
A Range Rover decidiu seguir na direção oposta à disputa por volume e quer transformar exclusividade, personalização e margens maiores em pilares centrais de sua próxima fase.
A marca britânica afirma que não pretende competir diretamente com fabricantes chinesas pelo maior número possível de SUVs vendidos em diferentes mercados.
Ryan Miller, diretor global de marketing de produtos e serviços, disse à revista australiana GoAuto que o objetivo principal não é aumentar volume a qualquer custo.
Segundo ele, a prioridade é ampliar o valor da marca e concentrar esforços em produtos de maior margem, em vez de perse guir apenas faturamento elevado.
Essa estratégia aproxima a Range Rover de uma lógica mais comum em marcas de ultraluxo, nas quais exclusividade pode ser mais importante do que escala comercial.

Martin Limpert, diretor administrativo global, afirmou que a empresa quer atrair mais clientes de patrimônio extremamente elevado para configurações feitas de maneira individual.
A ideia inclui projetos praticamente únicos, desenvolvidos diretamente para compradores específicos e com nível de personalização muito acima das versões convencionais.
Esse movimento lembra a estratégia adotada há anos pela Rolls-Royce, que utiliza programas sob medida para elevar preços e aprofundar o vínculo com clientes.
Mesmo assim, a Range Rover não pretende abandonar totalmente uma faixa mais acessível dentro de seu próprio posicionamento premium.
O Evoque continuará na linha como porta de entrada da marca, preservando um modelo capaz de alcançar público mais amplo do que os SUVs maiores.

Dessa forma, a empresa tenta manter presença em dois extremos, combinando um produto de entrada com modelos voltados a compradores de poder aquisitivo muito superior.
A expansão das fabricantes chinesas também faz parte desse cenário, especialmente porque várias delas avançam rapidamente em segmentos antes dominados por marcas europeias.
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Miller afirmou, porém, que esses concorrentes ainda não estão retirando clientes da Range Rover de maneira relevante nos mercados observados pela empresa.
A marca acompanha de perto os novos participantes, inclusive aqueles que adotam soluções visuais semelhantes às suas em SUVs de maior porte.
Segundo o executivo, copiar elementos de desenho não significa reproduzir o mesmo nível de luxo, acabamento e experiência oferecido pela Range Rover.

A avaliação interna é que compradores da marca procuram o que consideram o melhor disponível e aceitam pagar mais por algo percebido como difícil de reproduzir.
Essa confiança sustenta a decisão de não entrar em uma disputa direta por preço com fabricantes que conseguem oferecer equipamentos sofisticados em faixas inferiores.
A estratégia também reforça a ideia de que vender menos unidades pode ser aceitável desde que cada veículo gere maior retorno e preserve a imagem de exclusividade.
Para a Range Rover, aumentar demasiadamente o volume poderia até reduzir parte do apelo associado a um produto percebido como mais raro e seletivo.
O desafio será equilibrar essa elevação de posicionamento sem afastar completamente consumidores que entram na marca por modelos como o Evoque.
Esse equilíbrio ganha importância enquanto rivais chineses ampliam rapidamente tecnologia, acabamento e presença internacional em segmentos de maior valor.
A Range Rover aposta que sua tradição, identidade visual e capacidade de personalização continuarão justificando preços superiores mesmo diante desse novo ambiente competitivo.
Em vez de tentar vencer as marcas chinesas em quantidade, a empresa quer convencer os compradores mais ricos de que ainda oferece algo que elas não conseguem entregar pelo mesmo preço.










