia sido clonado. Os agentes descobriram que a quadrilha agia de uma forma inédita, já que os dados de chassis adulterados nos veículos roubados eram oriundos de caminhões do Exército, que não são emplacados pela organização militar.

Com dados que somente o Exército possui, a quadrilha esquentava caminhões roubados e os revendia livremente. O grupo tinha acesso a um banco de dados do EB com chassis de 15.473 veículos adquiridos ao longo de 16 anos.

Diante das informações colhidas, a polícia iniciou a operação “Brasão de Armas” no RS, onde determinou o cumprimento de 87 ordens judiciais. Nesse caso eram três prisões preventivas, 16 temporárias, cinco mandados de condução coercitiva, 22 mandados de busca, 41 de apreensão de caminhões identificados na fraude. Em torno de 26 caminhões foram apreendidos.

A Justiça gaúcha determinou a prisão de 13 pessoas de um total de 19 pessoas identificadas apenas na célula do grupo que agia no estado. O esquema ocorria desde 2005 no interior do RS, geralmente em cidades como Rio Grande, Pelotas, Canguçu e Ibirubá.

De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo causado pela quadrilha pode chegar a R$ 11 milhões, valores calculados com base no prejuízo de quem teve o caminhão roubado e de quem comprou o veículo já clonado sem saber. Estima-se que pelo menos mil caminhões rodem em todo o Brasil com chassis adulterados, sempre com números de originais do Exército.

A Polícia Civil do RS ainda está em busca outros envolvidos, incluindo empresário dono de uma revenda em Pelotas, que teria encomendado 25 caminhões no esquema. Funcionários e ex-funcionários do Detran gaúcho também estão sendo investigados, pois as vistorias identificariam a clonagem dos veículos.

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Mitsubishi e Toyota

Mas, como citado acima, a quadrilha descoberta era apenas a célula gaúcha de um grupo maior, com ramificações por todo o Brasil. Fora do RS, o esquema era esquentar picapes roubadas, mas não com dados do Exército.

Esse outro esquema da quadrilha utilizava dados de veículos zero km não emplacados, oriundos das montadoras Mitsubishi e Toyota, que ainda nem haviam chegado aos concessionários. O primeiro caso foi descoberto em Astorga, interior do Paraná. O veículo clonado tinha número de chassi de uma picape que estava seguindo para Recife.

Quando o cliente da Toyota foi emplacar o veículo na capital pernambucana, o Detran avisou que os dados já existiam em outro veículo, que estava em Astorga. A partir daí, a Polícia Civic do Paraná começou a investigar o caso.

A Toyota então iniciou uma investigação interna e descobriu pelo menos 564 veículos clonados. Esses carros nem mesmo haviam sido emplacados e os clones já rodavam pelo país. O caso chamou a atenção da montadora em 2015, quando concessionários estavam recebendo reclamações de clientes que não conseguiam emplacar suas picapes Hilux, visto que os registros já haviam sido feitos anteriormente.

O caso da Toyota não foi o único envolvendo veículos zero km. A Mitsubishi também teve picapes clonados antes mesmo de chegarem aos clientes e mais, um lote de 221 veículos do modelo L200 Triton exportados para Argentina e África, teve os chassis copiados pela quadrilha e clonados em similares roubados no país.

Assim, diferente do caso envolvendo as picapes da Toyota, as exportadas pela Mitsubishi jamais teriam emplacamentos registrados no Brasil. Um hospital no interior do Maranhão tentou emplacar um veículo convertido em ambulância e não conseguiu, pois o mesmo similar rodava no interior de SP. Os veículos foram trocados pela montadora.

No Mato Grosso do Sul, sete picapes L200 adquiridas pelo governo estadual estão paradas porque já existem clones rodando com seus números de chassis. No Rio Grande do Sul, quatro picapes entregues em concessionárias (3) e para uma empresa de engenharia não puderam ser emplacadas, pois os clones rodam no Paraná, Bahia e Pará. Ao todo, 11 estados possuem células do grupo, que teria clonado pelo menos 1.785 veículos.

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Denatran e Anfavea

Todas as suspeitas levam a crer que os dados de veículos do Exército e também daqueles produzidos pela Mitsubishi e Toyota foram vazados por funcionários do Denatran com acesso ao BIN (Banco de Dados Nacional) do órgão, de acordo com a Polícia Civil do RJ, que alertou sobre a clonagem das picapes exportadas.

Anfavea – em nome dos fabricantes – também não descarta a possibilidade de vazamento do Denatran, pois não basta apenas ter o número de chassis dos veículos produzidos, sendo necessário a base de dados que consta no Denatran.

Por sua vez, o Denatran diz que não há evidências de vazamento dentro do órgão, pois Detrans e montadoras também teriam acesso ao BIN. Um pedido de bloqueio dos veículos clonados foi feito pelas montadoras, mas recusado pelo Departamento Nacional de Trânsito, que diz que a responsabilidade pelo bloqueio pertence aos estados.

[Fonte: G1/Globo/Zero Hora]

[Imagens ilustrativas]

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  • fschulz84

    É incrível como o empreendedorismo criminoso na hu3lândia é organizado e criativo.

    Se estes mesmos indivíduos utilizassem a capacidade que possuem para o crime para empreender de forma lícita, com certeza teríamos vários grupos bem sucedidos.

    Mas, como por aqui o crime acaba sempre sendo mais fácil, nossos hu3s acabam aderindo.

    • Edson Fernandes

      Qual é a forma mais facil de ganhar dinheiro? Então, foram essas que eles escolheram…

      • fschulz84

        Pois é… A sensação de impunidade sempre imperou e os incautos sempre deitaram e rolaram. Mas parece que agora a casa tá caindo.

    • Tosoobservando

      Empreender de forma licita no Brasil? kkkkkk é risivel.

      • ‘Eduardo Oliveira

        Verdade, amigo. O que tem de empresas e comerciantes por aí sonegando impostos.

  • Rodrigo

    Vazamento partindo do DENATRAN. precisa dizer mais alguma coisa?
    Em um país sério toda a cúpula desse bando de encostados seria exonerada e os envolvidos seriam presos! E, claro, as pessoas e empresas vítimas desses bandidos seriam indenizadas.

    • Ⓜ️arcelo

      Os detrans e o denatran existem para colocar empecilhos, taxas, normas, regras, multas, etc etc etc, para os cidadãos de bem e para favorecer os bandidos que pagam bem as propinas.

  • Lukoh

    Peraí…. qual a razão para veículos do exército não serem emplacados???!!!!

    Se for alguma questão relativa a isenção de IPVA e taxa de licenciamento anual, basta constar no cadastro do veículo essa informação, tipo “veículo isento”, etc…

    Tb já reparei que a Policia Federal anda com Mitsubishi Pajero e L200, todas sem emplacamento…

  • Fanjos

    Duro Golpe

  • Louis

    BR, ninho de bandidos, onde o crime compensa.
    Falta Homem na política para falar em reforma penal. Aliás, acho que só o Bolsonaro fala nisso.

  • Mr. Car

    Por mim, era bala e vala. E que a Maria do Presidiário fosse chorar na cama, que é lugar quente.

  • Zé Mundico

    É inegável que alguém de dentro do Denatran está repassando dados dos veículos. No caso da Mitsubishi é pior, pois apenas os carros destinados a exportação tem seus dados vazados. Logicamente, alguém da Mitsubishi está dando o serviço para a curriola..
    Todo sistema, por mais eficiente e completo que seja, sempre será passível de erros e fraudes, pois sempre será operado por pessoas.
    Por outro lado, fica até mais fácil identificar o responsável pelo vazamento, pois todo acesso é feito por senha e mais fácil de ser monitorado ou identificado.

    • Allysson Santos

      Não tem como saber, a princípio, de onde veio o vazamento, uma vez que na própria matéria fala que o Denatran, todos os Detrans e todas as montadoras tem acesso ao BIN.

      • Zé Mundico

        Evidente que veio do Denatran, pois as montadoras só tem acesso aos carros das suas próprias marcas.
        E se o dados são cadastrados no Denatran, só pode vir de lá…..

        • Ⓜ️arcelo

          Exato, as montadoras só realizam o cadastro do veículo na bin quando ele é faturado, porém sem placa. Já o denatran tem acesso total a base, onde pode consultar e alterar qualquer registro.

          Ou seja, a adulteração do registro só pode ser feita pelo denatran. Até mesmo quando a montadora lança algum dado errado do veículo, ela tem que fazer carta laudo, e mais um monte de coisas para o proprietário poder enviar ao detran fazer a correção.

  • Pedro Henrique

    “O esquema foi descoberto porque um agricultor gaúcho havia tido seu veículo roubado e começou por conta própria investigar o paradeiro do caminhão. Através de contatos, conseguiu descobriu que o veículo estava em um galpão, na cidade de Canguçu/RS.”
    um agricultor…

  • Pedro Henrique

    basicamente o denatran disse o seguinte
    “não fui eu que roubei o pão da padaria, porque fulano e ciclano também podem entrar na padaria”

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