Rede de hipermercados atacadistas começa a racionar a venda de óleo de motor, após preço do sintético quase dobrar em alguns meses

Óleo de motor dourado sendo despejado no bocal de um motor, com a vareta laranja e componentes metálicos visíveis.
A Costco limitou a duas embalagens semanais por cliente a venda do óleo Kirkland Signature, após o preço do sintético quase dobrar nos Estados Unidos.

A alta do combustível já pesa no bolso dos motoristas, mas outro item essencial para manter os carros rodando começa a mostrar sinais ainda mais preocupantes.

A Costco passou a limitar nesta semana a quantidade de óleo de motor Kirkland Signature vendida por cliente, indicando que a pressão sobre o abastecimento chegou ao varejo.

Cada consumidor agora pode comprar, por semana, no máximo duas embalagens de cinco quarts do produto, quantidade que normalmente atende um motorista comum por cerca de um ano.

O limite surge depois de uma forte elevação nos preços, já que dez quarts do óleo totalmente sintético Kirkland Signature 5W-30 passaram a custar US$ 58 (R$ 296).

Por volta de abril, a mesma quantidade era vendida por aproximadamente US$ 30 (R$ 153), o que significa que o preço praticamente dobrou em poucos meses.

A medida tende a afetar pouco quem compra apenas o necessário para as trocas periódicas, mas dificulta a estratégia de consumidores interessados em formar estoque.

Parte dessa pressão começa na própria indústria, porque transformar petróleo bruto em gasolina e diesel atualmente oferece margens mais atraentes às empresas do setor.

Esse movimento direciona capacidade de refino para combustíveis usados diretamente nos veículos e reduz a disponibilidade de matérias-primas destinadas a outros derivados, incluindo lubrificantes.

A oferta global de petróleo também enfrenta forte pressão devido à instabilidade no Oriente Médio, somada aos efeitos prolongados do conflito envolvendo a Ucrânia.

O diesel já havia atingido um recorde histórico de preço nos Estados Unidos antes de superar uma média nacional de US$ 6 (R$ 31).

Outro elemento que encarece o óleo de motor está nos padrões de qualidade cada vez mais exigentes, que tornam o processo de aprovação dos produtos mais complexo.

Além das regras estabelecidas pelo American Petroleum Institute, fabricantes precisam considerar certificações específicas, como a Dexos, criada pela General Motors para determinados lubrificantes.

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Marcas interessadas em comercializar produtos aprovados pelo padrão Dexos também precisam arcar com taxas de licenciamento, adicionando novos custos ao produto final.

Pelo menos parte dessas despesas acaba chegando ao consumidor, ao mesmo tempo que reforça o interesse das empresas em concentrar recursos na produção de gasolina e diesel.

Forma-se, assim, um ciclo no qual menor disponibilidade eleva preços, margens maiores favorecem outros derivados e a oferta de óleo de motor permanece ainda mais pressionada.

A Costco não informou por quanto tempo pretende manter o limite semanal, deixando aberta a possibilidade de que a restrição continue caso o mercado não apresente melhora.

Outros varejistas também podem adotar medidas semelhantes se o abastecimento continuar apertado, ampliando os efeitos para proprietários de veículos dentro e fora dos Estados Unidos.

O fechamento do Estreito de Ormuz acrescenta uma dimensão importante ao cenário, pois impede o transporte de cerca de 20 milhões de barris de petróleo diariamente.

A combinação entre menor oferta, custos maiores e restrições comerciais começa a lembrar as dificuldades energéticas observadas em 1973, aumentando as dúvidas sobre a duração desse quadro.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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