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Quando trocar o capacete?

Quando trocar o capacete?

Está querendo saber quando trocar o capacete? Bem, o capacete é realmente um equipamento essencial para quem anda de motocicleta. Embora algumas pessoas possam não acreditar, mas o capacete é um item que realmente salva vidas.


O equipamento é obrigatório para condutor de veículos de duas rodas e, independente do tipo ou estilo, ele precisa ser trocado com alguma frequência. Então, quando trocar o capacete?

O capacete motociclístico teve sua origem com a morte de um personagem importante da história contemporânea, Thomas Edward Laurence, sim, o famoso “Laurence da Arábia”. A morte dele foi causada por uma queda de motocicleta, ele morreu devido à graves lesões na cabeça.

Por conta disso, um estudo foi realizado e então foi desenvolvido um tipo de capacete para proteção de motociclistas. O item de segurança rapidamente se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil há décadas, mas no início não era obrigatório.


Após um tempo, havia a obrigatoriedade, mas pouco se fazia a respeito.

Somente a partir dos anos 90, é que a lei começou a vigorar mais nas ruas e os motociclistas passaram a utilizar frenquentemente o capacete. A Resolução 453 do Contran diz:

“Art. 1º É obrigatório, para circular nas vias públicas, o uso de capacete motociclístico pelo condutor e passageiro de motocicleta, motoneta, ciclomotor, triciclo motorizado e quadriciclo motorizado, devidamente afixado à cabeça pelo conjunto formado pela cinta jugular e engate, por debaixo do maxilar inferior.”

Quando trocar o capacete?

Quando trocar o capacete?

Embora seja recomendável trocar o capacete a cada três anos, não existe uma norma do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que diga que existe um prazo de validade para o mesmo.

O motivo é que o capacete não é um produto perecível. Sua estrutura física não contempla materiais que se degeneram com o tempo.

No entanto, a espuma ao ser utilizada pelo piloto ou garupa, com o tempo tem sua densidade reduzida. É mais ou menos como comprar um colchão de espuma. Após certo período, ele acabará não mais tendo a mesma densidade e forma de antes, mantendo menos a posição correta do corpo sobre sua superfície.

O mesmo vale para o capacete, cuja cunha de proteção interna se deformará com o tempo e não mais terá a mesma capacidade de absorção de impacto que quando novo. Por isso, a recomendação para trocar o capacete é a cada três anos, tempo de uso suficiente para que o protetor entregue a segurança esperada.

O tempo para trocar o capacete é medido por meio de um selo ou etiqueta dentro do capacete. Nela consta a data recomendada para sua substituição.

É por meio disso que se sabe quando trocar o capacete. Mas, fora isso, existem outros motivos que podem fazer com que o motociclista tenha que troca-lo antes do tempo.

Capacete com folga na cabeça

Quando trocar o capacete?

Se o condutor percebe que seu capacete já está ficando folgado na cabeça, isso é sinal de que ele precisa ser trocado. O capacete motociclístico possui alguns tamanhos e na hora da compra, é importante adquirir aquele que realmente se encaixa bem na cabeça, sem folga ou muito apertado.

Ele precisa estar bem afivelado sob o queixo do condutor (o mesmo vale para o passageiro) e, acima de tudo, deve ser confortável. Outro item importante é o estado da viseira. Ela deve ser transparente para oferecer boa segurança e visibilidade, mas com o tempo, riscos e sujeira acabam acumulando nela.

Assim, é importante trocar o capacete quando ele não oferecer mais uma visão clara da via, especialmente com chuva e durante a noite. O recomendável é trocar a viseira por uma similar com etiqueta do Inmetro. Sua substituição pode ocorrer bem antes da troca do capacete. Tudo vai depender do cuidado que tiver com ela (evitando riscos e sujeiras permanentes).

Caí de moto, e agora?

Quando trocar o capacete?

O condutor caiu e bateu o capacete na queda. Ainda assim, o capacete pode ser usado? A resposta é não.

Não pode. Impactos contra solo ou veículo incapacitam imediatamente o protetor de cabeça. Não importa se a batida foi pequena ou grande, o recomendável é trocar o capacete imediatamente, descartando-o para que não seja reutilizado.

Essa recomendação vale igualmente para aquele descuido momentâneo, quando o capacete cai de cima de um móvel ou da própria motocicleta, se o mesmo estiver sobre ela. Mesmo que não tenha riscos e rachaduras na estrutura externa do protetor, o mesmo deve ser substituído por um novo.

É aquilo, capacete motociclístico é como se fosse um item frágil, que ao cair ao chão, se danifica por completo. Não importa se o mesmo é novo ou já tenha três anos de uso. Caiu, trocou! Por isso, é recomendável jamais adquirir capacete usado, pois não se sabe o que de fato ocorreu com ele, na cabeça do antigo dono, mesmo que sua aparência não indique qualquer queda.

Para que o capacete dure, recomenda-se mante-lo sempre limpo, especialmente a viseira, mas também seu interior, utilizando produtos adequados para isso. E, acima de tudo, evite quedas involuntárias. Afinal, o custo da troca pode variar de R$ 50 a R$ 500.

Quando trocar o capacete?
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Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Luconces

    Quando comprei minha primeira moto, peguei um LS2. Sempre fiquei na neura de comprar capacete decente e na época era o que dava para pagar. Passados dois meses, juntei dinheiro para comprar um tri-composto, e esse que eu permaneci por três anos até vender a moto, capacetes, luvas e jaquetas. Pensa numa saudade…

    Do capacete, só me arrependo que ele era branco fosco, e com o passar do tempo foi ficando amarelado. Não tinha Santo que ajudasse para deixar ele branco de novo…

    Do mais, eu tinha ganhado um capacete aberto das Meninas Superpoderosas, que a esposa amou mas nunca usou pois sabemos do risco desse tipo de capacete.

  • Eng Turbo

    Agora sim a reportagem ficou bem completa, parabéns!!

    Somente uma correção:
    “O equipamento é obrigatório para condutor de veículos de duas rodas”

    Vale para 2 rodas, triciclos e quadriciclos

    Adicionando uma informação, quando a obrigatoriedade do uso do capacete foi imposta nos anos 90, “esqueceram” do garupa, sendo assim, somente o piloto precisava estar com o capacete e mesmo que a policia abordasse o condutor com um garupa sem capacete, ele na teoria não poderia ser multado. Isso foi resolvido pouco tempo depois

  • RicLuthor

    De R$ 50,00 a R$ 500 se a opção não for por um top de linha, com emprego de fibra de carbono, kevlar ou multifibras onde o céu é o limite. Um de fibra de vidro já supera e muito os R$ 500,00.

    • Via de regra, ao menos pelo que eu sei, o que de fato mai protege numa queda é o isopor.

      • RicLuthor

        O material do casco (sua superfície e subcamadas) é que dissipa a energia cinética do impacto.

        • Ulysses Araujo

          O casco não absorve, quem faz isso é o material espumado interno. O casco é pra aguentar a porrada mesmo, tanto que os testes são feitos até com objetos pontiagudos. A vantagem de materiais mais resistentes (e caros) no exterior é que se consegue a mesma proteção com uma camada mais fina e portanto menos peso.

          • RicLuthor

            O impacto atinge um ponto X do capacete, a energia do impacto tem que ser distribuída pelo resto do casco e suas camadas. O isopor ou alcochoamento interno não tem condições físicas de absorver o choque sem repassá-lo para o crânio.

            Tanto que os capacetes tops são feitos de multicamadas, usam fibra de carbono, kevlar, aramida… cada camada absorve a onda de choque e dissipa-a. À cada camada, a onda de choque chega mais fraca.

            • Ulysses Araujo

              Ok, um material “frágil” como fibra de carbono absorve e não transfere o impacto. O EPS entre o casco e a cabeça não serve para nada. Certo.

              • RicLuthor

                Imagine o casco como a plataforma de um carro e o EPS como os airbags. Se a plataforma não absorve corretamente o impacto (por conta de materiais nobres, aço de alta e ultra resistência), de nada adianta os airbags.

                Se apenas o isopor, o eps resolvessem, todo mundo só comprava capacete da Taurus, da Peels,…

                • Ulysses Araujo

                  Absorver e resistir ao impacto são coisas diferentes. Estou argumentando desde o começo que o que absorve o impacto é o EPS. De nada adianta se o capacete não se mantém estruturalmente íntegro, e é por isso que tem até teste com objetos pontiagudos pra ver se ele aguenta. Mas pra se manter íntegro tem que ser rígido e consequentemente transmitir força. As áreas de deformação programada no carro só funcionam porque a área entre a coluna A e C não deforma. O papel de absorver força do casco é secundário, pois o EPS faz isso, ao contrário do que sugeriu. Pode continuar a desconsiderar isso, vou ficar por aqui de qualquer modo.

                  • RicLuthor

                    Dê uma olhada nos 2 links que sugeri mais acima.

    • Eng Turbo

      Não aconselho NENHUM capacete abaixo de R$500, experiencia própria.

  • Um detalhe importante:

    quando o capacete começa a ficar folgado na cabeça, é sinal que a espuma perdeu a densidade. Ok. Mas isso NÃO NECESSARIAMENTE condena o capacete. Na verdade, se o capacete tiver forro removível (os mais baratos costumam ter forro fixo), basta adquirir um forro original novo. Para as boas marcas (algumas nem tão caras como por exemplo a HJC), isso é possível, e tanto os forros como as “bochecheiras” são vendidos como peça de reposição. Trocou, tá novo.

    Já quando o forro do capacete é fixo (isto é, não-removível), e fica “frouxo”, embora existam profissionais que “re-encham” o forro com nova espuma, o melhor a se fazer é trocar o capacete mesmo.

    E uma dica óbvia: se você começa a ter dificuldades para achar peças de reposição para seu capacete (como forros e viseiras), é um sinal que já é bom começar a preparar seu bolso para adquirir um novo e deixar o antigo apenas como peça de decoração.

    • Ulysses Araujo

      Aí depende se a “folga” é do forro ou da espuma entre o forro e o casco. O forro troca-se, se for a espuma já era.

      • eu estou falando justamente do forro espumado, não do isopor. o isopor, sim, quando desgasta, já era.

  • Sergio Kraemer

    Tudo depende de material/marca. Eu prefiro um Shark/Arai/Shoei com 5 anos do que um EBF (ou qualquer outra porcaria) dessas de 100 reais, nova.

    • RicLuthor

      Com certeza!

    • Samuelson

      Porém são bem caras hein, complicado é isso.
      Vontade de ter um capacete da Shark por exemplo eu tenho, mas o preço e que atrapalha um pouco.

      • Sergio Kraemer

        Eu importei lá por 2010 um Shark, na época paguei 700 reais e nem fui taxado. Não sei como tá hoje em dia, mas acho que continua compensando importar.

    • konnyaro

      Trouxe do Japão um Arai e um Shoei, mas o problema é que falta o maldito selo da ABNT e corro risco de levar multa. Pelo visto a ABNT deve ser muito mais importante que um selo de certificação internacional DOT ou Snell.

      • Sergio Kraemer

        Eu importei um Shark em meados de 2010, o adesivo consegui facilmente com um amigo que tinha oficina.
        Porém me parece que capacetes importados por conta não precisam.

  • Fabio Pasche

    Outra questão, é melhor usar um ProTork novo de 100 reais do que um Arai de 4000 mil Sharp 4* que caiu do banco da moto ?

  • Ronaldo Prado

    Trocar só de ele cair no chão acho exagero… Se fosse seguir isso eu teria que trocar o meu a cada 2 meses

    • Eng Turbo

      Foi realizado um teste de laboratório com 2 capacetes novos, porém um deles foi lançado ao chão da mesma distancia proporcional ao banco da moto, ou seja, simulando que ele simplesmente caiu e não foi um impacto de acidente. Os resultados são preocupantes, pois o capacete funciona como uma “casca de ovo”, ele suporta uma pancada muito forte, porém somente UMA.
      Sempre corri em track day, porém antes disso andava nas serrinhas da região…nunca economizei em capacete, e ja sofri alguns acidentes, sendo que em um deles o capacete sofreu muitas avarias, com quebra da viseira, e fraturas no casco….sai praticamente ileso, porém caso estivesse com um capacete fora das conformidades, não creio que o resultado seria o mesmo.

  • RicLuthor

    O NA de uns tempos para cá, ilustra as matérias com vídeos do YouTube. Quando os comentaristas colocam um link do YouTube também ou de outro site sobre o assunto, o comentário é apagado.

    Tive 2 comentários apagados por conta de links que demonstravam a importância e a diferença entre os tipos de cascos dos capacetes.

    Mas tudo bem!

    • Ulysses Araujo

      Esse comentário acima também foi feito há dias e apareceu só agora, provavelmente por causa do link que requer aprovação. Mas vamos continuar respeitosamente discordando!

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