Comprando e Vendendo Hatches Peugeot

Relato de compra: Peugeot 206 Feline 1.4 2004

peugeot-206-2004-relato-compra-2-1024x576 Relato de compra: Peugeot 206 Feline 1.4 2004

Gostaria de falar sobre a minha experiência de compra de um carro usado, onde busquei um carro na faixa dos 10 mil reais para a minha esposa, que usaria o mesmo apenas de vez em quando.



Existiam duas exigências: preço e possibilidade de seguro. Para ficar mais fácil de segurar o carro, o ideal seria um modelo a partir de 2001 e de procedência nacional. Não me importo com a quilometragem e sim com o estado de conservação, pois não pretendemos rodar muito com este carro.

Eu sabia que o preço era um fator bastante limitante para encontrar um carro em bom estado, mas eu não imaginava que teria tanta dificuldade. O estado dos carros era tão ruim que passei a considerar apenas a compra em lojas e com garantia de no mínimo 3 meses.

O início da procura

Comecei a visitar algumas lojas, e quando percebi já havia passado em mais de 20 lojas diferentes. Incrivelmente só encontrei seis modelos com um estado de conservação no mínimo aceitável:

– Renault Clio 1.0 com AC (sem DH)
– Fiat Palio Fire 1.0 básico
– Volkswagen Gol G3 1.0 com DH
– Peugeot 206 1.0 com DH (sem ar)
– Chevrolet Classic 1.0 básico
– Volkswagen Fox 1.0 básico (com 35 mil km)

Eu passei a considerar o Fox pois estava com a quilometragem muito baixa, praticamente 0km, mas o valor era maior do que eu procurava: R$ 16.500,00. Após fazer as contas, vi que o valor estava bem acima do valor que eu tinha disponível e eu não queria cometer a besteira de entrar em um financiamento, ainda mais com um carro básico que poderia “envelhecer” rapidamente pela falta de acessórios. Quem já teve um carro sem AR e DH sabe como é.

Após visitar o Clio uma segunda vez, percebi que o interior estava com algumas coisas quebradas e o ar não estava gelando. Os faróis também estavam bem amarelados, achei um pouco deprimente.

Então fui ver o Gol G3. Eu não sei o motivo, mas os carros dessa marca queimam a pintura com muita facilidade. O capô e o teto estavam muito mal conservados. Eu já tinha ouvido falar sobre o alto preço do seguro do Gol e como ele é um carro muito visado para roubos, então também descartei esta opção.

Agora restavam poucos. Eu nem cheguei a ver o Classic, a loja disse por duas vezes que o carro estaria no showroom, mas ele nunca estava lá.

Entre dois modelos

Pelo menos agora eram duas escolhas. O Palio ou o 206. Eu fui primeiro ver o Palio, o único detalhe era que a chave de seta estava totalmente “mordida” por um cachorro. Achei estranho, mas estava disposto a levar o carro mesmo assim.

Ao ligar o carro, percebi que estava com um escapamento esportivo. Não gostei, então resolvi ir atrás do último carro para ver qual era mais interessante financeiramente. Para a minha surpresa, ao sair da loja eu vejo um Peugeot 206 1.4 Feline 2004. Ele estava mais caro do que eu queria, por R$ 12.500,00, e eu tinha certeza que ele era importado e que não seria possível segurar, então acabei indo ver o 206 1.0.

O 206 1.0 parecia em bom estado, falei com o vendedor e ele disse que eles davam 3 meses de garantia em todos os carros. Dei partida no carro e ele estava com um forte barulho na correia, eu mostrei ao vendedor e ele disse que era só “jogar um WD” que parava o barulho. Mesmo achando um absurdo, eu fiz uma proposta para levar o carro com 300 reais de desconto, valor que eu gastaria na troca da correia e tensores. A loja não aceitou. Como se não bastasse, o dono da loja disse que aquele carro era muito barato para ele vender com garantia de 3 meses.

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Peugeot 206 com motor 1.4

Neste momento eu desisti da compra do carro, achei que seria melhor tentar a compra em outro momento. Voltei para a minha casa, e ao pesquisar na internet eu descobri que o 206 Feline 1.4 é de procedência nacional. Eu já tive contato com um 307 SW Feline e o mesmo era importado, nenhuma seguradora aceitava.

Depois de duas horas, acabei voltando na loja para ver o modelo. Estava com alta quilometragem (190 mil km), mas o estado de conservação (ao menos externamente) era muito bom. O seguro ficou apenas 15% maior que o cotado para o Palio. Haviam muitos opcionais, como DH + AC, vidros elétricos nas 4 portas, travas, retrovisores elétricos, sensor de chuva e farol automático. O modelo também é relativamente raro de encontrar, na época eu só achei mais um em um famoso site de classificados. Resolvemos fechar negócio.

Eu sou bastante interessado em mecânica, gosto de assistir vídeos sobre o assunto e de aprender a todo momento. Já tenho um outro carro francês, então conheço bem as suas particularidades. Não tenho o conhecimento de um mecânico, mas sei o suficiente para não ser passado para trás e para manter um carro usado da maneira que deve ser. No momento da negociação, fingi ser bastante leigo no assunto para testar a honestidade da loja. Tentaram me enganar com algumas coisas.

Problemas aparecem

Após rodar com o carro por uma semana, descobri uma infinidade de problemas:

– Forte barulho no protetor de cárter
– Tensor da correia fazendo barulho
– Painel não funcionava direito
– Ar condicionado não gelava quase nada
– Barulho vindo da traseira do carro
– Amortecedores e bandejas da frente estouradas
– Algumas vezes o carro simplesmente não dava partida

Resolvi mandar o carro para uma revisão por conta própria (troca de fluídos e filtros), pois sei que é muito comum venderem carros usando um óleo mais grosso para mascarar algum problema. Comprei o óleo Total 9000 5w40 e coloquei no carro, para a minha surpresa o motor estava muito bom, não fuma nada. Também arrumei do meu bolso o protetor de cárter, que acabou sendo mais difícil do que eu pensava pois havia quebrado o local de fixação, e não o protetor em si.

O barulho traseiro não era nada da suspensão e sim a forração da tampa do porta-malas. Coloquei uma bucha de pia de lavar louça lá dentro, tirou o barulho até hoje. Existem algumas gambiarras que acabam durando para sempre. Um dia vou arrumar em definitivo.

Mandei o carro para a garantia uma primeira vez. Ao voltar, eles arrumaram o painel, mas deixaram o mesmo desregulado (o carro marca 10 km/h a menos do que realmente está). Também arrumaram o ar condicionado, esse ficou muito bom, está gelando demais.

O problema da partida não se manifestou e eu pensei que haviam arrumado, mas no dia seguinte percebi que não estava bom.

Após rodar com o carro, percebi que o problema do tensor, dos amortecedores e da partida ainda estavam presentes. Pretendo deixar o carro novamente na garantia. Caso não resolvam desta vez, eu vou pegar 3 orçamentos e mandar arrumar do meu bolso, depois peço restituição no pequenas causas. As coisas no Brasil funcionam assim.

Conclusão

A conclusão deste relato é que eu precisei andar muito para achar um carro nas mínimas condições de rodagem. Tem muito, mas muito carro mal conservado à venda por aí. A grande maioria das lojas dizem a famosa frase “venda no estado”, que judicialmente não tem validade nenhuma. Eu fui até xingado ao perguntar a uma loja se a garantia não era meu direito como consumidor.

Já estou com o carro há quase 2 meses e não apareceu nenhum novo problema, acho que ele tem um nível de conforto bem acima dos outros que eu estava procurando. O motor 1.4 não é muito potente, mas ainda assim é uma boa evolução em relação ao 1.0. Ele também é muito econômico.

Ainda sobre o carro, eu não gostei da embreagem alta e a alavanca de câmbio é um pouco longa. Achei o banco do motorista meio desalinhado, me lembrou o Gol G4. Também estranhei os comandos do vidro elétrico no console central. Não achei os freios nada eficientes. Mas os bancos são do tipo concha e o comportamento dinâmico do carro é muito bom, ele passa muita segurança em rodovias (desde que você não precise frear rapidamente… rsrs). O painel branco com conta giros é um dos mais bonitos que eu já vi. A direção é leve e o espaço interno é bom, mesmo para eu que tenho 1,88m.

Por João Cagnoni

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