Relatório revela que até EVs com mais de 160 mil km ainda têm bateria forte e podem durar mais que o próprio carro

geely Boyue EREV (1)
geely Boyue EREV (1)

Durante anos, muita gente repetiu que a bateria seria o calcanhar de aquiles dos carros elétricos, especialmente na hora de comprar um usado.

Agora, um grande conjunto de dados do Reino Unido começa a mostrar que essa preocupação pode estar bem mais ligada ao medo do que à realidade técnica.

A empresa londrina Generational, especializada em diagnóstico de baterias de EVs, analisou mais de 8.000 testes em veículos de 36 montadoras diferentes, entre carros de passeio e comerciais leves.

A amostra inclui modelos praticamente zero quilômetro e elétricos com até 12 anos de uso, rodando desde poucos quilômetros até mais de 160.000 milhas em seus hodômetros.

Mesmo com toda essa diversidade, o resultado geral chama atenção: o Estado de Saúde médio das baterias ficou em 95,15% da capacidade original.

Entre EVs com quatro a cinco anos de uso, a mediana ficou pouco abaixo disso, em torno de 93,5%, enquanto modelos de oito a nove anos ainda marcavam algo perto de 85%.

O recorte por quilometragem também derruba preconceitos, já que muitos carros acima de 100.000 milhas aparecem com saúde de bateria na faixa de 88% a 95%.

À medida que os veículos envelhecem, porém, o estudo mostra um espalhamento maior entre os extremos, revelando um fosso crescente entre baterias bem cuidadas e pacotes claramente maltratados.

Nos modelos de quatro a cinco anos, o quartil inferior ainda exibe algo em torno de 91,6%, enquanto o grupo de melhor desempenho encosta em quase 96,5% de capacidade.

Já entre elétricos com oito a doze anos, a parte de baixo da curva cai para algo próximo de 82%, a mediana fica em torno de 85% e o topo chega perto de 90%.

Essas diferenças indicam que idade, sozinha, explica cada vez menos o estado da bateria, e que hábitos de uso e recarga passaram a pesar muito mais.

O relatório destaca que a quilometragem isolada também deixou de ser bom indicador, com casos de EV de frota jovem, porém muito rodado, exibindo bateria mais saudável que carro mais velho e pouco usado.

Para a Generational, o maior problema hoje não é a degradação real, mas a incerteza sobre a condição do pacote de bateria, que contamina preços, percepção de risco e confiança nos usados.

Philip Nothard, presidente da Vehicle Remarketing Association, lembra que a bateria é o componente mais caro do carro e, por isso, vira foco natural de preocupação na negociação.

Ele defende que a transparência em relação à saúde da bateria se torne padrão, como já acontece com histórico de manutenção ou conferência de quilometragem em carros a combustão.

Na prática, um laudo confiável de Estado de Saúde pode ajudar montadoras a falar com mais segurança sobre durabilidade, seguradoras a precificar riscos e frotistas a planejar revendas.

Para formuladores de políticas públicas, relatórios padronizados de saúde de bateria podem aliviar o medo de trocas caríssimas, ainda visto como um dos maiores obstáculos à adoção de EVs.

Há também o lado anedótico, como o caso citado de um Tesla Roadster 2008, ainda com a bateria original aproximando-se de duas décadas de uso e algo em torno de 80% da capacidade.

Com recargas cuidadosas e limites de carga moderados, esse exemplo reforça a ideia de que, em muitos cenários, a bateria pode durar mais que a própria vida útil do veículo.

O mesmo estudo, porém, alerta para um cenário de duas realidades, em que EVs bem mantidos se destacam e pacotes negligenciados se tornam piores negócios no mercado de usados.

Se o setor conseguir transformar a saúde da bateria em informação clara e acessível, boa parte do “achismo” que hoje pesa contra o elétrico usado tende a perder força.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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